<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929</id><updated>2012-02-04T16:00:28.881+01:00</updated><title type='text'>...ou quatro coisas</title><subtitle type='html'>Artigos, intervenções e outros textos públicos de Francisco Seixas da Costa</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>151</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-5530018562107147849</id><published>2011-11-30T17:35:00.000+01:00</published><updated>2011-12-01T17:38:02.236+01:00</updated><title type='text'>25 anos na União Europeia</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:WordDocument&gt;   &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:PunctuationKerning/&gt;   &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;   &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:Compatibility&gt;    &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;    &lt;w:SnapToGridInCell/&gt;    &lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;    &lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;    &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:LatentStyles DefLockedState="false" LatentStyleCount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;img src="http://img2.blogblog.com/img/video_object.png" style="background-color: #b2b2b2; " class="BLOGGER-object-element tr_noresize tr_placeholder" id="ieooui" data-original-id="ieooui" /&gt; &lt;style&gt;st1\:*{behavior:url(#ieooui) }&lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt; /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;}&lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Que modelo de integração económica e política consideraria adequado à União Europeia?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A resposta que hoje dou esta pergunta é, com toda a certeza, muito diferente da que teria dado há uns anos atrás. A aceleração das questões em torno do projeto europeu, em especial depois dos últimos alargamentos, da falência objetiva do tratado de Lisboa e da crise do euro obrigam a que qualquer observador sensato pare um pouco para pensar e, muito em particular, deva ser tentado, por um proverbial bom-senso, a assumir uma atitude “possibilista”, para utilizar um termo da história politica que já poucos lembram mais muitos, mesmo sem o saberem, praticam.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Faço parte de uma geração que começou por usar a ideia da integração europeia como um desafio provocatório à nossa ditadura, que depois a olhou como um projeto ideológico de contornos algo duvidosos e que, posteriormente, a acabou por aceitar como o modelo mais óbvio para assentar o desenvolvimento e a estabilidade democrática do país. Mas, como muitos da minha geração, não cheguei à Europa por um sentimento europeísta. Aderi ao projeto por uma opção utilitária, com muito egoísmo soberanista à mistura, porque então me parecia o mais adequado formato, no mercado possível das opções estratégicas, para assegurar o que entendia ser o interesse português. Só depois de ter vivido por dentro o processo integrador, apenas após o ter interiorizado como parte do meu próprio destino, é que comecei a pensar a Europa a partir dela e das suas finalidades próprias. E, desde essa altura, passei a entender que na sua construção reside também aquilo que se pode definir como a essência do nosso interesse nacional.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Hoje, perante a realidade que vivemos, e na impossibilidade de se conseguir, em tempo útil e de forma adequada, uma consensualização “a 27” para uma alternativa ao Tratado de Lisboa, considero que deve caminhar-se, tão rapidamente quanto possível, para um modelo de “cooperação reforçada”. Esse modelo deveria ser construído em torno da “eurozona”, com a fixação de critérios fortes de monitorização das “performances” macro-económicas e de aproximação das políticas económicas, fiscais e sociais, em tudo isso assegurando sempre um papel central à Comissão Europeia. Essa “cooperação reforçada”, que está prevista como possível nos tratados, conviveria com o aparelho tradicional da União e, em caso de um eventual sucesso na aplicação do seu modelo específico, poderia vir a ser o fermento político inspirados para uma futura reforma dos tratados. Esta dualidade permitiria estabilizar o modelo da União previsto nos tratados, sem os sujeitar às tensões induzidas pelos problemas específicos da zona euro. A presença da Comissão Europeia no seio da “cooperação reforçada” garantiria a coerência necessária entre os dois modelos. Atentas as questões especiais de cedência de soberania – em termos orçamentais e de políticas económica e fiscal – que a zona euro suscita, nada impediria que os respetivos países estudassem a criação de uma fórmula específica de associação dos respetivos parlamentos nacionais ao processo decisório (ou de consensualização de medidas) da “cooperação reforçada”, sem prejuízo do pleno exercício das competências que, para toda a União, competem ao Parlamento Europeu. Essa associação dos parlamentos nacionais permitiria colmatar o “défice democrático” que a especificidade dos processos decisórios no seio da “cooperação reforçada” viesse a suscitar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Existirá uma identidade europeia e em que se traduz?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Confesso que, depois do último alargamento – que continuo a pensar ter sido um passo indispensável para o equilíbrio estratégico do continente depois do fim da URSS –, passei a alimentar sérias dúvidas sobre a existência de um laço identitário, para além de algumas dimensões de cariz geopolítico, que ligue os cidadãos de todos os países do continente europeu. A “familiaridade” que parecia existir na Europa “a 15”, que já tinha sido abalada pela crise com a Áustria em 2000, está hoje seriamente comprometida com práticas políticas de natureza autoritária e discriminatória que se espalham, perante uma complacência pública evidente, por muitos países da atual União Europeia. Aquilo que parecia ser uma espécie de “jurisprudência” em matéria de princípios, que dava à Europa uma autoridade para poder ser um “benchmark” perante países terceiros, com reflexos na credibilidade da sua política externa, tem-se vindo a diluir perante o escandaloso quase silêncio das instituições europeias, devendo à Comissão, neste domínio, serem assacadas as principais responsabilidades. Exclusões linguísticas, pressões sobre os media, discriminações sobre estrangeiros e cidadãos de diferentes etnias, ascensão ao poder nacional ou local de partidos xenófobos e racistas fazem parte de um dia-a-dia europeu que parece já não escandalizar ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Será que, afinal, uma identidade europeia tem necessariamente de conviver com a “federalização”, pelo silêncio, daquele tipo de práticas? Ou será que o modelo induzido socialmente pela ominpresença da economia de mercado basta como “template” para nos identificar como europeus? Já soube a resposta, agora tenho muitas dúvidas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Como avalia os efeitos da adesão às Comunidades sobre a economia portuguesa?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Constituiu sempre para mim um mistério a falta de uma avaliação concreta e rigorosa das opções feitas aquando da nossa adesão, no tocante aos respetivos efeitos sobre o tecido económico português. Enquanto, no plano industrial, as coisas me pareceram sempre mais ou menos transparentes, fico com a sensação de que algumas das decisões tomadas em matéria agrícola derivaram de um voluntarismo político que pôs de lado certas precauções para acelerar o final da negociação. Sempre me perguntei sobre se, nessa postura, não estava também uma leitura determinista de que não valeria a pena estar a lutar excessivamente por determinadas produções, porque elas estariam sempre condenadas perante o padrão predominante na política agrícola comunitária. Se olharmos para a deliberada aceleração do desmantelamento pautal que, a certa altura da nossa presença na então CEE, foi autonomamente determinada pelas autoridades portuguesas na área agrícola, com vista a baixar artificialmente baixar a inflação, encontro boas razões para acreditar que então se atuou pela mesma lógica.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Dito isto, e em termos globais, creio que é inegável que o impacto global da nossa integração no tecido comunitário acabou por ser muito positivo. Não que a cultura empresarial portuguesa tivesse mudado automaticamente por esse facto, no que toca à sua tibieza e até ao modo como se “refugiou” no mercado europeu, confortada por uma malha legislativa e por um ambiente de negócios que não exigiam muita imaginação e audácia. Com os anos, porém, a formação dos nossos empresários, e o seu assessoramento técnico, evoluiu bastante, como hoje se torna evidente em muitas áreas, da indústria aos serviços e em setores agrícolas de ponta.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Porém, e por décadas, é importante que se diga que, em importantes faixas do tecido industrial português, em especial na área têxtil, uma política de complacência, socialmente motivada, permitiu a sobrevivência no tempo de empresas condenadas tecnologicamente, não tendo havido coragem política, como aconteceu noutros países, para promover uma reconversão industrial que triasse com rigor as unidades produtivas a salvar, reforçando e capacitando as mais viáveis para arrostar com um mundo competitivo. A prova provada desse erro político surgiu quando, na abertura da Europa à globalização, muitas empresas nacionais foram apanhadas no início ou apenas a meio de um processo de reconversão e modernização tecnológica, não tendo conseguido resistir ao impacto da chegada de produtos de terceiros e mais competitivos fornecedores do mercado europeu.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Felizmente, algumas unidades ainda oriundas desse tecido tecnológico mais antigo conseguiram, entretanto, recuperar e colocar-se de forma competitiva no mercado internacional. Outras desapareceram, como alguns cemitérios industriais por aí nos testemunham. E, vale a pena dizer, foi em grande parte o investimento direto estrangeiro e, mais recentemente, um novo tecido de PME dirigido por outra cultura empresarial que conseguiram garantir aquilo que é hoje o essencial da nossa capacidade exportadora. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Que efeitos teve a adesão sobre a sociedade portuguesa, no &lt;a href="" name="_GoBack"&gt;&lt;/a&gt;seu conjunto?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;É difícil sintetizar os efeitos, em termos de choque de modernidade, que a integração europeia teve para o nosso país. À vista dos portugueses, na paisagem e nos bolsos, quiçá de uma forma algo ilusória face à realidade profunda da nossa capacidade de produção de riqueza, embora com desequilíbrios e agravamento de algumas injustiças sociais, o país mudou e, por algumas décadas, hipotecou, de forma confiante, o seu futuro ao projeto europeu. Setores de uma classe média, que se tornou dominante no plano político e social, tiveram um banho de cosmopolitismo ou, pelo menos, daquilo que identificaram como tal. As “idas à Europa”, os contactos técnicos e culturais com o estrangeiro, a participação da juventude num mundo sem fronteiras, tudo isso deu a Portugal uma animação que alterou o modo do país se olhar a si próprio, com a geração de confiança e a criação de uma mentalidade mais competitiva, embora fazendo desaparecer progressivamente o país mais solidário, no sentido paroquial, que era a nossa imagem de marca tradicional. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Numa avaliação mais fria, Portugal terá desperdiçado muitas das oportunidades que os seus primeiros tempos nas instituições comunitárias deram ao país. Mas, independentemente desses eventuais erros, o que o país ganhou neste seu novo processo europeu, mesmo num contexto de aproveitamento deficitário, foi suficientemente importante para justificar que possamos considerar a nossa adesão às instituições comunitárias como a mais relevante decisão política tomada por Portugal em todo o século passado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A União Económica e Monetária foi um passo lógico ou necessário na integração europeia?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A UEM foi o corolário lógico do processo que levou à criação do “mercado único” e à evolução de todo o conjunto de políticas que lhe estão associadas. Não diria que, em si, a UEM fosse um passo indispensável, mas era, com toda a certeza a decorrência evolutiva natural de um processo de aprofundamento de uma “ever closer union”, que alguns entendiam como devendo fixar um quadro irreversível que atenuasse as tensões historicamente endémicas da Europa e, simultaneamente, abrisse um futuro de progresso e desenvolvimento para todo o continente. Correndo o risco de chocar alguns, arriscaria dizer que a UEM era tão indispensável para o aprofundamento da dimensão económica da União como o alargamento o era para a sua dimensão política. Em ambos os casos, estava-se perante passos estratégicos de elevado risco, mas, igualmente, de medidas que a ambição então prevalecente recomendava que se tomassem, sob pena do projeto correr o risco de estiolar. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A forma como a UEM foi concebida era adequada aos objectivos pretendidos?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A UEM é um excelente projeto e, na sua essência, está tudo quanto a Europa comunitária parecia necessitar para progredir. A alguns, contudo, a simplicidade aparente do modelo suscitava algumas dúvidas, precisamente pela diversidade de situações, em especial em termos de competitividade das economias, de culturas fiscais e de gestão monetária, que a UEM parecia querer combinar, num ambicioso salto de cariz quase federalizante. Poucos falam, nos dias de hoje, numa expressão, à época muito referida, que sempre me pareceu muito importante mas muito pouco levada em conta: os efeitos assimétricos da introdução da moeda única. Confesso que sempre me surpreendeu o simplismo com que os economistas olhavam para a aplicação dos critérios da UEM. Mais tarde, também me espantou ver o modo linear como foi lido o “pacto de estabilidade e crescimento”, com que os alemães nos deixaram “aderir ao marco”, travestido sob o nome de euro. Hoje, a evolução das coisas parece provar que a “blindagem”, quer do acesso à moeda única, quer do seu funcionamento, deveria ter sido muito mais rigorosa. Mas também revela que, pelo menos no primeiro caso, se assim tivesse acontecido talvez Portugal não fosse hoje membro do euro. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O euro irá sobreviver à crise actual?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Julgo que sim, porque se tornou tão central no processo de imbricação das economias europeias que a sua falência teria um efeito de recuo que dificilmente pouparia as próprias bases do “mercado interno”. E essa seria uma tragédia para todos, em especial para as grandes economias europeias. Aliás, em termos financeiros, já se percebeu que a “salvação” do euro não é necessariamente uma medida cara, desde que os países que o adotaram consigam reunir as condições políticas nacionais necessárias à consensualização das reformas internas que – finalmente agora! – se consideram essenciais para a sua permanência no sistema. A grande questão está em saber se o calendário apertado em que se pretende conseguir corrigir os desequilíbrios macroeconómicos é compatível com a introdução temporalmente eficaz de medidas indutoras de crescimento, que permitam sustentar, precisamente, esse mesmo processo de redução da dívida. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Portugal deve permanecer na zona euro?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Claro que sim, por todas as razões – político-estratégicas e económicas. Todo o esforço que Portugal tiver de fazer para conseguir manter-se no euro será sempre inferior ao preço que teria de pagar pelo facto dele ser excluído ou decidir dele sair.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;(Contribuição para o livro “25 anos na União Europeia: 125 reflexões”, Instituto Europeu da Faculdade de Direito de Lisboa, Almedina, 2011)&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-5530018562107147849?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/5530018562107147849/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/11/25-anos-na-uniao-europeia.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/5530018562107147849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/5530018562107147849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/11/25-anos-na-uniao-europeia.html' title='25 anos na União Europeia'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-4585590836602115169</id><published>2011-10-22T00:01:00.002+02:00</published><updated>2011-10-22T00:01:01.582+02:00</updated><title type='text'>Eugénio Lisboa - o conselheiro cultural</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Por décadas, li o nome de Eugénio Lisboa em textos críticos sobre literatura portuguesa que me iam passando à frente dos olhos. Como essa era uma “praia”, como agora se diz, que eu apenas tocava pela rama, tinha, acerca dele, alguma, mas não excessiva, curiosidade, apenas potenciada pela raridade do facto de se tratar de um “engenheiro”, qualidade que partilhava com o Jorge de Sena – mas isso num tempo em que os engenheiros ainda não assumiam a importância que, entre nós, viriam a ter… &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A circunstância de ter raízes em Moçambique e de, mais tarde, ter andado por França e pela Suécia, situavam Eugénio Lisboa, no meu imaginário, na prateleira prestigiada dos expatriados da nossa cultura, essas figuras com cujas assinaturas eu tropeçava em livros e artigos e que, de quando em quando, entrevia em colóquios ou na televisão, saídos da sua habitual geografia. Mas eu nunca fui fã de José Régio (o Eugénio não me vai perdoar esta) e esse era o terreno de estimação do nosso crítico, pelo que não atentava, como seguramente deveria, ao que ele escrevia sobre o poeta – no “Colóquio Letras”, no JL e noutras folhas cultas e de culto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Um dia, no início dos anos 90, ao ser colocado em Londres, tive oportunidade de pôr finalmente uma fotografia no nome do Eugénio Lisboa. E, simultaneamente, no de Rui Knopfli, com quem ele fazia um singular “par” de conselheiros da coisa escrita – o Lisboa, da cultura, o Knopfli, da imprensa – dentro da nossa Embaixada. Durante mais de quatro anos, convivi diariamente com ambos e, no meu saldo pessoal, julgo neles ter feito dois amigos. Era muito interessante observar a sua complementaridade, o sublinhar das comuns raízes moçambicanas, distintos no trabalhar de certas memórias, sobre figuras do passado frequentado e no modo de viver o presente de então. Porém, onde o Eugénio era uma formiga de trabalho, o Rui era uma cigarra, de cigarros seguidos e outros vícios, onde parecia assentar a alegria residual da sua vida e em que preparava, com uma certeza que íamos visualizando, o caminho apressado para a morte. Por mais de uma vez, fui aliado do Eugénio Lisboa – cuja óbvia ternura pelo Rui sempre mascarava – na tentativa de salvar o poeta de si próprio. E ambos sofríamos, cada um a seu modo, a inglória certeza, a prazo, desse esforço.&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Sou testemunha privilegiada de que, em Londres, Eugénio Lisboa desenvolveu um trabalho notável na promoção da nossa cultura. Para além de animar, frequentemente com a sua presença, muitas iniciativas, dedicava-se, com afinco, à edição de traduções de clássicos da nossa literatura, através da “Carcanet Press”. Com o Hélder Macedo e com Michael Collins, seus principais cúmplices em iniciativas a que, com pertinácia, se dedicava, o Eugénio procurou “furar” o complexo mundo do tecido cultural britânico, tendo, a seu lado na Embaixada, a ajuda entusiasta e atenta de Mercês Gibson. Olhando para trás, tenho consciência de que procurei ser útil, à medida do que me era possível, a esse labor, onde frequentemente nos deparávamos com boas vontades – como era o caso da Fundação Calouste Gulbenkian – mas, igualmente, com alguns egos de estimação, às vezes de natureza institucional, bem difíceis de contornar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Foi pela mão do Eugénio Lisboa que vim a conhecer figuras como o jornalista António de Figueiredo, lendário representante de Humberto Delgado em Londres, o advogado Adrião Rodrigues, nome destacado dos “Democratas de Moçambique”, ou Alexandre Pinheiro Torres, um escritor cuja obra justificaria maior reconhecimento público. Em Londres, o Eugénio funcionava como uma espécie de “placa giratória” por onde passava muito do mundo cultural português, mas onde a África lusófona estava sempre presente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Esse “carrefour” londrino nem sempre era tão pacífico como se poderia pensar – mas, com o tempo, habituei-me a perceber que o mundo cultural é um espaço onde, com alguma facilidade, as personalidades se chocam e as palavras podem desencadear grandes fogueiras. Recordo-me de uma polémica, que envolveu o Eugénio Lisboa e o José Saramago, a propósito de um almoço que eu havia oferecido ao escritor, com a presença do Hélder Macedo, da Paula Rego, do Bartolomeu Cid dos Santos, do Luís de Sousa Rebelo e do Rui Knopfli. O modo como Saramago relatou uma cena desse repasto, nos seus “Cadernos de Lanzarote”, criou uma fúria no Eugénio, que zurziu o escritor no JL. A diplomacia não exclui a indignação. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Devo confessar que tenho alguma saudade das conversas que, aos fins de tarde, mantínhamos no meu gabinete, muitas vezes acompanhados pelo fumo e pela ironia do Rui Knopfli. Ouvia-os então cruzar memórias africanas, referências literárias, leituras pessoais de episódios comuns do passado, tudo envolvido na agudeza crítica que, quando inteligente, não faz mal a ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Homenagear o Eugénio Lisboa, como grande figura da cultura portuguesa – não esquecendo a imprescindível serenidade da Antonieta, a seu lado –, é um ato mínimo de justiça. E, para mim, é também uma oportunidade para lhe enviar um abraço de sólida amizade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-4585590836602115169?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/4585590836602115169/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/10/eugenio-lisboa-o-conselheiro-cultural.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/4585590836602115169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/4585590836602115169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/10/eugenio-lisboa-o-conselheiro-cultural.html' title='Eugénio Lisboa - o conselheiro cultural'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-5672097302045990692</id><published>2011-10-19T00:37:00.007+02:00</published><updated>2011-12-01T23:15:22.382+01:00</updated><title type='text'>"Cais das Necessidades" - Diário</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:WordDocument&gt;   &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:PunctuationKerning/&gt;   &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;   &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:Compatibility&gt;    &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;    &lt;w:SnapToGridInCell/&gt;    &lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;    &lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;    &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:LatentStyles DefLockedState="false" LatentStyleCount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;img src="http://img2.blogblog.com/img/video_object.png" style="background-color: #b2b2b2; " class="BLOGGER-object-element tr_noresize tr_placeholder" id="ieooui" data-original-id="ieooui" /&gt; &lt;style&gt;st1\:*{behavior:url(#ieooui) }&lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt; /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;}&lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;27 de Agosto&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Adeus, verão&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;O "Le Parisien" titula "On veut le soleil!". Lá fora, à parte umas nuvens, o gestor climático supremo parece fazer-lhe a vontade. Com a casa deserta e Paris em férias (“de Rodriguez”, como se diria em Espanha), nada melhor que assentar numa esplanada de &lt;i&gt;brasserie&lt;/i&gt;, com os jornais da manhã à mistura. E com estacionamento quase em frente, felicidade terrena que vai acabar, com o regresso dos parisienses. A meio do repasto, uma leve chuvada. Corrida geral para o interior. Amansadas as iras celestiais, passeio pelas montras até uma livraria. No final da compra, a vendedora oferece-me um elegante saco de pano, &lt;i&gt;cadeau&lt;/i&gt; do dia. Chegado à rua, cai uma bátega imensa. Afinal, é melhor recolher a penates, para acabar um Céline, agora que os tempos recomendam a revisita a alguns "malditos". No carro (afinal estava longe, caramba!), molhado como um pinto, olho para o saco-prenda. Escrito por fora: "L'été est là". Pois, pois - como os brasileiros acham que os portugueses dizem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;5 de Setembro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;A mão visível&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Tem imensa graça ouvir o canto dos reconvertidos próceres do novo federalismo. Depois de nos terem bombardeado, por décadas, com o paraíso da “mão invisível”, de terem entoado loas embevecidas às maravilhas do mercado, ei-los que chegam, novos e já velhos, a uma cada vez mais alargada comunhão na ideia de que se torna imperativo um salto político federal europeu para a sustentação do euro. Que grande ironia! Quem havia de dizer que seria a Europa financeira a "puxar" pela Europa política! Sejam muito bem-vindos ao Estado! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;10 de Setembro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Vieille vague&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Era uma senhora bonita, de sorriso radioso, com sessenta e tal anos. Fui-lhe apresentado hoje, no fim de um concerto, na baixa Normandia. Disse-lhe: "Lembro-me de si a passear de motocicleta, em Clermont-Ferrand". "Mas eu nunca vivi em Clermont-Ferrand!", respondeu-me, amável. "Pois não! Mas andou por lá, de motocicleta. Ou não?" Reação, alguns segundos depois: "Ah! no filme?!" e fez um largo sorriso: "Que simpático! Ainda se lembra?"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Era Marie-Christine Barrault. Em 1969, no seu primeiro filme, aos 25 anos, protagonizou momentos inesquecíveis do cinema da "Nouvelle Vague" francesa, no "Ma nuit chez Maud", com Jean-Louis Trintignant. Foi um prazer cruzar a memória com a vida, ainda que cinematograficamente virtual. E lá bebi, com Marie-Christine Barrault, uma cidra normanda, saudando, sem saudade, esses tempos em que ambos não éramos sexagenários.&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;23 de Setembro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;O novo bailinho&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Não deve haver português com internet que, nestas últimas semanas, não tenha recebido uma anedota, um poster ou outra graça alusiva à Madeira e à respetiva gestão financeira. Às vezes pergunto-me como é que os estrangeiros olham para esta nossa propensão para aliviar as dores pelo humor. Uma coisa me parece bem clara: não convirá que a "troika" se convença de que, lá porque afivelamos um sorriso amarelo, andamos felizes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;25 de Setembro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Certezas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;A conversa, à minha frente, entre dois amigos, ia animada, numa esplanada parisiense. Nesse final de tarde, tinha-lhes dado para a política portuguesa. Eu estava a ser um espetador algo distante do diálogo. Para imenso espanto deles (e, vá lá!, até de mim próprio), havia decidido não me imiscuir na conversa, enquanto falassem desse tema. Expliquei, simplesmente, que, como era fim de semana, tentava não me incomodar.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Um dos amigos, que anda mais cético, dizia já não acreditar em nada. O outro, afirmativo, tinha certas coisas por adquiridas, de "fonte limpa". A certo passo, já nem sei bem a propósito de quê, disse: “Tenho a certeza absoluta!” Resposta pronta e indignada do outro: “Certezas absolutas?! Tu estás é doido! Hoje só há incertezas absolutas!” De facto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;29 de Setembro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Rosário&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Estou certo que a Rosário teria gostado do momento que os seus familiares e amigos criaram, no Père Lachaise, na muito triste e emocionada despedida que hoje lhe fomos prestar. Com o Álvaro Vasconcelos, seu marido, a Rosário de Moraes Vaz foi a espinha dorsal do Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;A Rosário era uma personalidade forte, frontal, com muitas ideias e com vastas razões para as afirmar. Muito culta, atenta às questões do mundo, iluminava as discussões e revelava a sua inteligência brilhante, num "tandem" sempre criativo com a serenidade profunda do Álvaro. Recordo, agora com saudade, a nossa última conversa, na sua casa, em Paris, ela com o seu inseparável cigarro e o seu entusiasmo transbordante. E, depois, o último dia em que brevemente falámos, no ano passado: ambos de muletas, fruto de acidentes, saídos de uma conferência sobre a Europa, na Gulbenkian de Paris. Ironizámos que estávamos ambos como o próprio projeto europeu...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;3 de Outubro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;O outro défice&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Passo, às vezes, pelos blogues da política portuguesa, um espaço que se assemelha a uma guerra de trincheiras, onde os índios e os cow-boys se revezaram, há pouco. Com louváveis exceções, trata-se de um terreno virtual de guerrilha, às vezes muito pouco urbana, feita de uma imensidão de ressentimentos ou de vontade de "explorar o sucesso", de muito mau-perder e de muito mau ganhar. Velam-se espetros e incensam-se aparições, num mundo maniqueu, com os erros de uns a transformarem-se, patética e patetamente, no gozo dos outros. Esses uns agora esquecendo, como já antes essoutros esqueciam, que, no final da linha, há por aí um país e que, quando as coisas correm mal, correm mal para todos! Também isto faz parte do nosso défice.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;6 de Outubro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Nobel&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Confesso que nunca tinha ouvido falar do novo prémio Nobel da Literatura, hoje anunciado, o poeta sueco Tomas Tranströmer. O que, aliás, já me sucedeu, no passado, com alguns outros nomes galardoados com idêntico prémio. Fiquei a pensar se isso não seria uma imperdoável lacuna cultural da minha parte. E, pelo sim pelo não, durante um almoço de trabalho, perguntei ao meu colega sueco se os nomes de António Ramos Rosa ou de Herberto Hélder lhe diziam alguma coisa. Disse-me que não e sosseguei. Ótimo! Também ele não conhecia dois génios da poesia portuguesa. O meu descanso durou pouco, ao ouvi-lo dizer, logo de seguida, que, como poetas de Portugal, apenas conhecia Pessoa e Camões. Ora eu não recordava nenhum poeta sueco (lembrei-me, depois, mas só lá cheguei com ajuda do Google, do nome, mas não da poesia, de Pär Lagerkvist)! Aquietei finalmente o espírito com a reconfortante ideia de que, se isso acontece, é seguramente porque a nossa poesia é bem melhor do que a sueca. Deve ser isso! Pena é que a literatura não conte para o nosso PIB.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;8 de Outubro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Sermão dominical&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;As pessoas acreditam naquilo que querem acreditar. Em particular, acreditam no que lhes prolonga as ideias feitas, no que entendem como sendo "lógico" e no que lhes aparece como podendo desenhar-se como "óbvio". E se o que lhes é servido como verdade tem o condão cumulativo de adubar sentimentos pré-existentes, então o processo de convicção pode dar-se como adquirido. Essa é a glória do criador da crença, para quem o supremo objetivo é construí-la, dá-la como evidência e vê-la partilhada, difundida e aceite como "a verdade". Ingenuamente, pode argumentar-se que, para além da crença, haverá que ter em conta esse pormenor, quiçá marginal, que são os factos. E que, às vezes, os factos apontam, de forma cristalina, no sentido de infirmar, em absoluto, a crença entretanto estabelecida. Neste caso, "tant pis" para os factos. Se eles não acompanham o rumo da crença, esta dispensa-os, por irrelevantes e incómodos. É dos livros. Pirandello dizia que "a cada um a sua verdade". É verdade, cada um fica na sua. Apesar da verdade, na verdade, ser só uma. E, às vezes, a crença nada ter a ver com ela. Mas que importa? As pessoas acreditam naquilo que querem acreditar. &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;11 de Outubro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Mail diplomático&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Com uma excitante irregularidade, todos (mas todos!) os funcionários do Ministério dos Negócios Estrangeiros recebem, de tempos a tempos, num "block-mail" (que não discrimina quem está em Sidney de quem trabalha em Lisboa), mensagens, muitas vezes pessoais, sobre as mais variadas questões práticas. Já houve anúncios de falta de água ou de luz numa certa tarde, de óculos encontrados junto à casa de banho das Necessidades (decisivas informações, como se imagina, para quem está em serviço em Toronto ou Windhoek), até à abertura de cursos de francês em Lisboa (bem úteis, especialmente para quem está colocado em Paris e Bruxelas, apenas com a dificuldade dos horários dos aviões, para ir e vir no mesmo dia). Um dia, um guarda da Securitas deixou o serviço do MNE. Logo, carinhoso, escreveu-nos a todos, espalhados pelo mundo, para benefício dos administrativos da cidade do México ou de Tripoli, bem como dos embaixadores em Zagrebe, Montevideu ou Seoul - lembrando, com frases sentidas, as boas horas em que tinha tido à sua cuidadosa guarda a sede da nossa diplomacia. Calou fundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Alguns anúncios são verdadeiros ícones. E a sua falta ou atraso induz angústias, porque faz presumir que alguma coisa de grave se está a passar. Foi por isso, que, ontem, respirei de alívio ao receber uma circular relativa à disponibilização dos bilhetes para o circo de Natal.&amp;nbsp;Uhf! Pensei que nunca mais chegava!&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;(Publicado no nº 1071 (19.10.11 a 1.11.11) do "Jornal de Letras, Artes e Ideias") &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-5672097302045990692?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/5672097302045990692/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/10/cais-das-necessidades.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/5672097302045990692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/5672097302045990692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/10/cais-das-necessidades.html' title='&quot;Cais das Necessidades&quot; - Diário'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-5944614332861762125</id><published>2011-10-17T16:36:00.005+02:00</published><updated>2011-11-04T19:35:38.742+01:00</updated><title type='text'>Homenagem à Fundação Calouste Gulbenkian</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Permitam-me que comece por saudar o senhor ministro Nuno Crato, que temos o gosto de receber nesta sua casa pela primeira vez. Não vale a pena falar das dificuldades do lugar que exerce: outras pessoas aqi presentes, nomeadamente anteriores titulares da pasta que hoje ocupa, estariam bem mais qualificadas para o fazer. Apenas quero aproveitar esta ocasião para lhe desejar, com toda a sinceridade, as maiores felicidades para as tarefas que tem pela frente. É do sucesso da sua ação que vai depender muito do futuro do nosso país. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Hoje celebramos o primeiro dia do resto da vida da Fundação Gulbenkian em Paris. Foi por isso que fiz chegar à Fundação o meu desejo de associar a representação do Estado português em França a este dia, com a organização deste almoço. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Este poderia ser uma espécie de almoço de amigos, porque tenho o privilégio de contar com muitos bons amigos na Fundação Calouste Gulbenkian, na sua administração como em vários dos seus colaboradores, desde logo, a começar pelo seu presidente, Dr. Emílio Rui Vilar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Mas esta é uma ocasião um pouco mais formal, em que, como Embaixador de Portugal em França, tenho a oportunidade de relevar o excelente trabalho que a Fundação leva a cabo, desde há muitos anos, neste país. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;A Gulbenkian é uma outra embaixada nossa em Paris, é uma bandeira da cultura portuguesa em França e é um nome que consigo acarreta um grande prestígio para Portugal. Digo-o como embaixador, mas digo-o também como cidadão, pelo grande orgulho que sempre sinto ao notar o modo como a Fundação Gulbenkian se e nos prestigia, um pouco por todo o mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Tenho pena de não ter aqui espaço, nesta ocasião, para poder homenagear, várias pessoas que, como diretores do Centro Cultural Gulbenkian em Paris, honraram a Fundação e nos honraram a todos. Algumas já desapareceram, outras estão, felizmente, entre nós. E não podendo fazê-lo a todos, permitam-me que o faça, em sua representação, na pessoa do seu atual diretor, o Dr. João Pedro Garcia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Para além de um estimado amigo pessoal, o Dr. João Pedro Garcia foi para mim, ao longo destes quase três anos que levo de Paris, uma figura que soube estabelecer com a embaixada uma relação de extrema lealdade e colaboração. A vida dá muitas voltas, mas as voltas da vida não nos devem afastar do dever de ser gratos a quem se manteve solidário e colaborante conosco. Por isso, ao Dr. João Pedro Garcia, quero expressar o meu muito obrigado por tudo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;O senhor presidente vai-me permitir que tenha, nesta ocasião, uma palavra especial sobre a residência André de Gouveia. Falo dela hoje, porque o seu nascimento, explícita ou implicitamente, está ligado ao Centro Cultural, que hoje muda de endereço. A residência André de Gouveia, que hoje, na Cité Universitaire de Paris alguns já tratam apenas por RAG, mas que eu teimo em designar por Casa de Portugal, tem uma história e uma memória que nos deve orgulhar a todos. O seu destino evoluiu, entretanto, no plano administrativo, mas gostava de deixar claro – e o senhor presidente da Fundação sabe isto bem - que, pelo menos durante o tempo em que eu ainda vier a permanecer em Paris, manterei a firme determinação de tentar que ela conserve bem viva a sua matriz portuguesa. A colaboração que, por intermédio do Instituto Camões, tenho procurado assegurar à atividade cultural da Casa de Portugal, pode ser testemunhada pelos dois diretores com os quais, sucessivamente, tenho cooperado, o dr. Manuel Rei Vilar e a Dra. Ana Paixão. E ela vai continuar, sem falhas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Para além da administração da Fundação Gulbenkian e de alguns dos seus colaboradores, tenho hoje o grato prazer de ter aqui comigo alguns colegas do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que saúdo, nesta ocasião&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Começaria pelo chefe da carreira, o secretário-geral do MNE, o embaixador Vasco Valente, que, bem melhor do que eu, aqui representa a nossa “casa”. Se há colaboração entre instituições que julgo que tem funcionado de forma exemplar no nosso país – e os exemplos não são assim tantos como isso… - creio que essa é a ligação entre a Fundação Calouste Gulbenkian e a diplomacia portuguesa, pelo que é para mim um grande prazer que a presença do embaixador Vasco Valente a possa aqui simbolizar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;É também uma feliz coincidência que esteja hoje colocado em Paris o embaixador Luís Castro Mendes, como representante português junto da UNESCO, uma figura consagrada da nossa literatura, que acumula com a circunstância de ser um dos mais qualificados diplomatas da sua geração – que, por acaso, é também a minha. Num dia em que homenageamos a Fundação Gulbenkian, é-me grato ter a meu lado o embaixador Castro Mendes, alguém que muito dignifica a dimensão cultural da nossa diplomacia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Deixei para o fim uma menção à presença do embaixador Leonardo Matias. Fiz isso de propósito, porque quero que as minhas últimas palavras sejam sobre os primeiros tempos. Para além de ser uma reconhecida grande personalidade da nossa história diplomática recente, a presença do embaixador Leonardo Matias dá-me o ensejo de evocar aqui um tempo importante desta bela aventura que é a Fundação Gulbenkian. É que foi graças ao seu pai, uma figura ilustre da diplomacia portuguesa, ao seu génio negocial e ao estatuto que soube ganhar, ao longo de anos, na sociedade política francesa, que foi possível concluir o difícil acordo que permitiu transferir, de França para Portugal, o espólio artístico com que se iniciou o museu Gulbenkian em Lisboa. É um grande gosto poder ter ocasião de homenagear, desta forma simples, mas com grande sinceridade na minha admiração, o diplomata ilustre que foi Marcello Mathias, também ele – convém lembrá-lo - um homem da cultura e da literatura.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Estou certo que todos desejamos que a nova Gulbenkian de La Tour Maubourg tenha um sucesso pelo menos tão grande como aquele que viveu durante tantos anos na avenue Iéna, de que eu, confesso, já tenho algumas saudades.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;i&gt;(Intervenção proferida no almoço de homenagem à Fundação Calouste Gulbenkian, Paris, 17.10.11) &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-5944614332861762125?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/5944614332861762125/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/10/homenagem-fundacao-gulbenkian.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/5944614332861762125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/5944614332861762125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/10/homenagem-fundacao-gulbenkian.html' title='Homenagem à Fundação Calouste Gulbenkian'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-2912986769107936608</id><published>2011-10-16T16:30:00.000+02:00</published><updated>2011-10-16T16:30:49.925+02:00</updated><title type='text'>Carta ao diretor do "Correio da Manhã"*</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;O “&lt;span class="il"&gt;Correio&lt;/span&gt; &lt;span class="il"&gt;da&lt;/span&gt; &lt;span class="il"&gt;Manhã&lt;/span&gt;” publicou, na passada semana, uma notícia relativa à admissão do Engº José Sócrates no Instituto de Estudos Políticos, na qual se afirmava que o embaixador de Portugal em França “mexeu e remexeu os cordelinhos para permitir a entrada do ex-chefe do governo na universidade”, após uma suposta “terceira recusa” à sua admissão.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;Isto não corresponde à verdade. Nunca me foi pedida, nem eu levei a cabo, qualquer diligência para facilitar o acesso do Engº José Sócrates ao Instituto de Estudos Políticos, nem nunca chegou ao meu conhecimento que tenha havido qualquer dificuldade na respetiva admissão naquela escola.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;No que me toca, e sobre este assunto, os factos são muito simples e não admito que sejam contestados.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;Em inícios de Julho, o antigo Primeiro-Ministro contactou o embaixador de Portugal, porque gostaria de obter uma informação sobre os cursos existentes em Paris, numa determinada área académica que estava a pensar frequentar. Como na altura veio publicado na imprensa portuguesa, foi-lhe proporcionado um contacto com dois professores universitários, que melhor o poderiam elucidar sobre o assunto. A intervenção do embaixador de Portugal neste processo começou e acabou ali.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;Só no final de Agosto, quando regressei a Paris, é que vim a saber que o Engº José Sócrates havia escolhido aquela escola e que nela fora admitido.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;* Publicado no "Correio da Manhã" em 16.10.11 &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-2912986769107936608?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/2912986769107936608/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/10/carta-ao-diretor-do-correio-da-manha.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/2912986769107936608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/2912986769107936608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/10/carta-ao-diretor-do-correio-da-manha.html' title='Carta ao diretor do &quot;Correio da Manhã&quot;*'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-2213576165692371210</id><published>2011-10-04T15:47:00.000+02:00</published><updated>2011-10-04T15:47:22.812+02:00</updated><title type='text'>Os portugueses em França</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:WordDocument&gt;   &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:PunctuationKerning/&gt;   &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;   &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:Compatibility&gt;    &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;    &lt;w:SnapToGridInCell/&gt;    &lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;    &lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;    &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:LatentStyles DefLockedState="false" LatentStyleCount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;img src="http://img2.blogblog.com/img/video_object.png" style="background-color: #b2b2b2; 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text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;b&gt;Que posição tem a França tomado, no que respeita à crise em que se encontra o nosso país ?&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;/span&gt;Como é sabido, a França tem estado, juntamente com a Alemanha, no centro das propostas de decisão que, ao nível europeu, têm vindo a ser sugeridas para tentar ultrapassar a presente crise – que, como se sabe, esta é uma crise à escala internacional, nomeadamente europeia, e não apenas uma crise portuguesa. No que respeita especificamente ao nosso caso, posso afirmar que a França tem mantido uma grande solidariedade com os esforços que Portugal tem vindo a fazer, no sentido da recuperação do equilíbrio das suas contas públicas. Ainda há dias, durante a visita a Paris do Primeiro Ministro, Dr. Pedro Passos Coelho, quer o Presidente Nicolas Sarkozy, quer o Primeiro Ministro François Fillon, sublinharam o seu apreço pelo trabalho que Portugal está a desenvolver, no plano interno, para encontrar formas de ultrapassar os problemas que afectam a sua economia e as suas finanças. Temos sempre podido contar com a compreensão da França e, estamos certos, essa atitude de simpatia vai manter-se no futuro. Ela insere-se, aliás, no quadro da grande proximidade que os dois países mantêm entre si.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;/span&gt;Nessa recuperação que Portugal procura fazer, nos dias que correm, que tipo de assistência está a ter pela parte das instituições internacionais?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;Há alguns meses, Portugal fez um acordo com a FMI, com o Banco Central Europeu e com a Comissão Europeia. Esse acordo destinava-se a aliviar as necessidades de financiamento do país, num momento excepcional de crise. Através desse acordo, o nosso país teve acesso empréstimos com taxas de juro mais favoráveis do que aquelas que o mercado internacional de capitais nos proporcionava. Não se tratou de nenhuma dádiva, tratou-se simplesmente de um empréstimo, com datas de reembolso bem previstas. Em contrapartida, o nosso país comprometeu-se a levar a cabo um conjunto de reformas, quer na nossa economia, quer em áreas que têm directa incidência no funcionamento do nosso sistema económico-financeiro. Isso inclui mudanças no sistema judicial, nas leis de trabalho, na forma de gestão das empresas públicas e em muitas outras áreas da actividade do Estado que podem ter contribuído para as dificuldades com que nos defrontamos. O objectivo é tornar mais saudável o funcionamento da nossa economia, procurando que Portugal se converta num país mais competitivo e atractivo para o investimento estrangeiro, por forma a que a nossa economia possa ganhar competitividade e crescer. A aplicação dessas medidas será, para o nosso país, um período complexo, com custos sociais fortes, mas que tem como objectivo, a prazo, criar um Portugal mais rico e mais próspero.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;/span&gt;Como é que a Embaixada acompanha esta problemática?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;/span&gt;A Embaixada tem como obrigação manter uma estreita articulação com o Governo francês, com vista a dar conta da evolução do trabalho que desenvolvemos, para além de lhe competir, no diálogo com a sociedade e a imprensa francesa, esclarecer o sentido e os objectivos das medidas que são tomadas em Portugal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;/span&gt;Vamos falar um pouco de emigração. Como é que o Sr. Embaixador vê a evolução da comunidade, em especial nos novos dos emigrantes portugueses que procuram a França, à procura de um futuro melhor?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;Infelizmente, estamos a assistir àquilo que parece ser uma nova vaga de emigração portuguesa, que é um produto das dificuldades que Portugal atravessa internamente no seu sector económico, com o aumento do desemprego e o encerramento de empresas. Como se sabe, Portugal é um país de onde, desde há muito, partiram, ciclicamente, vagas de emigração, sempre que a fragilidade da sua economia se fez sentir de forma mais acentuada. Nunca é uma boa notícia os portugueses terem de emigrar. Pelo contrário, quando isso acontece, é sinal que a sociedade portuguesa não é capaz de dar oportunidade aos seus filhos e que os obriga a sair do pais para encontrarem soluções para o seu futuro. Esta é a sina de um país que é pobre de recursos e que, até hoje, não pôde ou não soube encontrar o caminho para uma prosperidade sustentada. Ainda não temos dados muito concretos e quantificados sobre estes novos fluxos migratórios, mas há a ideia que a Europa é, manifestamente, um dos destinos desta nova emigração mais procurados. Verificamos também que, em certo tipo de profissões, há fluxos migratórios recentes para Angola, Brasil e Estados Unidos. Mas a Europa, até pela facilidade de movimentação dos cidadãos, continua a ser o destino mais fácil. E a França, como é óbvio, é um desses países. Esta nova imigração tem algumas características diferentes daquela a que se assistia, nos anos 60 e 70 do século passado. Em muitos casos, estamos perante pessoas já com melhor qualificação académica e profissional, que muitas vezes se deslocam, desde o início, acompanhados das famílias e que, muito mais do que no passado, mudam com frequência de local de trabalho, em busca rápida de uma melhoria de vida. Os nossos consulados em França têm instruções para estarem atentos a esta nova vaga migratória, para procurarmos ser úteis a esses cidadãos e dar-lhes, por parte do Estado, todo o auxílio que for possível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;/span&gt;Nesse sentido, o que é que está a ser feito para ajudar esses novos imigrantes a enfrentar os seus problemas, a trabalho, alojamento e ensino para os seus filhos?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span&gt;C&lt;/span&gt;omo se compreenderá, não nos compete tomar iniciativas de enquadramento sócio-profissional desses novos imigrantes, que vêm a título individual e cuja movimentação pessoal desconhecemos por completo. Porém, a partir do momento em que essas pessoas se fixam, logo que se inscrevem nos consulados, passam a poder dispor de uma maior protecção nacional, para além daquela que lhes advém pelo facto de serem cidadãos da União Europeia. Estimulamos, por isso, que essas pessoas façam a sua inscrição consular. Quanto ao ensino das crianças portuguesas, e para além daquilo que o Estado francês já proporciona, Portugal contribui, desde há muitos anos, com um largo contingente de professores, destacados em França, para o ensino da língua portuguesa. Neste momento são cerca de 130 profissionais pagos pelo Governo português, um pouco por toda a França. Pode-se argumentar que talvez essa malha de ensino esteja aquém do que seria necessário, mas, atendendo às nossas limitações orçamentais, creio que esse é já um esforço muito significativo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;/span&gt;Ainda no que respeita ao ensino, como está a decorrer a passagem do ensino do português no estrangeiro para a responsabilidade do Ministério dos Negócios Estrangeiros? Houve alterações significativas nesta área?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;Não me parece. Houve apenas uma mudança de tutela. Aquilo que antes era feito pelo Ministério da Educação passou a ser feito pelo Instituto Camões, que pertence ao Ministério dos Negócios Estrangeiros. Mas nada se alterou no perfil de funcionamento do ensino do português no estrangeiro. Esperamos que, a prazo, essa mudança possa ter efeito benéficos, quer para o ensino, quer para o trabalho dos profissionais nele envolvidos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;/span&gt;Como está actualmente o Instituto Camões? Temos visto poucas iniciativas da sua parte. Ao que se deve esta situação?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;/span&gt;Não me parece que haja poucas iniciativas, o que pode é haver alguma menor visibilidade naquilo que o Instituto faz em França. O Instituto Camões apoia muitas acções culturais, ligadas a Portugal e à cultura portuguesa, que têm lugar por toda a França, organizadas por entidades francesas ou com ligações a Portugal: ciclos de cinema ou teatro, exposições, seminários e palestras, edição de livros, espectáculos musicais, etc. O Instituto mantém igualmente uma forte ligação às universidades onde se trabalha em temas de cultura portuguesa, promovendo e apoiando muitas das suas iniciativas, financiando cátedras, mantendo leitorados, etc. Além disso, aqui em Paris, o Centro Cultural que o Instituto Camões tem na rue Raffet, perto da Porte d’Auteuil, ministra cursos de português para adultos que têm uma grande procura. E, por exemplo, ainda recentemente levámos a cabo, na Embaixada em Paris, mais um concerto musical, de uma série que temos vindo a manter, com alguma regularidade, para a apresentação de artistas portugueses. Gostaríamos de poder fazer mais coisas, claro, mas os meios financeiros disponíveis são limitados. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;/span&gt;Na área cultural existe também a acção das nossas associações. Como é que vê a vida associativa em França e que papel pensa que ela pode ter para a imagem da nossa cultura?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;/span&gt;As associações portuguesas existentes em França têm um papel insubstituível e Portugal tem, para com elas, uma imensa dívida de gratidão. Graças a elas, e ao longo de muitos anos, foi possível proporcionar aos cidadãos portugueses espaços de convívio e ligação, fazendo subsistir na memória colectiva as expressões culturais do nosso país. Se os portugueses são, em geral, muito propensos a manter uma ligação afectiva ao seu país, a verdade é que foram e são as associações quem estruturou essa sua vocação e lhes deu expressão colectiva. Muitas associações, com escassez de meios mas com uma inquebrantável boa vontade, conseguem ter programas culturais muito ricos, que vão desde o ensino do português às manifestações musicais, do cultivo do folclore à promoção de actividades artísticas. Só podemos esperar que o movimento associativo português em França saiba ligar-se melhor entre si, sem rivalidades ou divisões, por forma a melhor afirmar a sua força. A Embaixada e os consulados portugueses terão sempre a melhor boa-vontade e disponibilidade para colaborarem com o movimento associativo dos portugueses em França. E, voltando àquilo de que falámos há pouco, contamos muito com as associações para ajudarem à integração dos novos migrantes que se deslocam para França.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;/span&gt;Há dias, teve lugar na Embaixada uma cerimónia da Confraria dos Vinhos Transmontanos. Porque razão decidiu apoiar essa iniciativa?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;/span&gt;Porque houve um pedido por parte da Confraria dos Vinhos Transmontanos para poderem organizar aqui uma promoção dos seus produtos regionais. Noto que, além do vinho, foram mostrados outros produtos alimentares portugueses, tendo podido contar com a presença de importadores de produtos portugueses, de proprietários de restaurantes e de outras figuras que podem ajudar a potenciar o comércio em França desses mesmo produtos. Mas esta não foi a primeira iniciativa do género. Já por cá tivemos acções promocionais do Alentejo, de Lisboa, do Douro, dos Açores. Outras haverá, no futuro, como uma sobre o Minho e, muito proximamente, uma outra ligada ao Porto. A Embaixada está aberta a ser utilizada para a promoção de todas as regiões portuguesas. Estimulo que nos procurem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;/span&gt;O Senhor Embaixador deseja deixar alguma mensagem para a nossa comunidade e, em particular, para os leitores da Portugal Magazine?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;/span&gt;Apenas uma mensagem simples. Dizer-lhes que Portugal atravessa um tempo de grande exigência, por virtude da sua situação económica, num mundo que está, ele próprio, a atravessar um momento complexo. Estamos a viver um período que exige de nós um grande rigor, um grande controlo no modo como são gastos os dinheiros públicos. É uma crise face à qual se exige de todos os portugueses serenidade, coragem e um grande sentido patriótico. Esperamos poder sair dela, daqui a uns tempos, com um país mais moderno, mais atractivo para o investimento, onde os portugueses se possam sentir felizes e realizados. Até lá, todos temos de ajudar, de incentivar a exportação dos nossos produtos, de incrementar a ida de turistas, de captar novos investimentos. Portugal merece o esforço de todos, porque continua a ser uma terra de oportunidades, onde vale a pena investir, criar riqueza, adquirir propriedades. Os portugueses que vivem no exterior, que sempre deram mostras de grande patriotismo, devem também ajudar a este esforço, como sempre fizeram no passado. Somos um país com quase 900 anos, uma das mais antigas nações do mundo, já passámos por crises bem piores do que esta. Essencialmente, o que gostava de deixar aos leitores do Portugal Magazine é a ideia de que continua a valer a pena acreditar em Portugal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-2213576165692371210?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/2213576165692371210/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/10/os-portugueses-em-franca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/2213576165692371210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/2213576165692371210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/10/os-portugueses-em-franca.html' title='Os portugueses em França'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-3311258774978955376</id><published>2011-09-30T23:17:00.004+02:00</published><updated>2011-12-01T23:19:03.238+01:00</updated><title type='text'>Portugal: a sua economia e a sua imagem</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:WordDocument&gt;   &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:PunctuationKerning/&gt;   &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;   &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:Compatibility&gt;    &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;    &lt;w:SnapToGridInCell/&gt;    &lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;    &lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;    &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:LatentStyles DefLockedState="false" LatentStyleCount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;img src="http://img2.blogblog.com/img/video_object.png" style="background-color: #b2b2b2; " class="BLOGGER-object-element tr_noresize tr_placeholder" id="ieooui" data-original-id="ieooui" /&gt; &lt;style&gt;st1\:*{behavior:url(#ieooui) }&lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt; /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;}&lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Há dias, quando disse a um amigo francês que vinha a Lisboa para falar sobre a economia e a imagem de Portugal, ele olhou-me com um ar espantado. E quando lhe revelei que havia sido eu próprio quem escolhera o tema, fiquei com a sensação de me achava um incompreensível masoquista.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Julgo que muitas pessoas nesta sala devem partilhar esta perplexidade: por que diabo, um embaixador de Portugal, no exercício de funções, numa das principais capitais do mundo, se arrisca a abordar um tema desta sensibilidade e delicadeza?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;A resposta é muito simples: um embaixador de Portugal é-o em todas as ocasiões. As boas e as más.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Não somos diplomatas só para recolher os louros de termos entrado da melhor forma para a União Europeia, de termos feito três presidências com sucesso, de termos sido capazes de ingressar no euro. Não representamos apenas o país que teve teimosa razão diplomática na questão de Timor-Leste, que fez com grande êxito a Expo98, que, por três vezes, montou campanhas de sucesso que o conduziram ao Conselho de Segurança da ONU. Não somos só o país do salto em frente nas energias renováveis, do prémio Nobel de Saramago ou de outras glórias do passado recente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Somos diplomatas de um país que, no contexto da crise em que vivemos, tem um défice e uma dívida elevadas, que teve de recorrer à ajuda internacional para resolver os seus problemas e que vai atravessar, por alguns difíceis anos, um processo sério de ajustamento. Somos diplomatas de um país cujos cidadãos vão sofrer impactos nos salários e na sua fatura fiscal, nos preços e nos empregos, com redução de apoios na saúde e nas facilidades educativas, com uma retração, que se espera conjuntural, do seu crescimento, com muitas consequências sociais que ainda estão por medir. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Em suma: eu sou embaixador do país mais pobre da Europa ocidental.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;E, dito isto, quero que fique claro que tenho o maior orgulho em poder representar o meu país – este meu país - neste tempo difícil. Como dizem os americanos: “my country, right or wrong”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Os diplomatas profissionais representam o Estado. Desde que entrei para esta profissão, servi sob a orientação de 5 presidentes da República, 15 primeiros-ministros e 21 ministros dos Negócios Estrangeiros. Quero com isto dizer que há um país que está para além da transitoriedade democrática dos titulares do Estado e que compete aos diplomatas uma parte importante na defesa dos interesses permanentes de Portugal – hoje como ontem. Repito: em todas as circunstâncias, as boas e as más.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;E isto evoca a questão da nossa imagem externa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Recuemos uns anos, antes da nossa adesão à União Europeia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;A imagem que Portugal projectava, há pouco mais de três décadas, era a de um país que havia passado por um choque histórico algo traumático, provocado pelo esboroar de uma ditadura que acabou por ditar um fim trágico e quase patético a uma aventura colonial tardia – com guerras sem sentido, privações, tensões e um saldo de sacrifícios humanos muito pesado, que o país pagou fortemente, até pelas consequências no seu tecido económico. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;A ditadura não castrou apenas cívica e culturalmente o país. Contribuiu para a criação de uma cultura empresarial retrógrada, protegida, temerosa, pouco audaciosa e, por essa razão, com muito escassos exemplos de sucessos empresariais fora de portas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Foi esse o Portugal que bateu à porta da Europa no final dos anos 70: um país pobre, uma democracia recente, um tecido económico medíocre, um ambiente social desigual e com elevado potencial de convulsão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Mas Portugal acabou por ser uma surpresa para o mundo: desde logo, pelo modo muito próprio como havia feito a sua Revolução e, em especial, como dela saiu para a democracia e desta para a integração europeia. Aos olhos externos, o nosso país conseguiu, com uma insuspeitada facilidade, instalar e aculturar um regime democrático que se provou funcional e, sem se afastar da sua herança africana, soube simultaneamente voltar-se, com uma quase naturalidade, para um projecto integrador a que só remotamente estivera ligado, embora já partilhasse a cultura de mercado que lhe estava na génese.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Neste percurso, o mundo poderá ter ficado particularmente impressionado por dois factos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Em primeiro lugar, pela nossa fantástica capacidade de reconciliação interna, depois de um período revolucionário que, como sempre acontece, teve os seus custos e deixou as suas feridas. A absorção da população que retornou de África, no período pós-descolonização, continua a ser um feito que muitos não entendem bem, em especial alguns Estados, bastante mais ricos, que não souberam resolver o seu próprio problema da forma como os portugueses foram capazes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Em segundo lugar, terá sido uma surpresa a nossa reconversão rápida ao projecto integrador europeu e, já dentro deste, o modo, competente e dedicado, como nos empenhámos nas tarefas de que fomos incumbidos – de que o excelente exercício das presidências europeias, que já referi, é talvez um exemplo paradigmático.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Sem pretender entrar no terreno da polémica, estou perfeitamente convicto que um cidadão português não poderia, quaisquer que fossem os seus méritos pessoais, ser hoje presidente da Comissão Europeia se o nosso país não tivesse demonstrado, nas quase duas décadas que antecederam esse momento, uma imagem de grande eficácia e empenhamento no processo europeu. Desde 1986, embora só algumas vezes com brilho excepcional, mas sempre com grande seriedade e apreciável sentido de responsabilidade, Portugal conseguiu fornecer pessoal, e até ideias, que contribuíram para lhe garantir uma participação de mérito no projecto integrador.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Verdade seja que este inesperado europeísmo não deixou de ser visto como tendo muito a ver com as vantagens, na paisagem e nos bolsos, que os portugueses pressentiram, e bem, que o projecto europeu lhes podia proporcionar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;A Europa entendeu isso muito bem e percebeu também que Portugal soube aproveitar, embora de modo apenas razoável, os benefícios que a pertença ao novo “clube” lhe trouxe. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Aos olhos dessa Europa mais desenvolvida, o usufruto dessa oportunidade não terá sido o melhor, talvez porque não estavam superados no país alguns défices de cultura comportamental que eram, de há muito, a imagem de marca da nossa sociedade - compadrios, facilidades, falta de rigor, inconstância, improviso, escasso nível educativo, vícios de gestão, etc. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Basta entrar numa qualquer livraria, numa grande capital europeia, ir à estante do business internacional e ler o que se diz sobre como fazer negócios em Portugal. A imagem da “ficha” portuguesa é a de um país ciclotímico no seu desenvolvimento recente, isto é, com uma congénita incapacidade de sustentar o sucesso, com uma burocracia apenas atenuada pelo “jeitinho”, uma justiça muito lenta, embora não corrupta. Além disso, a classe empresarial portuguesa é vista como excessivamente convencida da sua própria importância, sendo globalmente – isto é, fora as notáveis exceções - mal avaliada em termos internacionais. A cordialidade e o pendor para a submissão dos portugueses torna-os, nos textos desses livros, fáceis no relacionamento, mas igualmente menos eficazes na constância temporal da sua atitude – e aí estão a falta de pontualidade, de precisão, as reuniões palavrosas, os almoços longos, os atrasos sistemáticos em face dos compromissos assumidos, enfim, a ausência da reliability essencial no exigente mundo competitivo contemporâneo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Neste ponto, alguns estarão a perguntar-se: mas, afinal, a imagem de Portugal no mundo mede-se, exclusivamente, pelo critério do sucesso económico? Lamento ter de dizer que, a meu ver, o grande indicador para a aferição da performance de um país à escala internacional é, hoje em dia, a sua capacidade de geração de riqueza, de saber distribuí-la sem tensões e proporcionar bem-estar aos seus cidadãos, sempre em liberdade, claro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Talvez seja a absolutização dos mecanismos de mercado que criou esta percepção, mas não conheço nenhum país pobre que esteja hoje prestigiado à escala global, embora conheça alguns países ricos que, por virtude dos seus sistemas políticos autoritários ou pelas grandes desigualdades sociais internas que mantêm, também não são respeitados, a não ser pelos cultores cínicos da realpolitik. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Por isso, mais do que nunca, a imagem de um Estado perante o mundo depende da eficácia e qualidade das suas políticas públicas, da coragem na execução de reformas essenciais à sua constante melhoria e adequação aos desafios contemporâneos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;E o que é que a sociedade internacional valoriza mais? Valoriza a preservação do equilíbrio macroeconómico, a generalização com qualidade dos sistemas de ensino, saúde e justiça, as práticas de segurança interna com plena preservação de liberdades, os estímulos à afirmação da sociedade civil, o empenhamento oficial na luta contra as discriminações, a cultura ambiental e de promoção de um desenvolvimento sustentável, a protecção dos consumidores e dos utentes públicos – enfim, todo o vastíssimo conjunto de símbolos de uma cultura de modernidade. São esses alguns dos factores que qualificam, contemporaneamente, a imagem dos países.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Neste ponto, alguns poderão estar a pensar: mas, afinal, Portugal tem uma cultura antiga, tem uma História, teve momentos gloriosos na sua muito longa existência como país. Ora isso deve fazer parte, com certeza, do seu reconhecimento exterior. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Receio ter de dizer isto, mas um erro muito comum no imaginário português é o de pensar que o mundo continua a lembrar Portugal pela glória das Descobertas, pelo período áureo de “quinhentos”. O facto de termos hiperbolizado, dentro de Portugal, e em especial durante o Estado Novo, essas imagens de grandeza não significa necessariamente que o mundo ainda seja obrigado a medir-nos à luz delas. Sei que não faz bem à nossa auto-estima lembrar isto, mas temos de assumir que essas glórias, embora constitutivas da nossa identidade como nação, são já longínquas no tempo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Outros já terão notado que, depois de Sagres, passámos por um declínio muito grande como país, com o lento desfazer da aventura imperial, com quebras drásticas no nosso poder económico e com a consequente perda de importância da nossa afirmação política à escala global. Até o facto de não termos sabido descolonizar a tempo nos agravou uma imagem de perdedores na História, só atenuada pelo contraponto positivo das liberdades que o 25 de Abril, de seguida, nos trouxe. Goste-se ou não, a História que verdadeiramente conta, para a fixação da imagem dos países, é a História contemporânea ou, pelo menos, a versão contemporânea da História. E, nesse retrato, a nossa imagem não é globalmente positiva.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;E há, finalmente, um outro ponto também importante: um país que não consiga garantir condições de vida aos seus cidadãos, que acabe por estimular a sua saída em termos maciços, não é prestigiado e respeitado no quadro internacional. Por mais orgulho que tenhamos na aventura de sacrifício que sempre foi a nossa emigração, é para mim hoje evidente que um país que condena a sua população a emigrar, por razões económicas, é um país que não se prestigia e que não sobe na consideração dos outros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Mas passemos à situação de hoje, à crónica dos dias da “troika”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Convém começar por deixar claro que esta não é a primeira vez que Portugal recorre à ajuda externa, para reequilibrar as suas contas internas. Na minha vida como diplomata esta é a terceira presença do FMI em  Portugal. Desta vez, porém, por razões que têm muito a ver com as limitações que a nossa pertença à moeda única impõe, é aquela que aparece revestida de um maior dramatismo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Não vou entrar aqui na discussão, que entreteve os portugueses durante a última campanha eleitoral, sobre se a crise é mais portuguesa do que externa, sobre se as responsabilidades nacionais são maiores ou menores do que aquelas que resultam dos efeitos exógenos. Esse é um debate passado, perante a qual o país já tomou posição e que a História, a seu tempo, julgará em definitivo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;A situação é a que temos e esse é o ponto de partida para o que aqui nos traz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Não lhes vou esconder que a imagem de Portugal, eu diria mesmo, a imagem que Portugal conseguiu projetar de si próprio nos últimos trinta anos, sofreu bastante com a constatação crua, pelo mundo, da difícil situação económico-financeira em que hoje nos encontramos. Digo isto com toda a responsabilidade de quem, como eu e como os meus colegas, teve e tem como obrigação e como objetivo profissional procurar melhorar a imagem do nosso país, e dele salientar os seus aspetos mais positivos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;O retrato de fragilidade que de Portugal está hoje criado veio confirmar, a alguns países do chamado “Norte”, aquilo que fazia parte das suas ideias feitas face ao países do “Sul”: que o nosso salto de modernidade não tinha solidez de fundações, que não fomos capazes de garantir a maturação das ajudas e das oportunidades de que havíamos beneficiado, enfim, que éramos um “trompe l’oeil” de uma realidade diferente. Isto é válido para Portugal, como o é para a Espanha, para a Itália ou para a Grécia. Porém, com o mal dos outros podemos nós bem. A mim, preocupa-me Portugal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Muitos países desse “Norte” viram agora fundamentadas as dúvidas que tinham quando Portugal quis entrar no euro e que, à época, conseguimos secundarizar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;A diplomacia portuguesa está hoje confrontada com um dos momentos mais exigentes na história recente do país. À nossa escala, temos de encontrar fórmulas para conseguir sublinhar, nesta que é uma conjuntura tendencialmente negativa, todos os elementos de natureza positiva que nos seja possível conjugar, para potenciar o país no plano internacional. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Nesse esforço, tenho para mim que a verdade e a transparência devem sempre constituir os eixos fundamentais da nossa ação externa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Gostava, a este propósito, de lhes contar uma história que se passou comigo, há mais de duas décadas, num período em estava, transitoriamente, a chefiar a nossa Embaixada em Londres.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Um dia, recebi um pedido de Lisboa, perguntando-me o que, no meu entender, poderia ser feito para tentar contrariar uma campanha que se preparava contra Portugal, mobilizada pelos nossos concorrentes comerciais no Reino Unido. Esses grupos, apoiados num filme a ser divulgado pela televisão britânica, iam explorar o facto de haver trabalho infantil em algumas fábricas e unidades familiares no nosso país. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;A minha resposta quase me valeu um processo disciplinar. Eu expliquei com candura a Lisboa que a melhor maneira de evitar que a realidade do trabalho infantil em Portugal fosse explorado pelos nossos adversários talvez fosse… acabar com o trabalho infantil. E que, para isso, talvez valesse a pena sermos honestos quanto à existência do problema e sermos credíveis mostrando vontade política de remar contra esse flagelo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Eu sabia que, até por algumas razões menos nobres, isso era mais fácil de dizer do que de fazer. Mas não negar a realidade e mostrar a existência de uma determinação para a enfrentar era, a meu ver, a melhor solução. Não sei se, à época, alguns industriais têxteis, de calçado ou da construção civil teriam apreciado essa proposta estratégia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Por isso, e para mim, continua a haver hoje uma ligação dessa situação com aquela que hoje nos afeta: o imperativo de termos coragem para expor, de forma transparente, a nossa realidade e de provarmos que existe uma forte determinação política para tentar inverter essa mesma realidade. Como se costuma dizer, isso já seria meio caminho andado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Aqui chegados, há que reconhecer que existem, claramente, alguns pontos positivos que Portugal já soube marcar nesta conjuntura – numa conjuntura em que, convém que fique claro, nem tudo depende ou vai depender exclusivamente de nós.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;O primeiro é o facto de Portugal ter feito uma exposição muito franca das suas debilidades ao escrutínio externo, no que demonstrámos uma rara transparência política, que é por todos elogiada. O episódio da Madeira, se bem que não nos tivesse ajudado, acabou por ter a dimensão e o caráter pontual que marcou a diferença entre a exceção e a regra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;O segundo ponto foi a constatação, desde o primeiro momento, de que, no seu histórico de relação com a União Europeia, Portugal tinha sempre jogado um jogo leal, sem contabilidades criativas escondidas, para além daquelas que todos praticam. Esse ponto, por óbvias razões de contraste, favoreceu-nos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Um terceiro ponto, muito importante, foi o facto do nosso país ter sido capaz de mostrar, no exterior, um largo espetro de apoio político interno ao acordo feito com as instituições internacionais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Um quarto ponto, que deverá continuar a ser essencial, prende-se com a avaliação positiva feita pelas missões das instituições internacionais, sobre o cumprimento tempestivo, por parte de Portugal, de todas ações a que nos obrigámos, seja no processo legislativo, seja no campo das medidas administrativas. Neste domínio, imagino mesmo alguma surpresa nos nossos interlocutores institucionais face à intenção de levar à prática medidas cumulativas de austeridade, complementares às que haviam sido acordadas internacionalmente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Finalmente, um quinto ponto, que é lido como traduzindo uma atitude nacional merecedora de grande respeito, nomeadamente à luz de outros exemplos externos, liga-se ao caráter até agora limitado das reações públicas às políticas de austeridade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Nos contactos que tenho com colegas estrangeiros e com entidades oficiais, estes cinco pontos são tidos como caraterizadores da especificidade positiva da nossa posição, não obstante a constatação da dificuldade da situação geral em que nos encontramos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Mas – não nos iludamos! - permanecem, no nosso cenário, lido pelos olhos exteriores, alguns fatores negativos que temos de assumir, até para melhor os conseguir ultrapassar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Desde logo, todos os vícios comportamentais que referi no início desta intervenção. Se não formos capazes de lhes pôr cobro, tudo andará de forma mais lenta. Eu sei que pode ter graça, particularmente para atlânticos, continuar a fazer o papel de mediterrânicos. Mas o “Clube Med” é para as férias e o tempo agora é de trabalho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;À luz do que aprendi nos últimos meses, o principal fator negativo na avaliação que os mercados fazem da nossa economia é a nossa quase endémica incapacidade de promover um crescimento autónomo. Essa realidade fica bem mais patente se descontarmos os efeitos artificiais sobre o nosso PIB que tiveram as transferências comunitárias. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;A crise do nosso crescimento é considerada, por todos os observadores, derivada do facto de termos hoje, por razões estruturais e não meramente conjunturais, uma competitividade média inferior à de muitos dos nossos concorrentes diretos. Essa situação é fruto de vários erros cometidos no passado, o menor dos quais não terá sido o facto de termos concentrado, até muito tarde, os nossos fluxos de exportação no “cómodo” mercado europeu, não ousando, na maioria dos casos, ter a audácia para sair para terceiros mercados. A abertura da Europa à globalização veio, assim, apanhar certos setores da nossa economia num processo ainda incompleto de reconversão industrial, o que conduziu a uma desigual capacidade de sobrevivência das nossas unidades produtivas que se centravam nesse mesmo mercado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Face a esse conjunto de notas de sinal negativo, temos hoje, porém, alguns importantes sinais positivos que importa destacar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Por exemplo, desde o ano passado, as coisas estão a mudar, bem para melhor, no campo das exportações. No diálogo que tenho tido com empresários, em várias feiras comerciais que tenho visitado, o otimismo é a regra e a dúvida a exceção.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Também na preservação do investimento estrangeiro, já que a sua captação, na atual conjutura, é bem mais difícil, temos vindo a conseguir, nos últimos anos, continuar a potenciar aquilo que são algumas das nossas vantagens comparativas – de que a pertença ao euro é uma das mais importantes, o que, às vezes, se esquece.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;E, finalmente, na promoção turística, estamos a trabalhar bem e com resultados concretos, fruto de uma estratégia inteligente e que me parece cada vez melhor coordenada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Estes são os três domínios que, na área externa, nos importa e face aos quais a nossa diplomacia se encontra atenta e mobilizada. Essas são também as áreas onde se espera que as coisas venham ainda a melhorar, se e quando os efeitos das medidas de reforma e de ajustamento, em curso de implementação, vierem a conduzir a resultados à altura da expetativa que os motivou e dos esforços que o país está a fazer para os levar a cabo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Aproveito, aliás, neste tempo de anunciadas reformas na área da promoção económica externa, para deixar aqui uma nota pública de grande apreço pelo magnífico trabalho da AICEP, que tenho vindo a testemunhar e a admirar. É preciso preservar a qualidade desse trabalho em qualquer modelo que venha a ser criado para tentar melhorar a diplomacia na área dos negócios.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Sou disso uma testemunha privilegiada. Sou&amp;nbsp;embaixador em França, um país que é hoje o principal investidor externo em  Portugal. Um país que, nestes tempos de queda generalizada dos fluxos do turismo, foi o único a aumentá-los em direção ao nosso país. Um país que, por exemplo,&amp;nbsp;já é hoje o principal destino de exportação do nosso vinho do Porto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Acho que, agora mais do que nunca, deveremos fazer “benchmarking” dos exemplos de investimento mais bem sucedidos em Portugal, relevando junto do mercado internacional as razões positivas que levam certas empresas de qualidade e prestígio a confiar em nós.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Por tudo isso, porque acredito que Portugal não “fecha para obras”, porque sou teimosamente otimista, quero terminar com uma mensagem de confiança.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Essa mensagem é a de que a imagem dos países também se reverte. Há um bom exemplo europeu, que são os países nórdicos. Eles são a melhor prova de que, em escassas décadas, partindo de patamares de desenvolvimento muito baixos, foi possível modernizar essas sociedades, assentando a mudança na educação e no conhecimento, estimulando um empreendedorismo eficaz, socialmente responsável, compatível com a preservação de padrões essenciais de solidariedade social. Para isso, foi também muito importante criar uma cultura comportamental sólida, assente em valores consensualizados pela sociedade. E hoje, bem ao contrário daquilo que acontecia há algumas décadas, esses países&amp;nbsp; estão no topo das estatísticas de qualidade de vida, de defesa dos direitos das suas populações, da preservação de valores de modernidade. Os países nórdicos são a prova de que é apostando nos fatores de competitividade que é possível atingir a prosperidade, apoiada numa cultura empresarial sólida, geradora de auto-confiança nacional, criadora uma imagem de independência e de capacidade de livre escolha do destino. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Estamos ainda longe disso? Estamos. Parece difícil? Parece e é. Mas esse é o único desafio pelo qual vale a pena Portugal lutar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Muito obrigado pela vossa atenção.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 14.0pt;"&gt;Intervenção&amp;nbsp;na conferência “Economia portuguesa: economia com futuro”, Lisboa, 30 de Setembro de 2011&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: inherit; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-3311258774978955376?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/3311258774978955376/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/09/portugal-sua-economia-e-sua-imagem_30.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/3311258774978955376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/3311258774978955376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/09/portugal-sua-economia-e-sua-imagem_30.html' title='Portugal: a sua economia e a sua imagem'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-6909028996827072322</id><published>2011-09-30T12:45:00.002+02:00</published><updated>2011-10-01T12:52:33.885+02:00</updated><title type='text'>Portugal: a sua economia e a sua imagem</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Há dias, quando disse a um amigo francês que vinha a Lisboa para falar sobre a economia e a imagem de Portugal, ele olhou-me com um ar espantado. E quando lhe revelei que havia sido eu próprio quem escolhera o tema, fiquei com a sensação de me achava um incompreensível masoquista.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Julgo que muitas pessoas nesta sala devem partilhar esta perplexidade: por que diabo, um embaixador de Portugal, no exercício de funções, numa das principais capitais do mundo, se arrisca a abordar um tema desta sensibilidade e delicadeza?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;A resposta é muito simples: um embaixador de Portugal é-o em todas as ocasiões. As boas e as más.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Não somos diplomatas só para recolher os louros de termos entrado da melhor forma para a União Europeia, de termos feito três presidências com sucesso, de termos sido capazes de ingressar no euro. Não representamos apenas o país que teve teimosa razão diplomática na questão de Timor-Leste, que fez com grande êxito a Expo98, que, por três vezes, montou campanhas de sucesso que o conduziram ao Conselho de Segurança da ONU. Não somos só o país do salto em frente nas energias renováveis, do prémio Nobel de Saramago ou de outras glórias do passado recente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Somos diplomatas de um país que, no contexto da crise em que vivemos, tem um défice e uma dívida elevadas, que teve de recorrer à ajuda internacional para resolver os seus problemas e que vai atravessar, por alguns difíceis anos, um processo sério de ajustamento. Somos diplomatas de um país cujos cidadãos vão sofrer impactos nos salários e na sua fatura fiscal, nos preços e nos empregos, com redução de apoios na saúde e nas facilidades educativas, com uma retração, que se espera conjuntural, do seu crescimento, com muitas consequências sociais que ainda estão por medir. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Em suma: eu sou embaixador do país mais pobre da Europa ocidental.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;E, dito isto, quero que fique claro que tenho o maior orgulho em poder representar o meu país – este meu país - neste tempo difícil. Como dizem os americanos: “my country, right or wrong”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Os diplomatas profissionais representam o Estado. Desde que entrei para esta profissão, servi sob a orientação de 5 presidentes da República, 15 primeiros-ministros e 21 ministros dos Negócios Estrangeiros. Quero com isto dizer que há um país que está para além da transitoriedade democrática dos titulares do Estado e que compete aos diplomatas uma parte importante na defesa dos interesses permanentes de Portugal – hoje como ontem. Repito: em todas as circunstâncias, as boas e as más.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;E isto evoca a questão da nossa imagem externa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Recuemos uns anos, antes da nossa adesão à União Europeia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;A imagem que Portugal projectava, há pouco mais de três décadas, era a de um país que havia passado por um choque histórico algo traumático, provocado pelo esboroar de uma ditadura que acabou por ditar um fim trágico e quase patético a uma aventura colonial tardia – com guerras sem sentido, privações, tensões e um saldo de sacrifícios humanos muito pesado, que o país pagou fortemente, até pelas consequências no seu tecido económico. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;A ditadura não castrou apenas cívica e culturalmente o país. Contribuiu para a criação de uma cultura empresarial retrógrada, protegida, temerosa, pouco audaciosa e, por essa razão, com muito escassos exemplos de sucessos empresariais fora de portas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Foi esse o Portugal que bateu à porta da Europa no final dos anos 70: um país pobre, uma democracia recente, um tecido económico medíocre, um ambiente social desigual e com elevado potencial de convulsão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Mas Portugal acabou por ser uma surpresa para o mundo: desde logo, pelo modo muito próprio como havia feito a sua Revolução e, em especial, como dela saiu para a democracia e desta para a integração europeia. Aos olhos externos, o nosso país conseguiu, com uma insuspeitada facilidade, instalar e aculturar um regime democrático que se provou funcional e, sem se afastar da sua herança africana, soube simultaneamente voltar-se, com uma quase naturalidade, para um projecto integrador a que só remotamente estivera ligado, embora já partilhasse a cultura de mercado que lhe estava na génese.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Neste percurso, o mundo poderá ter ficado particularmente impressionado por dois factos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Em primeiro lugar, pela nossa fantástica capacidade de reconciliação interna, depois de um período revolucionário que, como sempre acontece, teve os seus custos e deixou as suas feridas. A absorção da população que retornou de África, no período pós-descolonização, continua a ser um feito que muitos não entendem bem, em especial alguns Estados, bastante mais ricos, que não souberam resolver o seu próprio problema da forma como os portugueses foram capazes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Em segundo lugar, terá sido uma surpresa a nossa reconversão rápida ao projecto integrador europeu e, já dentro deste, o modo, competente e dedicado, como nos empenhámos nas tarefas de que fomos incumbidos – de que o excelente exercício das presidências europeias, que já referi, é talvez um exemplo paradigmático.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Sem pretender entrar no terreno da polémica, estou perfeitamente convicto que um cidadão português não poderia, quaisquer que fossem os seus méritos pessoais, ser hoje presidente da Comissão Europeia se o nosso país não tivesse demonstrado, nas quase duas décadas que antecederam esse momento, uma imagem de grande eficácia e empenhamento no processo europeu. Desde 1986, embora só algumas vezes com brilho excepcional, mas sempre com grande seriedade e apreciável sentido de responsabilidade, Portugal conseguiu fornecer pessoal, e até ideias, que contribuíram para lhe garantir uma participação de mérito no projecto integrador.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Verdade seja que este inesperado europeísmo não deixou de ser visto como tendo muito a ver com as vantagens, na paisagem e nos bolsos, que os portugueses pressentiram, e bem, que o projecto europeu lhes podia proporcionar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;A Europa entendeu isso muito bem e percebeu também que Portugal soube aproveitar, embora de modo apenas razoável, os benefícios que a pertença ao novo “clube” lhe trouxe. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Aos olhos dessa Europa mais desenvolvida, o usufruto dessa oportunidade não terá sido o melhor, talvez porque não estavam superados no país alguns défices de cultura comportamental que eram, de há muito, a imagem de marca da nossa sociedade - compadrios, facilidades, falta de rigor, inconstância, improviso, escasso nível educativo, vícios de gestão, etc. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Basta entrar numa qualquer livraria, numa grande capital europeia, ir à estante do &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;business&lt;/i&gt; internacional e ler o que se diz sobre como fazer negócios &lt;personname productid="em Portugal. A" w:st="on"&gt;em Portugal. A&lt;/personname&gt; imagem da “ficha” portuguesa é a de um país ciclotímico no seu desenvolvimento recente, isto é, com uma congénita incapacidade de sustentar o sucesso, com uma burocracia apenas atenuada pelo “jeitinho”, uma justiça muito lenta, embora não corrupta. Além disso, a classe empresarial portuguesa é vista como excessivamente convencida da sua própria importância, sendo globalmente – isto é, fora as notáveis exceções - mal avaliada em termos internacionais. A cordialidade e o pendor para a submissão dos portugueses torna-os, nos textos desses livros, fáceis no relacionamento, mas igualmente menos eficazes na constância temporal da sua atitude – e aí estão a falta de pontualidade, de precisão, as reuniões palavrosas, os almoços longos, os atrasos sistemáticos em face dos compromissos assumidos, enfim, a ausência da &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;reliability&lt;/i&gt; essencial no exigente mundo competitivo contemporâneo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Neste ponto, alguns estarão a perguntar-se: mas, afinal, a imagem de Portugal no mundo mede-se, exclusivamente, pelo critério do sucesso económico? Lamento ter de dizer que, a meu ver, o grande indicador para a aferição da &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;performance&lt;/i&gt; de um país à escala internacional é, hoje em dia, a sua capacidade de geração de riqueza, de saber distribuí-la sem tensões e proporcionar bem-estar aos seus cidadãos, sempre em liberdade, claro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Talvez seja a absolutização dos mecanismos de mercado que criou esta percepção, mas não conheço nenhum país pobre que esteja hoje prestigiado à escala global, embora conheça alguns países ricos que, por virtude dos seus sistemas políticos autoritários ou pelas grandes desigualdades sociais internas que mantêm, também não são respeitados, a não ser pelos cultores cínicos da &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;realpolitik&lt;/i&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Por isso, mais do que nunca, a imagem de um Estado perante o mundo depende da eficácia e qualidade das suas políticas públicas, da coragem na execução de reformas essenciais à sua constante melhoria e adequação aos desafios contemporâneos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;E o que é que a sociedade internacional valoriza mais? Valoriza a preservação do equilíbrio macroeconómico, a generalização com qualidade dos sistemas de ensino, saúde e justiça, as práticas de segurança interna com plena preservação de liberdades, os estímulos à afirmação da sociedade civil, o empenhamento oficial na luta contra as discriminações, a cultura ambiental e de promoção de um desenvolvimento sustentável, a protecção dos consumidores e dos utentes públicos – enfim, todo o vastíssimo conjunto de símbolos de uma cultura de modernidade. São esses alguns dos factores que qualificam, contemporaneamente, a imagem dos países.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Neste ponto, alguns poderão estar a pensar: mas, afinal, Portugal tem uma cultura antiga, tem uma História, teve momentos gloriosos na sua muito longa existência como país. Ora isso deve fazer parte, com certeza, do seu reconhecimento exterior. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Receio ter de dizer isto, mas um erro muito comum no imaginário português é o de pensar que o mundo continua a lembrar Portugal pela glória das Descobertas, pelo período áureo de “quinhentos”. O facto de termos hiperbolizado, dentro de Portugal, e em especial durante o Estado Novo, essas imagens de grandeza não significa necessariamente que o mundo ainda seja obrigado a medir-nos à luz delas. Sei que não faz bem à nossa auto-estima lembrar isto, mas temos de assumir que essas glórias, embora constitutivas da nossa identidade como nação, são já longínquas no tempo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Outros já terão notado que, depois de Sagres, passámos por um declínio muito grande como país, com o lento desfazer da aventura imperial, com quebras drásticas no nosso poder económico e com a consequente perda de importância da nossa afirmação política à escala global. Até o facto de não termos sabido descolonizar a tempo nos agravou uma imagem de perdedores na História, só atenuada pelo contraponto positivo das liberdades que o 25 de Abril, de seguida, nos trouxe. Goste-se ou não, a História que verdadeiramente conta, para a fixação da imagem dos países, é a História contemporânea ou, pelo menos, a versão contemporânea da História. E, nesse retrato, a nossa imagem não é globalmente positiva.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;E há, finalmente, um outro ponto também importante: um país que não consiga garantir condições de vida aos seus cidadãos, que acabe por estimular a sua saída em termos maciços, não é prestigiado e respeitado no quadro internacional. Por mais orgulho que tenhamos na aventura de sacrifício que sempre foi a nossa emigração, é para mim hoje evidente que um país que condena a sua população a emigrar, por razões económicas, é um país que não se prestigia e que não sobe na consideração dos outros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Mas passemos à situação de hoje, à crónica dos dias da “troika”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Convém começar por deixar claro que esta não é a primeira vez que Portugal recorre à ajuda externa, para reequilibrar as suas contas internas. Na minha vida como diplomata esta é a terceira presença do FMI &lt;personname productid="em Portugal. Desta" w:st="on"&gt;em Portugal. Desta&lt;/personname&gt; vez, porém, por razões que têm muito a ver com as limitações que a nossa pertença à moeda única impõe, é aquela que aparece revestida de um maior dramatismo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Não vou entrar aqui na discussão, que entreteve os portugueses durante a última campanha eleitoral, sobre se a crise é mais portuguesa do que externa, sobre se as responsabilidades nacionais são maiores ou menores do que aquelas que resultam dos efeitos exógenos. Esse é um debate passado, perante a qual o país já tomou posição e que a História, a seu tempo, julgará em definitivo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;A situação é a que temos e esse é o ponto de partida para o que aqui nos traz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Não lhes vou esconder que a imagem de Portugal, eu diria mesmo, a imagem que Portugal conseguiu projetar de si próprio nos últimos trinta anos, sofreu bastante com a constatação crua, pelo mundo, da difícil situação económico-financeira em que hoje nos encontramos. Digo isto com toda a responsabilidade de quem, como eu e como os meus colegas, teve e tem como obrigação e como objetivo profissional procurar melhorar a imagem do nosso país, e dele salientar os seus aspetos mais positivos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;O retrato de fragilidade que de Portugal está hoje criado veio confirmar, a alguns países do chamado “Norte”, aquilo que fazia parte das suas ideias feitas face ao países do “Sul”: que o nosso salto de modernidade não tinha solidez de fundações, que não fomos capazes de garantir a maturação das ajudas e das oportunidades de que havíamos beneficiado, enfim, que éramos um “trompe l’oeil” de uma realidade diferente. Isto é válido para Portugal, como o é para a Espanha, para a Itália ou para a Grécia. Porém, com o mal dos outros podemos nós bem. A mim, preocupa-me Portugal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Muitos países desse “Norte” viram agora fundamentadas as dúvidas que tinham quando Portugal quis entrar no euro e que, à época, conseguimos secundarizar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;A diplomacia portuguesa está hoje confrontada com um dos momentos mais exigentes na história recente do país. À nossa escala, temos de encontrar fórmulas para conseguir sublinhar, nesta que é uma conjuntura tendencialmente negativa, todos os elementos de natureza positiva que nos seja possível conjugar, para potenciar o país no plano internacional. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Nesse esforço, tenho para mim que a verdade e a transparência devem sempre constituir os eixos fundamentais da nossa ação externa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Gostava, a este propósito, de lhes contar uma história que se passou comigo, há mais de duas décadas, num período em estava, transitoriamente, a chefiar a nossa Embaixada em Londres.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Um dia, recebi um pedido de Lisboa, perguntando-me o que, no meu entender, poderia ser feito para tentar contrariar uma campanha que se preparava contra Portugal, mobilizada pelos nossos concorrentes comerciais no Reino Unido. Esses grupos, apoiados num filme a ser divulgado pela televisão britânica, iam explorar o facto de haver trabalho infantil em algumas fábricas e unidades familiares no nosso país. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;A minha resposta quase me valeu um processo disciplinar. Eu expliquei com candura a Lisboa que a melhor maneira de evitar que a realidade do trabalho infantil em Portugal fosse explorado pelos nossos adversários talvez fosse… acabar com o trabalho infantil. E que, para isso, talvez valesse a pena sermos honestos quanto à existência do problema e sermos credíveis mostrando vontade política de remar contra esse flagelo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Eu sabia que, até por algumas razões menos nobres, isso era mais fácil de dizer do que de fazer. Mas não negar a realidade e mostrar a existência de uma determinação para a enfrentar era, a meu ver, a melhor solução. Não sei se, à época, alguns industriais têxteis, de calçado ou da construção civil teriam apreciado essa proposta estratégia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Por isso, e para mim, continua a haver hoje uma ligação dessa situação com aquela que hoje nos afeta: o imperativo de termos coragem para expor, de forma transparente, a nossa realidade e de provarmos que existe uma forte determinação política para tentar inverter essa mesma realidade. Como se costuma dizer, isso já seria meio caminho andado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Aqui chegados, há que reconhecer que existem, claramente, alguns pontos positivos que Portugal já soube marcar nesta conjuntura – numa conjuntura em que, convém que fique claro, nem tudo depende ou vai depender exclusivamente de nós.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;O primeiro é o facto de Portugal ter feito uma exposição muito franca das suas debilidades ao escrutínio externo, no que demonstrámos uma rara transparência política, que é por todos elogiada. O episódio da Madeira, se bem que não nos tivesse ajudado, acabou por ter a dimensão e o caráter pontual que marcou a diferença entre a exceção e a regra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;O segundo ponto foi a constatação, desde o primeiro momento, de que, no seu histórico de relação com a União Europeia, Portugal tinha sempre jogado um jogo leal, sem contabilidades criativas escondidas, para além daquelas que todos praticam. Esse ponto, por óbvias razões de contraste, favoreceu-nos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Um terceiro ponto, muito importante, foi o facto do nosso país ter sido capaz de mostrar, no exterior, um largo espetro de apoio político interno ao acordo feito com as instituições internacionais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Um quarto ponto, que deverá continuar a ser essencial, prende-se com a avaliação positiva feita pelas missões das instituições internacionais, sobre o cumprimento tempestivo, por parte de Portugal, de todas ações a que nos obrigámos, seja no processo legislativo, seja no campo das medidas administrativas. Neste domínio, imagino mesmo alguma surpresa nos nossos interlocutores institucionais face à intenção de levar à prática medidas cumulativas de austeridade, complementares às que haviam sido acordadas internacionalmente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Finalmente, um quinto ponto, que é lido como traduzindo uma atitude nacional merecedora de grande respeito, nomeadamente à luz de outros exemplos externos, liga-se ao caráter até agora limitado das reações públicas às políticas de austeridade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Nos contactos que tenho com colegas estrangeiros e com entidades oficiais, estes cinco pontos são tidos como caraterizadores da especificidade positiva da nossa posição, não obstante a constatação da dificuldade da situação geral em que nos encontramos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Mas – não nos iludamos! - permanecem, no nosso cenário, lido pelos olhos exteriores, alguns fatores negativos que temos de assumir, até para melhor os conseguir ultrapassar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Desde logo, todos os vícios comportamentais que referi no início desta intervenção. Se não formos capazes de lhes pôr cobro, tudo andará de forma mais lenta. Eu sei que pode ter graça, particularmente para atlânticos, continuar a fazer o papel de mediterrânicos. Mas o “Clube Med” é para as férias e o tempo agora é de trabalho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;À luz do que aprendi nos últimos meses, o principal fator negativo na avaliação que os mercados fazem da nossa economia é a nossa quase endémica incapacidade de promover um crescimento autónomo. Essa realidade fica bem mais patente se descontarmos os efeitos artificiais sobre o nosso PIB que tiveram as transferências comunitárias. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;A crise do nosso crescimento é considerada, por todos os observadores, derivada do facto de termos hoje, por razões estruturais e não meramente conjunturais, uma competitividade média inferior à de muitos dos nossos concorrentes diretos. Essa situação é fruto de vários erros cometidos no passado, o menor dos quais não terá sido o facto de termos concentrado, até muito tarde, os nossos fluxos de exportação no “cómodo” mercado europeu, não ousando, na maioria dos casos, ter a audácia para sair para terceiros mercados. A abertura da Europa à globalização veio, assim, apanhar certos setores da nossa economia num processo ainda incompleto de reconversão industrial, o que conduziu a uma desigual capacidade de sobrevivência das nossas unidades produtivas que se centravam nesse mesmo mercado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Face a esse conjunto de notas de sinal negativo, temos hoje, porém, alguns importantes sinais positivos que importa destacar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Por exemplo, desde o ano passado, as coisas estão a mudar, bem para melhor, no campo das exportações. No diálogo que tenho tido com empresários, em várias feiras comerciais que tenho visitado, o otimismo é a regra e a dúvida a exceção.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Também na preservação do investimento estrangeiro, já que a sua captação, na atual conjutura, é bem mais difícil, temos vindo a conseguir, nos últimos anos, continuar a potenciar aquilo que são algumas das nossas vantagens comparativas – de que a pertença ao euro é uma das mais importantes, o que, às vezes, se esquece.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;E, finalmente, na promoção turística, estamos a trabalhar bem e com resultados concretos, fruto de uma estratégia inteligente e que me parece cada vez melhor coordenada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Estes são os três domínios que, na área externa, nos importa e face aos quais a nossa diplomacia se encontra atenta e mobilizada. Essas são também as áreas onde se espera que as coisas venham ainda a melhorar, se e quando os efeitos das medidas de reforma e de ajustamento, em curso de implementação, vierem a conduzir a resultados à altura da expetativa que os motivou e dos esforços que o país está a fazer para os levar a cabo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Aproveito, aliás, neste tempo de anunciadas reformas na área da promoção económica externa, para deixar aqui uma nota pública de grande apreço pelo magnífico trabalho da AICEP, que tenho vindo a testemunhar e a admirar. É preciso preservar a qualidade desse trabalho em qualquer modelo que venha a ser criado para tentar melhorar a diplomacia na área dos negócios.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Sou disso uma testemunha privilegiada. Sou&amp;nbsp;embaixador em França, um país que é hoje o principal investidor externo &lt;personname productid="em Portugal. Um" w:st="on"&gt;em Portugal. Um&lt;/personname&gt; país que, nestes tempos de queda generalizada dos fluxos do turismo, foi o único a aumentá-los em direção ao nosso país. Um país que, por exemplo,&amp;nbsp;já é hoje o principal destino de exportação do nosso vinho do Porto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Acho que, agora mais do que nunca, deveremos fazer “benchmarking” dos exemplos de investimento mais bem sucedidos em Portugal, relevando junto do mercado internacional as razões positivas que levam certas empresas de qualidade e prestígio a confiar em nós.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Por tudo isso, porque acredito que Portugal não “fecha para obras”, porque sou teimosamente otimista, quero terminar com uma mensagem de confiança.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Essa mensagem é a de que a imagem dos países também se reverte. Há um bom exemplo europeu, que são os países nórdicos. Eles são a melhor prova de que, em escassas décadas, partindo de patamares de desenvolvimento muito baixos, foi possível modernizar essas sociedades, assentando a mudança na educação e no conhecimento, estimulando um empreendedorismo eficaz, socialmente responsável, compatível com a preservação de padrões essenciais de solidariedade social. Para isso, foi também muito importante criar uma cultura comportamental sólida, assente em valores consensualizados pela sociedade. E hoje, bem ao contrário daquilo que acontecia há algumas décadas, esses países&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;estão no topo das estatísticas de qualidade de vida, de defesa dos direitos das suas populações, da preservação de valores de modernidade. Os países nórdicos são a prova de que é apostando nos fatores de competitividade que é possível atingir a prosperidade, apoiada numa cultura empresarial sólida, geradora de auto-confiança nacional, criadora uma imagem de independência e de capacidade de livre escolha do destino. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Estamos ainda longe disso? Estamos. Parece difícil? Parece e é. Mas esse é o único desafio pelo qual vale a pena Portugal lutar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;Muito obrigado pela vossa atenção.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: 414.0pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 14pt;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Intervenção&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;na conferência “Economia portuguesa: economia com futuro”, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Lisboa, 30 de Setembro de 2011&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left" class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left" class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left" class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-6909028996827072322?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/6909028996827072322/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/09/portugal-sua-economia-e-sua-imagem.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/6909028996827072322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/6909028996827072322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/09/portugal-sua-economia-e-sua-imagem.html' title='Portugal: a sua economia e a sua imagem'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-8243815606892338071</id><published>2011-09-11T17:25:00.006+02:00</published><updated>2011-09-12T17:28:14.266+02:00</updated><title type='text'>O dia seguinte</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nova Iorque acordou para um pesadelo a 12 de Setembro de 2001. A véspera  fora, porventura, o mais longo dia da história contemporânea da América.  Todos quantos vivíamos naquela cidade nunca esqueceremos os passos que  então demos, desde a manhã da tragédia até à noite de todas as  interrogações que se seguiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nós éramos estrangeiros, por mais  solidários que estivéssemos com as vítimas da barbárie. Os americanos  acordaram diferentes, numa pátria agredida, com uma raiva incontida,  feridos no orgulho e na carne, por uma violência implausível e sem  paralelo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nova Iorque fora, até 11 de setembro, uma cidade tolerante,  aberta, com regras fáceis e um estilo de vida que seduzia europeus e  chegava a intrigar muitos americanos. A forte presença de várias  comunidades, de muitos credos e cores, transformara a cidade numa  espécie de Nações Unidas nas ruas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os americanos, com a queda  das torres ruíra parte da confiança íntima de um povo que se olha a si  próprio de uma maneira especial, nessa cultura nacionalista feita de  religião, heróis e de um sentido de destino. Nunca a América vivera sob o  medo interno e isso reflectiu-se na mudança que se vislumbrava no olhar  das pessoas que cruzávamos, escrutinando os que pressentiam diferentes –  pelo trajes, pela raça, pelo simples aspecto, pelo facto de não  trazerem na lapela ou não colocarem na janela a sua bandeira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A América cresceu com o sofrimento do 11 de setembro. E mudou. Obama é talvez a melhor prova disso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Publicado no "Correio da Manhã" &lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-8243815606892338071?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/8243815606892338071/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/09/o-dia-seguinte.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/8243815606892338071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/8243815606892338071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/09/o-dia-seguinte.html' title='O dia seguinte'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-5393402893338094596</id><published>2011-07-14T00:50:00.001+02:00</published><updated>2011-08-19T02:39:06.329+02:00</updated><title type='text'>As cidades e os homens</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São apenas os homens que constroem as cidades? Ou as cidades também fazem os homens? A atribuição da medalha de ouro do Município de Vila Real ao engº Humberto Cardoso de Carvalho, nestas festas da cidade, colocou-me a interrogação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Um jovem engenheiro, recém-formado, chegou, nos inícios dos anos 50, a uma isolada cidade de província, como era então Vila Real. Trazia consigo vontade de trabalhar e o dinamismo culto de uma família portuense que tinha andado por outros mundos. A facilidade do relacionamento ligou-o, de imediato, às instituições locais. E, muito, às pessoas. Casou pela cidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E a cidade logo chamou por ele. Para a presidência da Câmara municipal. Aí fez obra que, no essencial, ainda hoje, décadas depois, se tornou uma marca identitária da terra. O mercado municipal ainda é o mesmo. O Diogo Cão também. A avenida, dita “marginal”, aí está, connosco a não imaginar a cidade sem ela. E tantas, tantas outras realizações, que, um dia, valerá a pena destacar em conjunto, para se medir melhor a coerência de um projecto de dedicação cívica. E outras coisas, que não fez mas que aventou, antes de ninguém, como o túnel do Marão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Na cidade, pode dizer-se que esteve em tudo. No circuito automóvel, que impulsionou. E também nos bombeiros, a que deu um apoio essencial. Claro está, no Sport Clube, que ajudou a sobreviver. Solidário, colaborou na Misericórdia. Com naturalidade, teve a fraternidade do Rotary no seu percurso. E muitas coisas mais. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Um dia, seduzido pela ideia de que o país podia dar um salto de liberdade, num tempo de conformismo, aceitou ser deputado. Não daqueles que desaparecem nas brumas de Lisboa, mas de quantos regressavam à terra, às pessoas, todas as semanas. Veio Abril e a cidade foi outra. Foi-lhe outra, por um tempo. Mas a cidade, a que importa, teve também teve a dignidade de se comportar como pessoa de bem. E, com serenidade, viu-o regressar ao que sempre fez, e bem, com um rigor impoluto e incontestado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Para sempre, ficou pela cidade, já sua. E que agora lhe agradece, com o simbólico ouro da edilidade. Nada mais justo e nada mais natural.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Afinal, se são os homens quem faz as cidades, as cidades devem mostrar que sabem retribuir, que são elas que ajudam a construir os homens, colocando-os na sua história. Os que as merecem, claro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;(&lt;i&gt;artigo publicado em "A Voz de Trás-os-Montes", em 14.7.11&lt;/i&gt;) &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-5393402893338094596?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/5393402893338094596/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/07/as-cidades-e-os-homens.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/5393402893338094596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/5393402893338094596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/07/as-cidades-e-os-homens.html' title='As cidades e os homens'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-5760377246935186888</id><published>2011-07-08T08:45:00.001+02:00</published><updated>2011-07-08T18:52:20.401+02:00</updated><title type='text'>Os esforços de Portugal são bem mal recompensados...</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;A língua inglesa, que é comum às agências internacionais de notação, consagrou a expressão “moving target” (alvo em movimento) para designar um alvo que se vai afasta ou se desloca, por mais esforços que façamos para o atingir. Este é um pouco o sentimento que se vive em Portugal, perante a decisão anunciada pela Moody’s de baixar em quatro níveis a sua avaliação a longo prazo sobre o estado da nossa economia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;Ainda nesta semana, o governo português anunciou novas medidas de contenção orçamental, destinadas a reforçar o objetivo de redução do défice, bem como um conjunto alargado de privatizações, com efeitos sensíveis na redução da sua dívida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;Não deixa de ser irónico que, tendo o nosso país acordado com as instituições europeias e com o FMI um pacote de profundas reformas e de cortes drásticos na despesa pública, que uma agência de notação acabe, afinal, por mostrar-se "mais papista do que o papa". &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;A publicação deste parecer, que curiosamente surgiu na véspera de um leilão de dívida pública portuguesa, terá efeitos negativos imediatos para o Estado português. E, mais ainda, traz um peso acrescido no normal processo de endividamento de outras entidades públicas e privadas portuguesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não nos espantarmos com o rigor das agências de notação, quando nos lembramos da sua passividade no passado? Durante anos, estas mesmas agências deixaram prosperar, sem reagir numerosos produtos financeiros de risco, que estão na origem da atual crise.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;No passado, como foi o caso dos anos 70 e 80, o meu país já havia dado mostras de ter capacidade para superar crises macroeconómicas. E a disposição corajosa que agora Portugal está a demonstrar é a melhor prova de que tudo fará, uma vez mais, para superar esta nova situação. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;A serenidade responsável com que o povo português está encarar o esforço que lhe é solicitado, contrastando com outras situações noutras paragens, deverias ser um elemento de reflexão sobre a nossa determinação nacional.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;Agora tudo se passa como se os rumores em torno de uma possível reestruturação da dívida grega, fruto de uma situação nacional muito específica, que todos reconhecem diferente da nossa, tenham necessariamente que arrastar Portugal para um tratamento idêntico por parte dos mercados. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;As coisas seriam diferentes se a União Europeia, e, dentro desta, os atores a quem cabe definir os meios para reforçar a zona euro, não dessem o sentimento de "navegar à vista". As decisões sucessivas tomadas nos últimos meses na Europa permitira, é certo, dar respostas pintuais aos acontecimentos. Mas, sobretudo, acabaram por fazer o jogo das especulação nos mercados. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;Esta política de medidas “ad hoc” acaba, sem a menor dúvida, por tornar muito mais caro agora aquilo que uma decisão firme, consequente e tomada no bom momento, já poderia ter feito resultar há vários meses.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;A cacofonia das últimas semanas, pontuada por “heterónimos” criativos com os quais alguns tentaram tratar a ideia da reestruturação da dívida grega, está a mostrar os seus “frutos”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;No final, uma questão se coloca: se o Banco Central Europeu deixasse de avaliar a qualidade dos títulos emitidos pelos diferentes Estados com base nos pareceres produzidos pelas agências de notação, estas últimas seriam, sem dúvida, seguidas um pouco menos cegamente pelos mercados. Não terá chegado o momento de pôr fim a esta lamentável dependência?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 14pt;"&gt;&lt;i&gt;(Tradução do artigo publicado no diário "Les Échos" em 8.7.11) &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-5760377246935186888?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/5760377246935186888/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/07/os-esforcos-de-portugal-sao-bem-mal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/5760377246935186888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/5760377246935186888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/07/os-esforcos-de-portugal-sao-bem-mal.html' title='Os esforços de Portugal são bem mal recompensados...'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-4109805676052836419</id><published>2011-07-08T07:08:00.003+02:00</published><updated>2011-07-08T18:52:55.797+02:00</updated><title type='text'>Les éfforts du Portugal sont bien mal recompensés...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: 14pt;"&gt;La langue anglaise, qui est commune aux agences de notation internationales, a consacré l'expression «&amp;nbsp;moving target&amp;nbsp;» (cible mouvante) pour désigner une cible qui ne cesse de s'éloigner ou de se déplacer malgré les efforts toujours plus importants qui sont déployés pour l'atteindre. C'est un peu le sentiment ressenti au Portugal, après la décision annoncée par l'agence Moody's d'abaisser de quatre crans sa note à long terme sur l'état de notre économie.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: 14pt;"&gt;Cette semaine encore, le gouvernement portugais avait mis en pratique une série de nouvelles mesures d'austérité budgétaire destinées à renforcer l'objectif de réduction du déficit, ainsi qu'un ensemble de privatisations qui devrait avoir des effets non négligeables sur la réduction de la dette.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: 14pt;"&gt;Il est tout de même ironique, après que notre pays eut accepté, en plein accord avec les institutions européennes et le FMI, un paquet de réformes profondes et de réductions drastiques dans la dépense publique, qu'une agence de notation décide, finalement, d'être &lt;i&gt;«&amp;nbsp;plus papiste que le pape&amp;nbsp;».&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: 14pt;"&gt;La publication de cet avis, curieusement apparu la veille d'une vente aux enchères de la dette publique portugaise, aura des effets négatifs immédiats pour l'Etat portugais. Et plus encore, il va alourdir le processus normal d'endettement d'autres entités publiques et privées portugaises.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: 14pt;"&gt;Comment ne pas être étonné par la rigueur des agences de notation, lorsqu'on songe à leur passivité d'hier&amp;nbsp;? Pendant des années, ces mêmes agences ont laissé prospérer sans réagir de nombreux produits financiers risqués, qui sont à l'origine de la crise actuelle.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: 14pt;"&gt;Par le passé, comme ce fut le cas dans les années&amp;nbsp;1970 et&amp;nbsp;1980, mon pays a déjà montré sa capacité à surmonter les crises macroéconomiques. Et la disposition courageuse que le Portugal est à nouveau en train de mettre en oeuvre est la meilleure preuve qu'il fera tout, une fois de plus, pour sortir de cette mauvaise passe.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: 14pt;"&gt;La sérénité responsable avec laquelle le peuple portugais fait face à l'effort qui lui est demandé, qui contraste avec ce qu'on peut observer ailleurs, devrait être un élément de réflexion sur notre détermination nationale.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: 14pt;"&gt;Aujourd'hui, tout se passe comme si les rumeurs autour d'une possible restructuration de la dette grecque, résultat d'une situation nationale particulière, que chacun s'accorde à juger très différente de la nôtre, devaient nécessairement entraîner le Portugal vers un traitement identique de la part des marchés.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: 14pt;"&gt;Les choses seraient différentes si l'Union européenne et, en son sein, les acteurs censés définir les moyens de renforcer la zone euro, ne donnaient pas le sentiment de «&amp;nbsp;naviguer à vue&amp;nbsp;». Les décisions successives prises ces derniers mois en Europe ont, certes, permis d'apporter des réponses ponctuelles aux événements. Mais elles ont surtout fait le jeu de la spéculation sur les marchés.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: 14pt;"&gt;Cette politique de mesures ad hoc finit, sans aucun doute, par coûter beaucoup plus cher que ce qu'une décision ferme, conséquente et prise au bon moment, aurait pu donner il y a plusieurs mois de cela.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: 14pt;"&gt;La cacophonie des dernières semaines, ponctuée par les «&amp;nbsp;hétéronymes&amp;nbsp;» créatifs avec lesquels certains ont essayé de traiter l'idée de la restructuration de la dette grecque, est en train de porter ses fruits.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: 14pt;"&gt;Au final, une question se pose&amp;nbsp;: si la Banque centrale européenne cessait d'évaluer la qualité des titres émis par les différents Etats sur la base des avis rendus par les agences de notation, ces dernières seraient sans doute suivies un peu moins aveuglément par les marchés. Le moment n'est-il pas venu de mettre fin à cette dépendance regrettable&amp;nbsp;? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;i&gt;(artigo publicado no diário económico "Les Echos" em 8.7.11) &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-4109805676052836419?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/4109805676052836419/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/07/les-efforts-du-portugal-sont-bien-mal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/4109805676052836419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/4109805676052836419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/07/les-efforts-du-portugal-sont-bien-mal.html' title='Les éfforts du Portugal sont bien mal recompensés...'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-1424628270931994098</id><published>2011-06-15T00:44:00.000+02:00</published><updated>2011-06-16T23:45:50.871+02:00</updated><title type='text'>Dia de Portugal</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:WordDocument&gt;   &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:PunctuationKerning/&gt;   &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;   &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:Compatibility&gt;    &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;    &lt;w:SnapToGridInCell/&gt;    &lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;    &lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;    &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:LatentStyles DefLockedState="false" LatentStyleCount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;img src="http://img2.blogblog.com/img/video_object.png" style="background-color: #b2b2b2; " class="BLOGGER-object-element tr_noresize tr_placeholder" id="ieooui" data-original-id="ieooui" /&gt; &lt;style&gt;st1\:*{behavior:url(#ieooui) }&lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt; /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;}&lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A comunidade portuguesa em França comemorou, como é seu hábito, o Dia Nacional português, nalguns casos associando-o às festas populares tradicionais. Fê-lo, como sempre, com alegria e sentido patriótico. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Este ano, por razões de conjuntura que todos conhecemos, a situação de crise económico-financeira que Portugal atravessa não deixou de estar presente nas preocupações de todos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Esta é uma inquietação que marca hoje a generalidade dos portugueses, quer aqueles que estão a viver no estrangeiro, quer quantos residem no país e começam a sentir, de forma acentuada, os efeitos de uma situação que afeta o seu poder de compra, a estabilidade da sua vida e, em muitos casos, o seu próprio emprego.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Assiste-se também a uma compreensível angústia das novas gerações, que têm dificuldade em assegurar um lugar seguro no mercado de trabalho, que esteja de acordo com as qualificações académicas que conseguiram obter.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Para fazer face aos efeitos desta crise e à necessidade de financiamento do país, com vista a encetar um novo ciclo de crescimento, Portugal recorreu à ajuda temporária de instituições internacionais. Nada que seja novo na nossa história recente: fizémo-lo nos anos 70 e 80 do século XX, com resultados eficazes, embora com inevitáveis custos sociais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A principais forças políticas portuguesas subscreveram os termos deste entendimento com as instituições internacionais, embora outras tivessem considerado não os poder aceitar. Mas a maioria política em favor deste acordo é muito expressiva.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Na decorrência das recentes eleições para a Assembleia da República, o país parte assim para uma nova fase da sua vida política, com renovados equilíbrios partidários, correspondentes ao que é o sentimento popular dos dias que correm. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Este é o curso de perfeita normalidade do nosso sistema democrático, dentro do qual, ainda há bem poucos meses, foi renovado o mandato do chefe do Estado português.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;As nossas instituições, não obstante o ambiente de crise que atravessamos, dão mostras do seu normal e eficaz funcionamento, conseguindo expressar, em inequívocos, termos políticos, a vontade popular e, dessa forma, garantindo a sua própria religitimação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Vale a pena lembrar que todo este sistema funciona sob a égide da Constituição da República portuguesa, que entrou em vigor em 1976, decorrente da vontade do movimento de democratização encetado em 25 de Abril de 1974. A Constituição tem vindo a ser sujeita, com regularidade, aos ajustamentos que a realidade e a vontade dos eleitos considerou necessários. Assim foi e assim será no futuro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;35 anos depois da Assembleia Constituinte ter consagrado as instituições refundadoras da nossa democracia, valerá a pena lembrar aos seus detratores que o nosso diploma constitucional mostrou ter, dentro de si, toda a necessária flexibilidade para enquadrar momentos de tensão e de crise, continuando a afirmar-se como um notável fator de estabilidade e de confiança.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;(Publicado no "LusoJornal", Paris, em 15 de junho de 2011)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-1424628270931994098?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/1424628270931994098/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/06/dia-de-portugal.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/1424628270931994098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/1424628270931994098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/06/dia-de-portugal.html' title='Dia de Portugal'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-6960327857301576798</id><published>2011-06-01T16:54:00.000+02:00</published><updated>2011-07-04T16:56:37.448+02:00</updated><title type='text'>Os dias de Portugal</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:WordDocument&gt;   &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:PunctuationKerning/&gt;   &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;   &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:Compatibility&gt;    &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;    &lt;w:SnapToGridInCell/&gt;    &lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;    &lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;    &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:LatentStyles DefLockedState="false" LatentStyleCount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt; /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;}&lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Um país com uma longa História, como é o caso de Portugal, atravessou momentos difíceis ao longo da existência: perdemos, por algum tempo, a nossa independência, largámos um império que garantiu riqueza, crises económicas provocaram sucessivos ciclos de emigração, tivemos guerras e instabilidades políticas e sociais. Algumas revoluções, de sinal contrário, reorientaram, em certas alturas, a vida do país. Mas, como se prova, Portugal por cá continua, há quase nove séculos!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A crise económico-financeira que nos marca o quotidiano, e que compreensivelmente angustia muitos dos nossos compatriotas – em especial os que sofrem o desemprego, cortes salariais, falências e pobreza -, é mais um tempo no destino de um país que é, de há muito, o mais pobre de toda a Europa ocidental, muito embora a nossa pertença à União Europeia possa ter iludido essa dura realidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Nos dias que correm, Portugal recorre a instâncias internacionais para obter um empréstimo financeiro – não uma dádiva! -, a taxas de juro na média normal do mercado europeu, a fim de poder corrigir desequilíbrios que afectam as suas contas públicas. Essa contribuição, limitada no tempo, é a outra face da abertura do mercado português aos produtos, serviços, capitais e cidadãos dos seus parceiros comunitários. Se vivemos num mercado único, de que os estrangeiros beneficiam, é de esperar uma solidariedade nos momentos menos fáceis que um país atravessa. &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Por forma a corrigir os problemas com que o país se defronta, Portugal vai colocar no terreno um exigente programa de reformas internas, destinado a reconverter a máquina do Estado, a racionalizar procedimentos e gerar poupanças que possam colocar o país a gastar ao nível daquilo que realmente são as suas riqueza e produtividade. Esse programa terá fortes incidências sociais, algumas das quais se repercutirão sobre importantes sectores da população. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O sentido de responsabilidade das forças políticas que, em Portugal, têm legítimas expectativas de poderem exercer responsabilidades governativas, levou a que subscrevessem esse compromisso com as entidades financiadoras internacionais. Foi um gesto de coragem política, porque esses partidos sabem que a implementação de tais medidas vai provocar algum mal-estar e descontentamento públicos, com consequências futuras na sua própria popularidade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A crise política desencadeada no auge desta crise financeira obrigou à realização de eleições legislativas antecipadas, que terão lugar no dia 5 de Junho. É muito importante que os portugueses que hoje têm possibilidade de, com o seu voto, escolherem aqueles que entendem que devem conduzi-los no futuro imediato, utilizem plenamente essa forma de expressão de vontade cívica. Quem não vota, quem opta por não escolher as pessoas que vão orientar o seu destino, perde legitimidade para se queixar das políticas que vierem a ser seguidas pelos decisores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;(Publicado no nº 201 da revista CAPMAG, da associação Cap Magellan, Junho 2011)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-6960327857301576798?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/6960327857301576798/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/06/os-dias-de-portugal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/6960327857301576798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/6960327857301576798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/06/os-dias-de-portugal.html' title='Os dias de Portugal'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-4708118978373139357</id><published>2011-05-31T17:10:00.006+02:00</published><updated>2011-05-31T18:12:47.726+02:00</updated><title type='text'>Diplomacia em tempo de crise</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Não há muito tempo, um colega de um país do norte da Europa, cujo tecido económico foi bastante menos tocado pela crise internacional, perguntava-me de que modo a nossa diplomacia se estava a adaptar ao tempo de exigência acrescida que o país atravessava. A sua curiosidade tinha a ver, não apenas com a possibilidade de estarmos a encarar uma melhor adequação do nosso dispositivo diplomático aos objetivos mais imediatos da ação externa mas, igualmente, quanto ao modo como o nosso próprio trabalho teria, ou não, sofrido uma mutação qualitativa, em função de alguma reversão de hierarquia de prioridades.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;A questão era interessante, embora a resposta não fosse óbvia. A diplomacia, como instrumento executivo da política externa, configura-se com a evolução dos tempos, por uma reformulação de prioridades, decorrente de novos objetivos. Embora deva ter-se sempre presente – e sei que isto pode parecer chocante para alguns cultores do imediatismo – que o papel dos diplomatas, na fixação da imagem do país, deve ir sempre um pouco para além das conjunturas. Essa é a razão pela qual a resposta às solicitações prementes do presente deve ser, no seio da nossa ação externa, modulada em permanência com a necessidade de garantir a preservação dos interesses permanentes do país, numa perspetiva de coerência de longo prazo. A nossa história não se improvisa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Indo por partes, eu diria que, em face da presente crise, a diplomacia portuguesa tem diante de si três linhas de adaptação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Em primeiro lugar, dentro do Ministério dos Negócios Estrangeiros não deixou de se considerar, desde o primeiro momento, a importância de repensar a rede diplomática existente, dando atenção particular a áreas geográficas que, não tendo sido privilegiadas nas opções de distribuição de recursos funcionais no passado, convinha que passassem a dispor de uma maior atenção no futuro. Quero com isto dizer que zonas como o norte de África, os países do Golfo e certos mercados asiáticos passaram a entrar na nossa ordem de prioridades, com vista a tentar conseguir novos pontos de apoio à atividade empresarial. Isso tornou-se particularmente importante face a mercados cuja evolução previsível de crescimento pudesse, simultaneamente, vir absorver produção nacional que tivesse menos atratividade para os nossos parceiros tradicionais (em especial, europeus) e garantir espaços sustentados de progressão futura de novas linhas de exportação. Assim foi feito e, estou certo, a prazo, os efeitos ir-se-ão sentir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;A segunda linha é de natureza formativa. Não vale a pena esconder que ainda não está ainda criada, no conjunto da nossa administração pública que opera na ordem externa, uma cultura de trabalho &lt;personname productid="em comum. As" w:st="on"&gt;em comum. As&lt;/personname&gt; razões são diversas, do corporativismo a alguma incompetência. Com felicidade, faço parte daquele grupo de diplomatas que sempre teve uma muito positiva experiência de trabalho conjunto com as estruturas de promoção económica externa (do FFE à AICEP, passando pelo ICEP/API). Por razões diversas, sei que essa experiência não é idêntica à de muitos colegas da diplomacia portuguesa. Não vale a pena estar a distribuir culpas, até pela certeza de que elas não estarão sempre do mesmo lado. Algo tem de mudar neste âmbito e, para isso, de há muito que só vislumbro uma solução, que sei difícil de pôr em prática, por escassez de recursos humanos: promover estágios profissionais cruzados, tanto nas instituições como nas empresas e nas associações empresariais, com suficiente duração para que tal possa ter reais efeitos, num esforço geral de aculturação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Uma terceira vertente tem a ver com a mudança no paradigma da intervenção das nossas embaixadas, com impacto na informação que produzem. Imagino que a abordagem pública da questão, numa publicação desta natureza, possa escandalizar alguns. Mas julgo ter um mínimo de autoridade experiência para exprimir o que adiante vou dizer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;A diplomacia portuguesa não se deve esgotar no apoio à projeção económica externa do país – no comércio, na promoção do turismo ou na captação de IDE. A atenção à imagem do país na ordem internacional, o cultivo das redes de interesses políticos e culturais que o bilateralismo histórico justifica, a promoção da língua portuguesa e a proteção da diáspora são outros tantos pontos importantes a salvaguardar, como decisivo é sabermos potenciar o nosso valor acrescentado nacional de natureza política, como país construtor de pontes e entendimentos, à escala global. Como a eleição recente para o Conselho de Segurança da ONU o provou. Porque tudo isso, ao funcionar positivamente em favor da imagem do país, acaba por ajudar à criação de um ambiente favorável à promoção dos nossos interesses económicos – e dispensem-me de dar exemplos, por razões que julgo óbvias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Porém, e como um dia já disse, com choque em alguns ouvidos mais sensíveis, &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;entendo que o MNE precisa de “menos Kosovo e mais batatas”, querendo com isto dizer que a diplomacia portuguesa tem de continuar o esforço já iniciado no sentido de infletir a sua focagem de prioridades, passando a perceber que a “política pura”, embora podendo dar-nos uma base interessante para um bilateralismo com vantagens, deve sempre apontar para uma visão objetiva dos interesses económicos que importa privilegiar, muito em especial numa situação de crise como a que vivemos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Mas que fique clara uma coisa: não defendo que a política externa portuguesa seja refém da promoção económica externa, que se opte por uma “reapolitik” de interesses, como se o MNE devesse passar a ser, unicamente, uma espécie de agência de promoção externa de negócios. Não deve sê-lo exclusivamente, mas deve sê-lo também. E, para isto, não são precisos novos despachos ou decretos. Basta haver vontade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Uma das razões pela qual não defendo uma dependência excessiva da nossa política externa face aos nossos interesses económicos tem a ver com o facto, que pude constatar ao longo das mais de três décadas que levo de ação diplomática, de que essa mesma atividade económica está longe de ter uma coerência mínima: os mercados flutuam, as prioridades variam, a oferta “tem dias”, os nossos empresários – desculpem lá! – têm estados de alma flutuantes. Se a ação externa do país ficasse vinculada, rigidamente, às opções do nosso comércio externo, Portugal teria a imagem de um catavento!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;Por isso, recomendo apenas prudência, bom-senso e troca intensa de informação. À nossa diplomacia pode e deve ser pedido um grande empenhamento na promoção da atividade dos nossos agentes económicos. Os diplomatas portugueses devem ser mobilizados para servirem de eixo às campanhas de estímulo à atividade económica externa, as nossas embaixadas devem ser a “casa” dos empresários. Mas tudo isto tem de ter uma coerência global, uma hierarquia de prioridades bem estabelecida, uma dotação mínima de meios e uma proporção adequada de empenhamento. Uma missão diplomática ou consular não pode ser mobilizada apenas porque um empresário o solicita: essa solicitação tem de corresponder a uma razoável contrapartida previsível das vantagens potenciais decorrentes para o país. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;É para essa avaliação que a diplomacia espera poder contar sempre com o insubstituível papel técnico da AICEP, como estrutura com capacidade de aferição daquilo que é, a cada momento, o interesse económico prioritário do país na ordem externa. É nesse diálogo, que não é complicado se dele forem excluídos os egos e os reflexos de casta, que deve assentar a parceria constante entre a atividade económica externa e diplomacia portuguesas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;em&gt;(Texto publicado na revista "Portugal Global", da AICEP, referente a Junho de 2011)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-4708118978373139357?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/4708118978373139357/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/05/diplomacia-em-tempo-de-crise.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/4708118978373139357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/4708118978373139357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/05/diplomacia-em-tempo-de-crise.html' title='Diplomacia em tempo de crise'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-4223792083729469869</id><published>2011-05-29T20:56:00.001+02:00</published><updated>2011-05-31T20:58:33.808+02:00</updated><title type='text'>Portugal e a diplomacia europeia</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT;"&gt;Alguns comentadores têm vindo a falar de uma possível redução das nossas embaixadas e consulados, por virtude da introdução de medidas restritivas, de natureza orçamental, para a implementação do MoU da “troika”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT;"&gt;Convém começar por dizer que, embora numa visão impressionista possa parecer o contrário, a diplomacia da União Europeia não substitui as representações diplomáticas dos seus Estados membros. O Serviço Europei de Ação Externa (SEAE) trata dos interesses "comuns" do Estados da UE, as missões de cada país tratam dos seus interesses bilaterais (económicos, culturais, comunidades, relacionamento político Estado-a-Estado, etc). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT;"&gt;No caso português, temos uma rede diplomática que foi determinada pela história, pelas nossas vizinhanças, pelas nossas afinidades, pelo tipo específico de interesses que entendemos nos compete defender pelo mundo. É, aliás, essa posição à escala global e os laços que estabelecemos através da nossa rede diplomática que nos permite ter uma voz distinta em Bruxelas, nomeadamente quando se discutem temáticas que diretamente tocam questões em que temos legítimos interesses (Brasil, África, Timor-Leste, etc). Quanto à rede consular, recordo que ela já foi redimensionada, há poucos anos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT;"&gt;O ministro Luis Amado havia anunciado, há meses, uma reflexão suprapartidária, tendente a um possível redesenho da nossa rede diplomático-consular. Perdi o assunto de vista, mas esse é, seguramente, o caminho mais correto, a fim de evitar flutuações de critérios, aquando da mudança de governos. Flutuações essas que costumam ter elevados custos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT;"&gt;Quanto à aplicação do programa assinado com a "troika", embora não veja uma relação direta, naturalmente que uma ponderação sobre o que eventualmente se possa ganhar em economias de escala na racionalização da nossa rede diplomática não pode estar totalmente excluída, como o não estará em qualquer outra estrutura do Estado. Noto, porém, que as eventuais poupanças com um corte de embaixadas seriam sempre muito marginais nos ganhos e, muito provavelmente, bem trágicas nos efeitos sobre a preservação das vantagens da nossa atual presença externa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT;"&gt;É que há dimensões de interesse próprio para cada país que não podem deixar de ser tratadas por cada um, junto de cada um. Como é que uma embaixada da UE num país terceiro defenderia os interesses de uma empresa portuguesa que concorresse com outra empresa europeia no mesmo mercado?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT;"&gt;Porém, há um terreno em que temos de evoluir: não nos deveremos fechar, em Portugal, a uma reflexão sobre a estrutura, dimensão e funções das embaixadas que atualmente temos em países da UE. Esse é um tema em que é preciso trabalhar, atento o facto de muito do antigo bilateralismo intraeuropeu estar hoje ultrapassado pela presença comum em Bruxelas. À partida, não faço ideia se fechar algumas embaixadas dentro da UE tem ou não sentido: mas há que ponderar isso ou, pelo menos, caminhar para o seu redimensionamento, tendência que me parece indiscutível. Mas esse é um tema que nada tem a ver com o SEAE. Tem a ver com a informatização, com a qualificação do pessoal, com a redução de valências funcionais tornadas obsoletas, etc.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT;"&gt;Uma das vantagens do SEAE pode ser uma maior sinergia entre a diplomacia nacional e comunitária. Temos que ser capazes de utilizar a máquina multilateral para a promoção dos nossos interesses nacionais. E, além disso, temos de conseguir influenciar melhor essa mesma máquina, através da projeção dos nossos interesses específicos, detetados e promovidos pela nossa rede bilateral.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT;"&gt;Por esta e por outras razões, acho muito interessante que dois portugueses chefiem missões em duas das sete capitais de países com os quais a União Europeia tem "parcerias estratégicas". Isso revela muito do prestígio que os portugueses conseguiram grangear dentro da máquina da UE. Porém, devo dizer que não vivo obcecado com a necessidade do aumento do número das chefias por portugueses em missões do SEAE. Tanto ou mais do que as chefias, gostaria de ver bons técnicos portugueses, numa estreita articulação com Lisboa que não fira a sua independência funcional, distribuídos por outras missões do SEAE, onde os nossos interesses atuais ou prospetivos são ou podem ser relevantes. Exemplos? Luanda, Nova Deli, Jacarta, Pequim, Rabat, Moscovo, Dili, etc. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT;"&gt;Como a nossa recente eleição para o CSNU bem provou, a nossa diplomacia nacional tem um "estofo" que vai muito para além daquilo que se imagina. Somos um país antigo, um dos mais antigos do mundo, temos fronteiras com quase nove séculos, relações históricas testadas e uma marca fixada no imaginário dos cinco continentes. Temos a "cara" de um país que é fiel à sua palavra, que sabe entender os outros, que não tem interesses económicos pressionantes, que não alimenta agendas "imperiais" ou de excessiva "righteousness", que percebe as debilidades alheias e que sabe gerir com sabedoria o fator tempo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT;"&gt;O SEAE é uma construção interessante, destinada a servir e projetar os interesses "comuns" (e não "únicos") que a UE conseguir conciliar no seu interior. Funciona segundo a lógica do Tratado de Lisboa e essa lógica tem muito a ver com a transferência de poder do pilar comunitário para a intergovernamentalidade, a qual naturalmennte favorece os países mais fortes do processo decisório, onde o fator demográfico dilui, de certa forma, o conceito da igualdade dos Estados. Esta é uma inevitabilidade, decorrente da nova UE criada com os alargamentos. Por isso, devemos dar ao SEAE a nossa colaboração, trabalhar nele ativamente, mas não devemos deixar, nem por sombras, que ele se sobreponha minimamente à afirmação dos nossos interesses na ordem externa. É que, por ora, o SEAE vale o que vale... Exemplos? As crises do Haiti, da Costa do Marfim, do Egito, da Líbia ou da Síria. Ou, de uma forma geral, todo o Médio Oriente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT;"&gt;Não hipotequemos a uma incerta diplomacia de potência de futuro, como a Europa ambiciona ser, a defesa dos interesses de um país como o nosso, que sempre se habituou a sobreviver "apesar" dos outros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Texto preparado a pedido do "Diário Económico", para apoiar uma reflexão sobre o Serviço Europeu de Ação Externa")&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-4223792083729469869?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/4223792083729469869/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/05/portugal-e-diplomacia-europeia.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/4223792083729469869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/4223792083729469869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/05/portugal-e-diplomacia-europeia.html' title='Portugal e a diplomacia europeia'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-3302859092492308519</id><published>2011-05-15T00:53:00.000+02:00</published><updated>2011-07-15T00:54:37.673+02:00</updated><title type='text'>Délio Machado</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:WordDocument&gt;   &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:PunctuationKerning/&gt;   &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;   &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:Compatibility&gt;    &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;    &lt;w:SnapToGridInCell/&gt;    &lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;    &lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;    &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:LatentStyles DefLockedState="false" LatentStyleCount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;img src="http://img2.blogblog.com/img/video_object.png" style="background-color: #b2b2b2; " class="BLOGGER-object-element tr_noresize tr_placeholder" id="ieooui" data-original-id="ieooui" /&gt; &lt;style&gt;st1\:*{behavior:url(#ieooui) }&lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt; /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;}&lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegou-me a notícia: morreu, em  Vila Real, Délio Machado. Era um homem simpático, com um permanente sorriso, uma figura cuja imagem fazia parte do meu cenário da cidade, desde a infância. De uma família visceralmente "republicana" (vocábulo para significar "democrata"), foi um cíclico activista nas escassas aberturas "eleitorais" do Estado Novo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No pequeno mundo que era Vila Real, no final dos anos 60, aproximei-me dele por via da política. Ele era um moderado, num tempo em que eu era um radical. Recordo, por exemplo, discordarmos fortemente sobre o modo de abordar o tema da política colonial. Trabalhámos juntos, e conhecemo-nos melhor, na montagem da máquina da Comissão Democrática Eleitoral, que, em Vila Real, concorreu às "eleições" de 1969. No alto dos meus 21 anos, com ele e com Otílio de Figueiredo, coube-me então a honra de integrar a delegação que fez a entrega formal da lista oposicionista do distrito ao Governador civil do regime.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era um eficaz operacional político. No seu rápido NSU - ele que foi sempre um homem dos automóveis - corremos "seca e meca" a tentar mobilizar figuras tidas como "gente fixe", em diversas localidades, pessoas que tinham estado "connosco" (não comigo, claro) nos tempos "do Norton e do Delgado". Tivemos então algumas boas surpresas, muitas outras desilusões e, numa tarde, escapámos por uma unha negra a uma sova de varapau em Abaças, ameaçados por gente da “situação”. No final dessa bela aventura política, levámos uma já esperada "abada", sob a criativa aritmética de resultados da ditadura. Mas divertimo-nos imenso. E ficámos, para sempre, com uma relação de amizade e solidariedade.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passaram, entretanto, quatro décadas. A vida fazia com que nos encontrássemos apenas a espaços, nas minhas passagens por Vila Real. Falávamos da política de hoje e recordávamos, por vezes, episódios dessa intensa jornada de outrora. Chegámos mesmo a planear organizar algo para fixar a memória desses tempos. Tal, porém, nunca se proporcionou.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há poucos anos, teve a amabilidade de me oferecer a sua documentação política, que ainda não tive oportunidade de tratar. Agradeci-lhe o gesto, numa visita que lhe fiz, no lar onde estava alojado, no último dia de 2009, a desejar-lhe um bom ano. Não tive possibilidade de lhe ir dar um novo abraço, como era minha intenção, no final do ano passado. E, agora, já não o posso fazer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;(&lt;i&gt;Artigo publicado no "Notícias de Vila Real", em 15.5.11&lt;/i&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-3302859092492308519?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/3302859092492308519/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/05/delio-machado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/3302859092492308519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/3302859092492308519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/05/delio-machado.html' title='Délio Machado'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-7384016312975573882</id><published>2011-04-29T08:21:00.003+02:00</published><updated>2011-04-29T08:25:06.094+02:00</updated><title type='text'>Vítimas da saudade</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: large;"&gt;Há mais de 40 anos, um jovem estudante português que flanava pela Europa, à boleia, foi surpreendido por uma grande fila de trânsito, numa área da estrada N10, perto de Bordéus. De mochila às costas, foi-se aproximando do local onde tivera lugar o acidente que provocara tal situação. Mas não pôde chegar muito próximo. Um polícia informou-o que uma viatura com três portugueses tinha tido um grave acidente. Nada mais soube.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: large;"&gt;O jovem era eu e hoje veio-me à memória essa cena quando fui informado da tragédia que ontem vitimou 6 portugueses e um francês, em local que não deve distar muito daquele em que eu havia sido testemunha distante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: large;"&gt;As estradas de ontem e de hoje são muito diferentes, bem para melhor. As viaturas que os nossos compatriotas utilizam são bastante mais seguras nos dias que correm. A qualidade da sua condução é muito superior. Por isso, morrem muito menos portugueses nas estradas de França. Mas as mortes dos que agora desaparecem são tão definitivas como as dos milhares que, ao longo das últimas décadas, se espalharam por aquela estrada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: large;"&gt;A emigração, como destino trágico de aventura, transporta consigo elementos de risco permanente. A saudade que os traz e leva, com regularidade e às vezes ânsia, entre o local onde trabalham ou onde passaram a residir e as famílias deixadas longe, acaba por potenciar esse risco.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: large;"&gt;Os nossos mortos de ontem, um grupo de cidadãos portugueses onde se combinam varias gerações, acabam por reflectir o preço de vidas que tiveram de se fazer fora do pais. Essa acaba por ser a tragédia da Pátria da saudade que Portugal continua a ser.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: large;"&gt;&lt;i&gt;(artigo publicado no "Correio da Manhã", em 29.4.11) &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-7384016312975573882?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/7384016312975573882/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/04/vitimas-da-saudade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/7384016312975573882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/7384016312975573882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/04/vitimas-da-saudade.html' title='Vítimas da saudade'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-8742011269871489954</id><published>2011-04-16T19:42:00.003+02:00</published><updated>2011-04-19T10:53:47.083+02:00</updated><title type='text'>La Lys</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Esta é a segunda vez que, como embaixador de Portugal, tenho a honra de estar presente nas cerimónias que comemoram o sacrifício dos nossos soldados na batalha de La Lys. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Tal como muitos portugueses que se orgulham da sua História, eu tinha já estado aqui antes, há mais de 40 anos, como cidadão, numa homenagem pessoal aos combatentes portugueses que deixaram a sua vida por estas terras, em defesa da liberdade da Europa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Cada vez mais, há portugueses a visitar La Couture e Richebourg, pelo interesse em conhecerem um dos locais por onde também se fez o percurso histórico do nosso país. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Nós, os portugueses, somos conhecidos por ter um grande orgulho na nossa História. Algumas razões temos para isso. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Somos um dos mais antigos países do mundo, com fronteiras reconhecidas desde do século XII. Portugal vive em democracia constitucional desde 1820, com exceção de um período de ditadura, que teve de sofrer no século passado. Orgulhamo-nos de ser o primeiro país do mundo inscrever a abolição da pena de morte na nossa lei constitucional, em 1867. Victor Hugo escreveu então: “A Europa imitará Portugal”. E assim foi. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Temos uma História que atravessou oceanos, que espalhou uma língua que é hoje universal e que nos levou a muitos lugares, onde hoje temos muitos amigos e uma imagem de país fraterno. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Foi também a História que nos trouxe até La Lys. Foram os interesses na defesa de Portugal, e dos valores que Portugal entendia então que deviam ser defendidos no cenário europeu, que conduziram à nossa participação na 1ª guerra mundial, ao lado da França e de outros países aliados. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Esses tempos, os tempos da batalha de La Lys não foram tempos fáceis em  Portugal. O meu país vivia então o início da sua República – verdadeiramente, o segundo regime republicano criado na Europa, depois da República Francesa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;A participação na 1ª guerra mundial foi um tema que marcou muito a sociedade portuguesa, que passava por um período de alguma convulsão política, muito natural no início de um novo regime. O pesado sacrifício que foi exigido às tropas portuguesas que para aqui vieram não deixou de ter um impacto profundo em Portugal, gravando-se para sempre na nossa memória nacional. E o saldo dessa aventura militar marcou igualmente o futuro do regime republicano português.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Esse regime comemorou, no ano passado, o seu centenário. Em todas essas comemorações esteve bem presente o esforço do Corpo Expedicionário Português por estas terras da Flandres. As imagens, a preto e branco, dos soldados portugueses nas trincheiras de 1918 fazem parte do simbolismo da nossa República e estão ligadas para sempre à nossa História.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;A missão que trouxe o meu país a La Lys foi a primeira em que as nossas tropas participaram em ações fora daquilo que era então considerado Portugal – o território continental europeu e as colónias espalhadas pelo mundo. Esse mundo mudou muito, deste então. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Portugal não esteve envolvido na 2ª guerra mundial, mas as Forças Armadas portuguesas, na segunda metade do século XX, foram chamadas a disputar três guerras coloniais simultâneas, em cenários africanos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Hoje, as Forças Armadas portuguesas, para orgulho do país, estiveram e estão envolvidas em várias missões de paz, um pouco por todo o mundo, na defesa dos princípios que marcam a nossa política externa. A promoção da paz e da segurança, à escala internacional, fazem parte da imagem de marca de Portugal, que também desempenha importantes responsabilidades no seio do Conselho de Segurança da ONU, para o qual foi recentemente eleito, por força do prestígio e confiança que o país ganhou à escala mundial.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;E permitam-me que use este momento para saudar, em nome das autoridades portuguesas, o papel que as Forças Armadas frandesas desenvolvem hoje em três teatro de guerra, dando cumprimento a mandatos internacionais. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Não obstante as dificuldades conjunturais que atravessa, com uma crise económico-social complexa, o meu país mantém a mesma determinação de continuar a contribuir, à medida das suas possibilidades, para a preservação dos valores da liberdade e da dignidade dos povos. A mesma liberdade e a mesma dignidade que os valentes soldados que morreram em La Lys nos ensinaram, com o seu exemplo, a saber respeitar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-8742011269871489954?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/8742011269871489954/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/04/la-lys_16.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/8742011269871489954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/8742011269871489954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/04/la-lys_16.html' title='La Lys'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-377987255893302003</id><published>2011-04-16T18:34:00.005+02:00</published><updated>2011-04-19T10:53:14.903+02:00</updated><title type='text'>La Lys</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span lang="FR"&gt;C’est la deuxième fois que j'ai l'honneur d'être présent, en tant qu’ambassadeur du Portugal, aux cérémonies commémorant le sacrifice de nos soldats à la&amp;nbsp; bataille de La Lys. Comme tant d’autres portugais qui sont fiers de leur Histoire, j’étais déjà venu ici, il y a plus de quarante ans, en tant que citoyen, rendre un hommage personnel aux combattants portugais qui ont perdu leur vie sur ces terres pour défendre la liberté en Europe.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span lang="FR"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span lang="FR"&gt;Il y a de plus en plus de portugais qui viennent visiter La Couture et Richebourg à fin de connaître un des lieux où a été tracé un morceau du parcours historique de notre pays. Nous, les portugais, nous sommes connus pour la grande fierté que nous portons à notre Histoire.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span lang="FR"&gt;Il y a bien une raison à cela. Nous sommes l’un des pays les plus anciens du monde, avec des frontières reconnues depuis le XIIème siècle. &lt;/span&gt;Le Portugal s’est doté d’une démocratie institutionnelle dès 1820, dans laquelle il a toujours vécu,&amp;nbsp;mise à part la période de la dictature qu’il a endurée au siècle dernier.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt; Nous sommes fiers d’être le premier pays au monde à avoir décrété l’abolition de la peine de mort dans notre constitution, en 1867. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span lang="FR"&gt;Victor Hugo avait écrit, à cette occasion, «&amp;nbsp;L’Europe imitera le Portugal&amp;nbsp;». Et il en fut ainsi.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span lang="FR"&gt;Nous avons une Histoire qui a traversé les océans, qui a répandu une langue aujourd’hui universelle et qui nous a mené sur des lieux où nous avons aujourd'hui beaucoup d’amis et où perdure l’image d’un pays fraternel.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span lang="FR"&gt;C’est également l’Histoire qui nous a amenés à La Lys.&amp;nbsp; Ce sont les intérêts dans la défense du Portugal, et des valeurs que le Portugal considérait alors dignes d’être défendus sur la scène européenne, qui ont conduit à notre participation à la I&lt;sup&gt;re&lt;/sup&gt; Guerre Mondiale, aux côtés de la France et des autres pays alliés.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span lang="FR"&gt;Cette période là, celle de la bataille de La Lys, n’a pas été une période facile au Portugal. Mon pays vivait alors les débuts de sa République – en réalité, le deuxième régime républicain créé en Europe, après la République Française. La participation à la I&lt;sup&gt;re&lt;/sup&gt; Guerre Mondiale a été un sujet qui a beaucoup marqué la société portugaise, qui passait par une période de bouleversement politique tout à fait naturelle à l’aube d’un nouveau régime. &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span lang="FR"&gt;Le lourd sacrifice demandé aux troupes portugaises qui sont ici venues a eu un profond impact au Portugal, qui est resté gravé pour toujours dans notre mémoire nationale. Et le résultat de cette aventure militaire a également marqué le futur du régime républicain portugais. &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span lang="FR"&gt;L’année dernière, ce régime a fêté son centenaire. Durant toutes les commémorations, les efforts du Corps Expéditionnaire Portugais sur ces terres des Flandres ont été particulièrement bien rehaussés. Les images, en noir et blanc, des soldats portugais dans les tranchées de 1918 font partie de la symbolique de notre République et sont liées pour toujours à notre Histoire.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span lang="FR"&gt;La mission qui a mené mon pays à La Lys a été la première où nos troupes nationales ont participé à des actions en dehors de ce qui était considéré comme le Portugal – c'est-à-dire le territoire continental européen et les colonies éparpillées dans le monde. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span lang="FR"&gt;Ce monde-là a beaucoup changé depuis. &lt;/span&gt;Le Portugal ne s’est pas engagé dans la II&lt;sup&gt;ème&lt;/sup&gt; Guerre Mondiale, mais l’Armée portugaise, dans la deuxième moitié du XXème siècle, a été contrainte de mener trois guerres coloniales simultanées sur des territoires africains.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span lang="FR"&gt;Aujourd’hui, les Forces Armées Portugaises, pour notre grande fierté, ont été et sont engagées dans de nombreuses missions de paix un peu partout dans le monde dans la défense des principes qui caractérisent notre politique extérieure.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span lang="FR"&gt;Permettez-moi de saluer dans cette occasion le rôle que les forces armées françaises developpent en trois théâtres de guerre, en accomplissemment des mandats internationaux.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span lang="FR"&gt; La promotion de la paix et de la sécurité, à l’échelle internationale, fait aujourd’hui partie de l’image de marque du Portugal, qui exerce également d’importantes responsabilités au sein du Conseil de Sécurité de l’ONU, pour lequel il a été récemment élu grâce au prestige et à la confiance dont il bénéficie à l’échelle mondiale. &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;  &lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span lang="FR"&gt;Malgré les difficultés conjoncturelles qu’il traverse au sein d’une crise économique et sociale complexe, mon pays garde la même détermination pour continuer à contribuer, dans la mesure des ses possibilités, à la préservation des valeurs de liberté et de dignité des peuples. La même liberté et la même dignité que les vaillants soldats tombés à La Lys, avec leur exemple, nous ont appris à respecter. &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-377987255893302003?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/377987255893302003/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/04/la-lys.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/377987255893302003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/377987255893302003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/04/la-lys.html' title='La Lys'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-1101037390529546194</id><published>2011-04-12T19:47:00.003+02:00</published><updated>2011-04-17T13:01:03.170+02:00</updated><title type='text'>O "11 de setembro"</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Há dias, quando o Dr. Mário Mesquita me convidou para esta ocasião, surgiu-me, por um instante, uma tentação: especular um pouco sobre o que teria sido o mundo se o 11 de Setembro não tivesse tido lugar. As fantasias na lógica do “what if...” têm sempre a sedução de nos forçar a imaginação, de nos obrigar a trabalhar cenários que a História, por uma qualquer razão, não seguiu. São exercícios interessantes, que nos podem conduzir a uma reflexão interessante, tanto mais que a História, embora não se repetindo, conhece, por vezes, algumas similitudes perturbadoras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;No caso do 11 de Setembro, um exercício destes teria de assentar numa rigorosa definição dos termos de referência da situação internacional pré-existente aos acontecimentos, seguida de uma especulação sobre como teria evoluído essa mesma situação se acaso os terroristas não tivessem levado a cabo, com sucesso, o seu ataque às Twin Towers (e aos dois outros aviões, frequentemente esquecidos). E se a primeira parte – a conjuntura pré-existente - permanece inteiramente válida para uma conversa como a que temos aqui hoje, já a segunda é totalmente falseada, porque a História não seguiu esse rumo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;É que os acontecimentos de 11 de Setembro, como qualquer outro evento importante na História – como foi o caso do ataque a Pearl Harbour, na 2ª guerra mundial – podendo ser considerados como uma resultante das condições anteriores, podem tornar-se, eles próprios, na causa, direta ou indireta, do muito do que se lhe seguiu. Resultante e causa – são esses, assim, os papéis do 11 de Setembro na história contemporânea. E é nessa dupla perspetiva que pretendo tratá-lo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Passados quase 10 anos sobre esse dia, sinto que temos hoje condições para olhar, com uma maior serenidade, para a conjuntura em que o mesmo ocorreu. Como já aqui foi referido, eu estava em Nova Iorque nessa data. Escassas horas após o ato terrorista, tal como muitos dos meus colegas embaixadores na ONU, tomei a palavra na Assembleia Geral para expressar solidariedade aos nossos amigos americanos pela inqualificável agressão de que o seu país havia sido vítima. Não tinha para tal nenhumas instruções específicas do meu governo, nem precisava delas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Mas – posso agora revelar – não me foi fácil convencer alguns dos meus colaboradores, na missão portuguesa junto da ONU, da importância de não esquecer, no meu discurso, uma menção às “root causes”, que não podiam deixar de figurar no cenário de fundo em que o 11 de Setembro teve lugar. Ora o tempo psicológico não estava então muito voltado para esse tipo de abordagem e, quero recordar, falar das “razões” por detrás das motivações do ato terrorista era então visto, por alguns, nos Estados Unidos, mas também aqui, pelos “neocons” da paróquia, como uma espécie de traição e de desculpabilização do ato. Os polícias do espírito têm sempre um espaço para praticarem a sua propensão censória nos momentos de fortes vagas emocionais. E essa vaga era então avassaladora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Porém, parecia-me de uma irrecusável lógica tentar explicar que aquele ato não nascera apenas porque uma qualquer mente perturbada havia decidido cometer um ataque bárbaro contra os Estados Unidos, matando milhares de pessoas, americanos e não só. Esse ato havia tido lugar porque existia um contexto internacional, perante o qual os Estados Unidos eram vistos, em largos setores do mundo árabe e não só, como muito complacentes com a política seguida por Israel face aos territórios e aos direitos dos palestinianos. Só assim se explica, convém também lembrar, o aplauso com que estes atos terroristas foram, à época, acolhidos em alguns setores da “rua árabe”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;E, aceite-se ou não esse pressuposto – a cumplicidade dos Estados Unidos com as políticas de Israel – a verdade é que essa é uma ideia que fez, e continua a fazer, o seu curso em muitas áreas do mundo. E também é verdade também que os Estados Unidos não fazem muito para a desmentir, mesmo nos tempos que correm.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Coisa bem diferente seria utilizar esse pressuposto para conferir um mínimo de legitimidade a ações violentas de que os Estados Unidos haviam sido vítimas. Reconheço que separar as duas coisas era então difícil, aos olhos de muitos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Gostava aliás de lembrar que os Estados Unidos já haviam sido alvo, no passado, de ações terroristas em vários locais do mundo. Para recordar apenas as mais mortíferas, lembremos os 280 mortos no Líbano, em 1983 e 1984, e as 244 vítimas de atentados bombistas na Tanzânia e no Quénia, em 1998. Quero com isto dizer que o ato de 11 de Setembro de 2001 vem na sequência de um conjunto de ações agressivas contra pessoas e interesses americanos, levados a cabo, ao longo de vários anos, por elementos movidos por uma agenda radical. Essa agenda de ódio aos Estados Unidos, nas últimas décadas, teve vários titulares, desde grupos de extrema-esquerda até ao mais recente fundamentalismo islâmico. Mas, quase sempre, como elemento constante por detrás dessa agenda, estava presente a questão palestiniana, a responsabilização dos Estados Unidos pela manutenção dessa situação tida como injusta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Em anos mais recentes fomos assistindo a uma mudança nesse discurso, com o decantar nele da frustração histórica de setores do mundo muçulmano, alimentados por uma determinante religiosa extrema, que tendiam a fazer pagar à América, bem como a outros poderes ocidentais, o que consideravam ser uma espécie de humilhação histórica do mundo muçulmano. Como símbolo mais poderoso do mundo ocidental, os Estados Unidos eram e são o alvo mais óbvio desta espécie de cruzada em sentido inverso, para a qual são convocados esses povos que se sentem marginalizados e desprezados, vítimas da História.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Note-se que a complexidade desse mesmo mundo muçulmano faz com que, curiosamente, coexistam, no seu seio, aliados fiéis de Washington e inimigos jurados da América. Em alguns desses países muçulmanos, que dispõem de sólidos apoios ocidentais e lutam pela sobrevivência dos seus regimes autoritários, que são alimentados pelos recursos petrolíferos, verifica-se que foi, durante muitos anos, cultivada uma perigosa ambiguidade. Esses regimes deixaram florescer no seu seio grupos de matriz extremista, na aparente convicção de que isso os absolveria face à religiosidade da sua população. O Al Qeda nasceu nesse estranho caldo de cultura, gerado em mundos por onde perpassava, como constante, um permanente discurso anti-israelita, aliás o único verdadeiro cimento de ilusória união dentro do mundo árabe. Esse era o “politicamente correto” regional, às vezes mais hipócrita do que verdadeiro, como bem se sabe. E como as perspetivas de resolução do conflito israelo-palestiniano eram, então como sempre, muito limitadas e frustrantes, as condições para a sua perpetuação e aprofundamento estavam criadas. Era esse contraditório panorama que se vivia no mundo árabe, ao tempo do 11 de setembro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A situação no resto dos “major players” mundiais era também complexa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Em 11 de Setembro de 2001, a América era titulada por uma nova administração, que tinha uma postura muito conservadora, com uma afirmação quase agressiva dos interesses americanos – e que os defendia como se o resto do mundo os devesse considerar naturalmente como seus. Nada de novo, diga-se, face a outros tempos americanos, mas algo novo face à administração Clinton que terminara.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Não era então muito claro como se processaria a sua relação futura, por exemplo, com a Rússia. Este país atravessava um período de evidente fragilidade no plano interno e na sua capacidade de ação internacional, o que abria a tentação a gestos externos de alguma rigidez, numa lógica nacionalista compensatória. Sentia-se, igualmente, que o relacionamento americano com a China não se anunciava fácil, com o surgimento, logo nos primeiros meses da administração Bush, de algumas tensões induzidas, com gestos de aproximação algo imprevistos face a Taiwan, como que buscando criar em Pequim um novo adversário estratégico.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Por seu turno, a União Europeia permanecia expectante, tanto mais que geopoliticamente não lhe era indiferente a evolução que Washington pudesse vir a ter, depois de uma administração Clinton com a qual conseguira um “modus vivendi” razoável. Conhecer as intenções americanas, especialmente no tocante às relações com Rússia, não era coisa indiferente para muitos parceiros europeus. É que alguns dos novos integrantes dos futuros alargamentos da União e da NATO revelavam uma compreensível gratidão histórica face à América, que suplantava, em muito, a afetividade que tinham perante as instituições de Bruxelas, que funcionavam mais como um arranjo prático de oportunidade. Esses mesmos países, por virtude de compreensíveis traumas históricos, olhavam para Moscovo de uma forma pouco simpática, “to say the least”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;E a Europa – a União Europeia - sabia então, como sabe hoje, que a sua capacidade para poder ter, à escala global, uma ação minimamente eficaz passa sempre pelas alianças conjunturais que consiga gizar com os Estados Unidos. Por isso, a Europa esperava para ver o que ia sair de uma América com um novo estilo, com uma agenda que, embora ainda em definição, se anunciava bastante autónoma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;No que toca à sua própria relação com o mundo árabe, a Europa também já não tinha ilusões. Por um lado, percebera, já à época, que o chamado “processo de Barcelona”, em torno da bacia mediterrânica, chegara ao limite, aliás bastante baixo, da sua eficácia. Essa falta de eficácia está hoje bem à evidência, mesmo depois da sua esforçada conversão na União para o Mediterrâneo. E também entendia - porque os Estados Unidos e Israel não deixavam de lho lembrar, muitas vezes por omissão - que o seu papel no eufemísticamente chamado “processo de paz” do Médio Oriente continuaria a ser o de um mero ator secundário, a quem competia pagar algumas contas, para continuar a fazer parte do “casting”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Numa síntese simples, e em relação aos “major players” da cena internacional e aos cenários mais relevantes para o que aqui nos interessa, as coisas estavam assim, nessa manhã que, lembro-me, acordou com um céu límpido, em Nova Iorque, no dia em que deveria ser tocado o sino da paz, que anuncia que a Assembleia Geral da ONU vai abrir as suas portas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O 11 de Setembro foi a casual resultante de todo este estado de coisas, uma cenário que, sabe-se hoje, não estava tão distante das previsões que alguns faziam dos riscos de ações terroristas à escala internacional. O que ninguém provavelmente pensava, não obstante a tentativa que, oito anos antes, tinha sido gorada no mesmo World Trade Center, é que um grupo iria ter capacidade de planeamento e de organização para poder cometer atos desta dimensão, bem no coração da América.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O 11 de Setembro não foi, simplesmente, um ato terrorista que vitimou uns milhares de pessoas. Foi uma provocação insuportável a um Estado que se tinha por quase inexpugnável e para o qual, um ato deste tipo, colocava em causa a sua própria imagem como orgulhoso poder incontestado à escala global. E não deixa de ser importante lembrar, uma vez mais, para se perceber a sequência do que sucedeu depois, que os Estados Unidos viviam já sob uma nova administração, onde prevalecia uma liderança muito ideológica, com uma clara componente “jingoísta” (uma expressão que não parece existir em português mas que o Oxford English Dictionary refere como “extreme patriotism in the form of agressive foreign policy”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;E vamos então àquilo de que o 11 de Setembro poderá, no cenário internacional, ter sido causa, embora não necessariamente única.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Desde logo, e como primeiro ponto, o ambiente internacional foi marcado por uma reação muito alargada e solidária na luta contra o terrorismo, com uma rápida adaptação das instituições das Nações Unidas a esse respeito. Basta lembrar a firmeza das resoluções aprovadas e as estruturas montadas para garantir a sua completa implementação. Como curiosidade, noto que, por esse tempo, a ONU discutia a definição do próprio conceito de terrorismo, sobre o qual havia grandes divergências, porque algumas das caraterizações desse mesmo conceito eram vistas como podendo limitar o direito à revolta de povos que viviam sob regimes autoritários.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Neste ambiente de súbita concórdia, o terrorismo veio a ser, curiosamente, um inesperado elo de ligação entre Moscovo e Washington. É interessante avaliar o modo como evoluiu essa relação, em todo o tempo posterior ao 11 de Setembro. No período imediato após os atentados, a Rússia foi obrigada a alinhar pelo “politicamente correcto” da luta anti-terrorista, o que teve duas consequência de sinal oposto. Por um lado, foi obrigada a consentir, de uma forma sem paralelo até então, uma presença americana nas suas “águas estratégicas” próximas, no seu “near abroad”. Os Estados Unidos, para além de diversas outras facilidades que viriam a ser concedidas por Moscovo para as operações no Afeganistão, obtiveram ganhos de presença, sob a complacência russa, em Estados como o Usebequistão e o Quirguistão, bem como uma influência crescente na Geórgia. A “paciência” de Moscovo viria a esgotar-se um dia, como todos sabemos. Mas, à época, como “compensação”, e de uma forma quase chocante, Washington passou a ser de uma grande parcimónia em matéria de críticas à política russa em áreas da Federação, deixando que o argumento da luta contra o terrorismo fosse utilizado por Moscovo, quase sem baias, nas suas incursões e repressivas, em zonas como a Chechénia. Verdade seja que não foram apenas os russos a ser “free riders” da luta anti-terrorista, mas Moscovo foi quem mais longe foi nesse caminho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Desde então, como é sabido, muita água passou sob as pontes deste relacionamento russo-americano, com algumas tensões à mistura. Houve ajustamentos em zonas de conflitualidade e de cruzamento de influências de ambos os poderes, de que a Geórgia (e a chamada “independência da Abcázia e da Ossétia do Sul), bem como a questão do escudo anti-míssil, foram os casos mais evidentes. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;No tocante à Europa, aliado constante, não foi difícil os Estados Unidos dela obterem uma adesão incondicional à sua luta contra o terrorismo, a partir de 11 de setembro. Não é segredo para ninguém que, desde a sua instalação, em inícios de 2001, a administração Bush não havia causado um entusiasmo transbordante na Europa. Os sinais de afastamento do mundo multilateral, ou melhor, da sua instrumentalização “à la carte”, e uma agenda ainda mais auto-centrada nos seus interesses do que aquela que a América tradicionalmente sempre nos apresentou, cedo se projetaram num cenário europeu onde, com naturalidade, o Reino Unido dava sinais, como habitualmente, de querer vir a manter a relação mais próxima.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Como já referi, o 11 de Setembro colocou, com alguma naturalidade, toda a Europa e a NATO - neste caso com uma interpretação muito extensiva do artigo 5º do Tratado de Washington - numa atitude fortemente solidária com os Estados Unidos. E, nessa mesma lógica, a posição europeia nas Nações Unidas face ao ataque ao poder vigente no Afeganistão foi num sentido totalmente positivo e comprometido. Contudo, como bem sabemos, este unanimismo viria a deteriorar-se.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O tropismo anti-Saddam Hussein que se desenvolveu, de forma quase obsessiva, em Washington, com o desprezo claro pela vontade das Nações Unidas no tocante ao Iraque, no triste cenário das “armas de destruição maciça”, criou uma dinâmica de divisão que veio a afetar, não apenas a unidade política dentro da União Europeia, mas, mais grave do que isso, chegou a introduzir clivagens no seio da NATO – e aqui recordo a restrição belga no tocante aos riscos em que a Turquia então se envolvia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Como “poder europeu” que são, os Estados Unidos há muito perceberam que, no nosso continente, tanto têm a capacidade de nos unir como são capazes de provocar, com facilidade, a nossa desunião. Foi o que aconteceu, pouco tempo depois, em 2003.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Não obstante, e em perspetiva, há que reconhecer que a prevalência dos valores de uma cultura comum de segurança acabou por levar muitos países europeus a adotar uma atitude de solidariedade estratégica com a ação dos Estados Unidos no Iraque. Muitos desses mesmos países acabaram por entender que, quaisquer que tivessem sido as reais motivações do ataque àquele país, as consequências decorrentes dessa guerra iriam sempre projetar-se, inevitavelmente, sobre a sua própria segurança. E, por essa razão, não podiam alhear-se completamente do destino do Iraque. A Europa acabou, assim, por “naturalizar” a situação iraquiana, porque ela era um incontornável “fact of life” e se tornava necessário gerir as suas consequências.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Em síntese, eu diria que o 11 de setembro acabou por ser um teste positivo à unidade de princípios estratégicos em que assenta o mundo transatlântico. Mas também diria que os Estados Unidos, a quem essa unidade deve importar, foram responsáveis objetivos pela introdução nesse quadro de alguns elementos disruptores, de tensão e desagregação, pela adoção de um unilateralismo nada dialogante, que colocou em causa um dos equilíbrios geopolíticos mais importantes que haviam sido criados após a 2ª guerra mundial. Nesse teste, há que dizer que a Europa se portou basicamente bem: assumiu as sua diferenças internas, preservou os seus princípios comuns básicos e foi fiel à sua vocação de entidade estabilizadora no plano internacional. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Olhemos um pouco a região desse Médio Oriente alargado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Sem a menor dúvida, o espaço geopolítico que maiores alterações sofreu, após o 11 de Setembro, foi a zona do Médio Oriente, com o Irão e Afeganistão considerados nesse contexto, com repercussões ainda difíceis de medir no próprio Paquistão. Pode sempre dizer-se, em tese, que, se acaso o 11 de Setembro não tivesse ocorrido, muito provavelmente a turbulência tradicional daquela região não deixaria de se fazer sentir. As tensões estavam lá e não é de excluir que pudessem explodir de uma outra forma, como já antes acontecera. Mas a nós interessa-nos jogar com os dados reais e esses são a mudança radical que o conjuntural vazio iraquiano provocou, com a emergência do papel do Irão, com o seu problema nuclear e o modo como essa ameaça é hoje pressentida para a generalidade dos países do Golfo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Olhando numa perspetiva histórica, podemos dizer que o fim de algum equilíbrio Irão-Iraque, que marcou as décadas mais recentes, desencadeou consequências que ainda hoje não temos condições para medir com precisão. Acresce que, simultaneamente com a emergência da ameaça iraniana, as monarquias do Golfo como que deixaram de ter, como permanente eixo de referência, uma sólida e previsível posição americana, apoiada regularmente por Londres, em função de outras prioridades em que os americanos passaram concentrar-se na área. Para esses países, o verdadeiro “escudo protetor” do seu “statu quo” era o papel que desempenhavam no centro do mundo produtor de petróleo, que funcionava como uma espécie de “seguro de vida” dos seus regimes. Uma imprevisibilidade americana deixa-os algo órfãos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O mais irónico, como já antes disse, é que foi precisamente no seio desse mundo de conservadorismo político e religioso, com uma sua complacência que não terá medido os riscos do que daí poderiam resultar, que surgiram algumas das expressões mais radicais e fanáticas do islamismo, a começar por aquelas que vieram a estar envolvidas no 11 de Setembro. Esses países acumulam hoje outras preocupações, porque neles sopram os ventos de inquietação democrática que atravessa o mundo árabe. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Curiosamente, há ainda muito pouca reflexão sobre o modo como os recentes surtos de instabilidade dentro de países árabes se podem ligar, ou não, à própria evolução desse mesmo mundo, na sequência do 11 de Setembro. De uma forma algo estranha, pelo menos a julgar por estes primeiros tempos, esses movimentos procuram uma libertação dos regimes autoritários numa perspetiva que não é anti-ocidental, nem apresenta a tradicional reação anti-israelita. Pelo contrário, eles sublinham valores, ainda que difusos, da liberdade e da democracia que parecem mais próximos do Ocidente do que de qualquer cultura política a que tradicionalmente estivessem ligados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Como disse, ainda é cedo, para podermos ter um juízo sobre o sentido que estes movimentos parecem tomar. Porém, a julgar pelo que conhecemos, estamos perante surtos já com alguma modernidade de atitude, que dão esperanças de inverterem os sinais de conservadorismo radical que estiveram subjacentes ao 11 de Setembro. Mas nada pode ser dado por adquirido, até porque as situações variam de país para país e está ainda por medir o efeito que a guerra na Líbia poderá vir ter nos equilíbrios da psicologia coletiva das opiniões públicas em todo o mundo islâmico.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Gostava, finalmente, de notar que, para além destes cenários regionais, o 11 de Setembro acabou também por ter um efeito determinante na mudança da cultura de segurança à escala global, obrigando a dar prioridade a uma nova tipologia de ameaças, tendo levado uma instituição de segurança coletiva como é a NATO a adaptações importantes da sua ação e da sua definição estratégica, após um tempo pós-guerra fria em que parecia andar à procura de um novo propósito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;E, como não podia deixar de ser, o 11 de Setembro teve também um impacto, embora de forma não unívoca, no modo como as Nações Unidas passaram a ser vistas. Para o mal e para o bem, as instituições multilaterais foram levadas para a dianteira do debate político – neste caso, dependendo do modo como, perante elas, alguns países se comportaram. Sujeitas a uma tensão muito forte, as Nações Unidas tornaram-se num terreno de combate, que em nada favoreceu a organização. E se podemos considerar que a ONU se mostrou capaz de congregar vontades para pôr em execução um tecido de instrumentos jurídicos para a luta anti-terrorista, temos, contudo, de concluir que os efeitos do 11 de Setembro não impulsionaram, no seu seio, um movimento reformador e relegitimador do seu papel à escala global.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Passou já uma década sobre o 11 de Setembro. Para além das imagens da tragédia e da memória que todos fixámos dentro de nós, sobre o que sentimos nessa data e nos dias que se seguiram, não estou totalmente seguro que o mundo tenha apreendido esse evento como uma grande lição.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;E, no entanto, como outros momentos traumáticos da vida internacional, o 11 de Setembro prolongou-se na memória coletiva por algum tempo, como uma ferida difícil de curar. Só que, estranhamente – e tenho a consciência do peso do que vou dizer – esse trauma acabou por ser atenuado, em muitas opiniões públicas pelo mundo, pelo muito que ocorreu depois, pela imensidade das mortes civis iraquianas, pelas violações dos direitos humanos, de Abu Gharb a Guantanamo, pelas incógnitas que a instabilidade induzida à região arrastou para o mundo. E é pena que isso tenha acontecido. Porque o peso insuportável da barbárie do que foi o 11 de Setembro deveria ser preservado, sem ser sujeito a essa espécie de “compensação”, como se uma tragédia fosse atenuada pela emergência de outras, de sentido contrário.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Há que ver claro: o 11 de Setembro mudou o mundo, embora nem sempre para melhor. Mudou-nos a nós mesmos. Tornou-nos a todos menos tolerantes, mais propensos a atenções securitárias e à relativização do corpo de direitos, individuais ou de grupo. Porque as reações públicas não obedecem a lógicas comportamentais marcadas pela serenidade e pelo rigor analítico, o 11 de Setembro gerou atitudes marcadas pela estigmatização étnica e religiosa, pelo “racial profiling”, onde se confundiram atitudes, se desprezou o direito à diferença e se cultivou um perigoso espírito de intolerância. Além disso, legitimou os medos da imigração, fechou culturas e explorou, por vezes, o terreno pouco sereno onde se discutiu a compatibilidade ou não de civilizações – se confronto, se diálogo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A preeminência da luta contra o terrorismo, elevada a princípio indiscutível e a referente que, a certa altura, era identificador do bem e do mal, criou um ambiente pesado em muitas sociedades, justificando arbítrios e legitimando atos de autoritarismo, para além de alimentar teorias conspiratórias de sinal quase kafkiano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Alguns dirão que é necessário ter sempre em prioritária atenção, não aqueles que reagiram e sofreram o 11 de Setembro, mas quem foi dele culpado. É verdade, mas sem colocar em causa que a segurança é um bem precioso, temos de ter em conta que é na forma de a preservar que reside a essência da nossa liberdade, do modelo democrático em que queremos viver e das regras de convivência em que assenta o nosso estilo de vida. Os terroristas não nos podem tornar prisioneiros de nós próprios e, principalmente, não podemos aceitar que, além das vidas que fazem desaparecer, eles anulem a razão ser das nossas sociedades.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intervenção na conferência “11 de Setembro: um mundo diferente?”, organizada pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, no Grémio Literário, em Lisboa, em 12 de abril de 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-1101037390529546194?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/1101037390529546194/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/04/o-11-de-setembro.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/1101037390529546194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/1101037390529546194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/04/o-11-de-setembro.html' title='O &quot;11 de setembro&quot;'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-4015703162025621791</id><published>2011-03-31T12:30:00.006+02:00</published><updated>2011-04-17T13:01:38.743+02:00</updated><title type='text'>José Alencar</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A morte deve ter andado um tanto desorientada, nestes últimos anos, com José Alencar. O antigo vice-presidente de Lula fintava-a com regularidade, sempre com um sorriso nos lábios, num desafio constante, uma espécie de teimosia irónica. Mas tudo tem o seu fim e estava escrito que, um dia, José Alencar ia perder uma das batalhas. Que iria ser a última.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Quando, em 2003, Lula foi aconselhado a ter Alencar na sua "chapa", dificilmente poderia prever que este industrial mineiro, escolhido para lhe dar credibilidade junto do setor privado, se iria transformar num dos seus mais leais apoios, num sustentáculo valioso, que nunca vacilou, mesmo nos piores momentos dos seus dois mandatos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Praticamente desde a minha chegada ao Brasil, tive o inestimável privilégio de poder manter com José Alencar uma relação marcada por uma forte estima e simpatia. Recordo jantaradas divertidas em nossa casa, com José Alencar a contar-nos, com a graça imensa que tinha, as insuperáveis historietas mineiras, daquela gente que "nunca se zanga mas também nunca se reconcilia". Pena tenho de não saber reproduzir as aventuras do "Fernandinho", cuja saga, acabada num posto consular nos Estados Unidos, era um êxito garantido para as audiências. Mário Soares, Jorge Sampaio e Freitas do Amaral, entre outros visitantes portugueses, foram testemunhas do ambiente aberto e franco que a segunda figura da hierarquia brasileira sabia criar à sua volta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Há uns meses, recebi em Paris uma simpática nota manuscrita de José Alencar, em resposta aos votos de restabelecimento que eu lhe havia formulado, aquando de uma das suas, cada vez mais frequentes, recaídas. Dela transparecia, para além da sua profunda ligação a Portugal, a sua imensa fé religiosa, que talvez tenha sido uma das fontes onde ia beber a sua admirável coragem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Lamento não ter comigo a garrafa da "melhor cachaça do mundo", que fez questão de me enviar, depois de eu ter elogiado o néctar, num almoço em casa do ministro brasileiro da Defesa, Nélson Jobim. Nesse dia, ainda abalado por um internamento recente, José Alencar disse-me, em voz baixa: "Temos de arranjar dois copos daquela cachacinha que ali está, com rótulo verde. Mas não diga à Mariza, porque um deles é para mim..."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Logo que puder, vou beber um copo dessa cachaça pela memória desse amigo, um homem bom e corajoso, que se chamou José Alencar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;(Artigo publicado no "Correio da Manhã", 31.3.11) &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-4015703162025621791?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/4015703162025621791/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/03/jose-alencar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/4015703162025621791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/4015703162025621791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/03/jose-alencar.html' title='José Alencar'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-4656618746078148004</id><published>2011-03-30T08:12:00.004+02:00</published><updated>2011-04-17T13:02:13.094+02:00</updated><title type='text'>Programme de stabilité*</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: large;"&gt;La presse européenne a été, ces derniers jours, spécialement attentive à la situation politique portugaise et, en particulier, au rejet par le parlement du dernier Programme de Stabilité et de Croissance (PSC), ce qui a entraîné la demande de démission du Premier Ministre José Sócrates.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: large;"&gt;Des dirigeants européens, ainsi que de nombreux commentateurs internationaux, ont analysé la situation créée au Portugal émettant, parfois, des jugements de valeur sur le sens de la décision parlementaire portugaise. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: large;"&gt;Personne ne doute du fait que, bien plus qu’ailleurs, cette question a été, et l’est encore, l’objet d’une importante polémique au Portugal. Le Gouvernement et l’opposition entretiennent un intense débat sur les possibles conséquences de la votation qui n’a pas approuvé le PSC&amp;nbsp;: l’exécutif affirme que ce dernier va dans le sens des recommandations de la  Commission et de la Banque Centrale Européenne, qu’il était autorisé à exécuter, et l’opposition considère que le gouvernement a dépassé le mandat qu’il avait pour assumer des engagements à l’extérieur. Ce débat, qui n’est pas encore clos, finit par constituer la toile de fond sur laquelle se projette l’idée de convocation d’élections anticipées. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: large;"&gt;D’après la façon dont l’opinion publique internationale vient de se prononcer sur ce sujet, on éprouve la sensation que l’on n’a peut-être pas suffisamment intériorisé que le système européen repose, avant tout, sur l’affirmation démocratique des institutions représentatives de ses États. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: large;"&gt;On pourra dire, parfois, que la rationalité technico-économique de quelques décisions devrait, en théorie, être indépendante de désagréments d’ordre national qui finissent par influencer l’efficacité du système collectif. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: large;"&gt;C’est une erreur de penser cela. Au stade dans lequel se trouve la construction européenne, la principale responsabilité des gouvernants continue d’être celle envers les institutions de leur propre pays, qui leur accorde la légitimité pour gouverner et prendre des décisions. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: large;"&gt;Tout comme dans le passé, où certains traités européens ont échoué ou ont dû être rectifiés par des référendums dans quelques États, l’Europe doit apprendre à vivre avec la diversité de ses modèles institutionnels, avec la différente force de ses gouvernements dans leur ordre interne et, ainsi, avec les effets, paralysants ou non, que certaines positions nationales viendront générer sur le processus collectif. Ceci est valable pour le vote parlementaire qui, au Portugal, serait à l’origine d’une crise politique, tout comme nous avons naturellement accepté la décision irlandaise de réaliser un suffrage, ou comme, en ce moment, nous attendons le résultat du vote finlandais, avec l’impact qu’il aura dans l’approbation du nouveau Mécanisme de Stabilité. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: large;"&gt;Dans le cas portugais, je conseille de moins regarder l’arbre et un peu plus la forêt. Ainsi, nous devons noter, en priorité, que le Gouvernement et le principal parti de l’opposition, bien qu’ayant pris des positions opposées à propos de l’acceptation du projet du dernier PSC, ont toutefois affirmé leur pleine et commune adhésion aux objectifs de réduction du déficit, pas seulement pour l’année en cours mais aussi pour les deux prochaines années, sans qu’il y ait la moindre divergence entre eux en ce qui concerne &amp;nbsp;les engagements que le Portugal a souscrit auprès des institutions internationales.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;*Artigo publicado no diário económico "Les Echos" (30.3.11), sob o título "Programme de stabilité: pourquoi nous, Portugais, avons dit "non". Link &lt;a href="http://www.lesechos.fr/opinions/points_vue/0201262507275-programme-de-stabilite-pourquoi-nous-portugais-avons-dit-non-.htm"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-4656618746078148004?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/4656618746078148004/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/03/programme-de-stabilite.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/4656618746078148004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/4656618746078148004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/03/programme-de-stabilite.html' title='Programme de stabilité*'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-4005684724188182067</id><published>2011-03-26T22:14:00.002+01:00</published><updated>2011-04-17T13:02:49.610+02:00</updated><title type='text'>Retratos de cidades*</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;&lt;u&gt;Ialta&lt;/u&gt;&lt;/b&gt; – Recordarei para sempre a marginal dessa antiga praia aristocrática do mar Negro, de onde a “nomenklatura” soviética há muito já tinha desertado, nesse ano tão longínquo na história, de 1980. O simbolismo diplomático levou-me a visitar Ialta, atrás da memória da moderna Tordesilhas. Nem a beleza do palácio Livadia, em cujo jardim figurei Stalin, Roosevelt e Churchill, atenuou a tristeza que ressoava das lojas cheias de nada interessante e de gente resignada ao cinzento da vida. Nunca regressei.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;&lt;u&gt;Alcântara&lt;/u&gt;&lt;/b&gt; – Em 2006, esta cidade do silêncio agarrou-me pelo inesperado da monumentalidade das suas casas fantasmas, onde somos obrigados a imaginar uma anterior vida de fausto que não rima em nada com a atualidade. Não deixa de haver uma inescapável ironia na circunstância desta urbe de outros tempos, feita de sombras e ausente de gentes, ser hoje a vizinha mais próxima do avançado centro de atividades espaciais brasileiras. Do outro lado da baía de S. Marcos, fica a sensação que S. Luís do Maranhão, entretida no culto dos seus azulejos, nem parece notar esta sua pérola colonial.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;&lt;u&gt;S. Tomé&lt;/u&gt;&lt;/b&gt; – Foi a minha primeira ida a África, em 1976. A cidade tinha o ritmo, ao mesmo tempo apaziguante e abafante, de uma vilória portuguesa, na qual alguém havia plantado alguns edifícios de soberania, de gosto mais do que discutível. A marginal, que deve ter sido bonita, perdera muita da graça no seu descuido. Era a capital de um país novo, a nascer numa cidade que já estava velha. As pessoas que cruzava nas ruas pareciam estar à espera de alguma coisa indefinida. Regressei algumas vezes, com alguma angústia, a esse país de gente simples e simpática, suspenso no tempo, nosso amigo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;&lt;u&gt;Trieste&lt;/u&gt;&lt;/b&gt; – Conhecia-a pela filatelia, com o seu particular estatuto internacional, no pós 2ª guerra, que aguçou a minha curiosidade adolescente. Li-a mais tarde como ninho de espiões, de encontro dos mundos da sombra. Em 2004, em alguns dias, pude constatar a ambiguidade de uma urbe italiana pelo nome, austríaca pelo caráter e jugoslava (não eslovena) pela natureza. Percebi então melhor por que Ian Morris escreveu “Trieste or the meaning of nowhere”. Não creio que dois visitantes possam dela trazer a mesma ideia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;&lt;u&gt;Panjim&lt;/u&gt;&lt;/b&gt; – Em 2007, fui a Goa para tentar perceber o Portugal que por aí passara e o que dele ficara. Saí de lá mais confuso do que quando cheguei. Passar nas Fontaínhas, ou em ruas com nomes que nos são comuns, não obsta a que estejamos num mundo que é bem diferente de nós, porque provavelmente sempre o foi. Como português, senti que o passado que ainda por ali anda em algumas esquinas é já só um pretexto para reforçar a singularidade local. O que, contudo, nos deve deixar orgulhosos, mais de cinco séculos idos. &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;&lt;u&gt;Serajevo&lt;/u&gt; &lt;/b&gt;– A capital da Bósnia-Herzegovina nunca deixou de ser o lugar geométrico mais simbólico das tragédias da Europa. Desde que lá fui, pela primeira vez, em 1996, sempre senti o peso insuportável dos seus imensos cemitérios, uma vida quotidiana recolhida sobre si própria, como que temerosa dos olhos espalhados pela orografia envolvente. Nos seus habitantes, há como que uma espera permanente do dia seguinte, a que o visitante atento não consegue escapar. Para a Europa, Serajevo é a anti-Bruxelas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;&lt;u&gt;Singapura&lt;/u&gt;&lt;/b&gt; – Pode a perfeição ser um defeito? Há qualquer coisa de totalitário numa cidade que exclui, porque os afasta com vigor, a pobreza e o menor desvio do padrão comportamental definido como ideal. Nas ruas floridas e nas lojas opulentas daquela ilha artificial, onde o sucesso é a lei de vida, há um mimetismo idealizado do ocidente, incrustado numa Ásia de que sobrevivem apenas os clichés desejáveis. Bandeira chamaria Pasárgada a Singapura? &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;* Publicado na revista "Intelligent Life", edição portuguesa, primavera 2011 &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-4005684724188182067?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/4005684724188182067/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/03/retratos-de-cidades.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/4005684724188182067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/4005684724188182067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2011/03/retratos-de-cidades.html' title='Retratos de cidades*'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-1189301058016917354</id><published>2010-11-11T23:10:00.001+01:00</published><updated>2011-04-17T13:03:25.705+02:00</updated><title type='text'>Portugal na primeira Grande Guerra</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="FR"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span lang="FR" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; font-size: large;"&gt;Nous sommes ici présents, aujourd’hui, pour rendre honneur à la mémoire. A la mémoire d’un conflit qui a divisé le monde mais, plus spécialement, à la mémoire des hommes qui ont perdu leur avenir pour assurer le nôtre. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: large;"&gt;Le XXème siècle a été une période tragique pendant laquelle deux guerres mondiales ont servi d’élément de reconstruction des pouvoirs à l’échelle globale, d’accommodation violente des ambitions et de définition de nouveaux équilibres. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: large;"&gt;Les guerres sont des phénomènes qui se sont prouvées impossibles d’éviter dans l’absolu et, par conséquent, les discours sur la paix éternelle ne sont rien d’autre que des exorcismes de bonne volonté. Cela vaut la peine de lutter pour la paix mais les deux dernières décennies nous ont démontré que ça ne vaut pas la peine de penser que l’Histoire est terminée. Au contraire, elle nous réserve des surprises, pas nécessairement toujours agréables. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: large;"&gt;C’est pour cette raison que des moments comme celui-ci sont revêtus de sens. Il faut recueillir les leçons de notre Histoire, non pas comme une sorte de projection vindicative sur ceux qui ont perdu les guerres, mais comme leçon&amp;nbsp; - &amp;nbsp;pour eux et pour nous – de ce qu’il nous faut faire pour éviter de nouvelles tragédies. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: large;"&gt;Cet armistice célèbre la fin de la  Première Guerre Mondiale. Elle a été sanglante et porteuse de traumatismes que le futur ne manquera pas de faire revivre. Une nouvelle guerre, encore plus sanglante, aura lieu deux décennies plus tard. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: large;"&gt;Le Portugal a été l’un des pays qui ont participé à la Première Guerre Mondiale. Aux côtés des Alliés, l’armée portugaise s’est battue pour la liberté de l’Europe et des milliers de portugais ont déversé leur sang sur le sol français. Dans les cimetières de Richebourg, de Boulogne-sur-Mer, de Salomé et de Beauvin se trouvent les dépouilles mortelles de ces vaillants portugais. Beaucoup d’autres, blessés ou invalides, sont rentrés au Portugal. Je me souviens en avoir vu quelques uns, dans mon enfance, lors de cérémonies commémoratives réalisées dans ma ville natale. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: large;"&gt;Au moment où le Portugal a décidé d’entrer en guerre, son territoire n’était pas impliqué dans le conflit. La décision du gouvernement portugais a été déterminée par l’importance de garantir que l’agression qui avait été à l’origine de la guerre ne porte pas atteinte à des intérêts stratégiques qui, à l’époque, étaient considérés comme essentiels pour la souveraineté portugaise. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: large;"&gt;Ce sont les institutions de la  République portugaise – qui, cette année, commémore son centenaire – qui ont décidé de notre participation à la guerre. Elle a eu un coût élevé, tant d’un point de vue humain qu’économique, mais aussi en ce qu’elle finit par aggraver la crise politique interne. Il résultera de cette crise, quelques années plus tard, la dictature qui s’abattra sur le Portugal pour des décennies. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: large;"&gt;Mais l’Histoire est un tout. Nous pouvons émettre des jugements de valeur sur ses différentes périodes, mais nous devons penser sereinement que tous font partie de notre héritage, de notre mémoire collective. Honorer les morts de nos guerres – de toutes nos guerres – est un devoir de citoyen de chaque pays. Celui qui est mort pour défendre notre drapeau doit toujours mériter notre respect. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: large;"&gt;Je conçois également cette cérémonie comme un hommage à l’amitié franco-portugaise. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: large;"&gt;Il y a exactement deux siècles de cela, à l’époque napoléonienne, le Portugal et la France ont été en guerre. Le Portugal a été envahi, au début du XIXème siècle, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: large;"&gt;à trois reprises, par les troupes françaises. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: large;"&gt;Mais le Portugal et la France ont su, depuis longtemps, surpasser ces périodes de conflit. Nos relations sont aujourd’hui excellentes. Des centaines de milliers de portugais et leurs descendants vivent en France, où ils font preuve d’honnêteté dans leur travail et de loyauté envers le pays qui les a accueillis. En tant qu’États, nous sommes aujourd’hui réunis et solidaires dans les alliances militaires, nous partageons l’unité européenne, nous portons un regard similaire vers les autres zones du monde – que ce soit vers l’Afrique, la Méditerranée ou l’Amérique Latine. Et, ce qui est le plus important, nous partageons les mêmes valeurs et les mêmes principes de civilisation. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: large;"&gt;Je terminerai avec un message de respect envers les victimes du premier grand conflit mondial, dont nous commémorons aujourd’hui l’armistice. C’est face au sacrifice de tous, qu’ils soient des civils ou des militaires, que je m’incline avec respect. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="FR" style="font-size: large;"&gt;Merci beaucoup pour votre attention.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="FR"&gt;* Intervention de l’Ambassadeur du Portugal, Francisco Seixas da Costa, à la cérémonie d’hommage aux soldats portugais à la Première Guerre Mondiale, le 11 novembre 2010&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-1189301058016917354?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/1189301058016917354/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2010/11/portugal-na-primeira-grande-guerra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/1189301058016917354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/1189301058016917354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2010/11/portugal-na-primeira-grande-guerra.html' title='Portugal na primeira Grande Guerra'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-913162393200632034</id><published>2010-10-30T19:51:00.004+02:00</published><updated>2011-04-17T13:04:25.360+02:00</updated><title type='text'>O Novo Capital</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Gostava de dizer que fiquei muito satisfeito por este convite que me foi dirigido pelo Dr. Francisco Jaime Quesado para fazer, hoje e aqui, a apresentação do seu livro “O novo capital”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Mal eu sabia – mal nós sabíamos – que esta apresentação teria lugar numa das semanas que talvez justifique, ainda mais, a atenção a conceder a este livro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Eu explico. Francisco Jaime Quesado apresenta-nos um conjunto de textos onde se matura, com apoio de factos, de autores e de pistas documentais, uma reflexão prospetiva para o nosso país. Se eu tivesse de definir este livro numa frase, eu diria que ele é um manifesto para uma nova cultura estratégica para Portugal, assente no conhecimento e na inovação. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A semana que agora termina, na onda de inquietação que só agora começou e que a todos nós provocou, veio revelar que o problema português reside, precisamente, no nosso défice estrutural de competitividade, que limita a nossa capacidade de sucesso no mercado global, fruto de diversas disfunções, de muitos erros, de alguma cegueira. Mas, por detrás de tudo isto – ou melhor, provavelmente a motivar tudo isto – está a debilidade da nossa força relacional interna, está a não otimização dos nossos recursos, estão as chocantes deficiências da nossa qualificação, está o não aproveitamento tempestivo das oportunidades que os nossos atores, públicos e privados tiveram ao seu dispor e que, pelos vistos, não souberam agarrar em pleno. É claro que estou a falar dos quadros comunitários de apoio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Este livro é um livro provocatório.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Em primeiro lugar pelo próprio título, que revisita ironicamente, com menção expressa, o do maior clássico do marxismo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Em segundo lugar porque é um livro otimista. E ser otimista, nos dias de hoje, leva a que possamos ser acusados de parecer aquele ministro da Informação de Saddam Hussein, que iludia, com discursos fantásticos, a catástrofe iminente. Eu, que sou otimista, até por deformação profissional, senti-me bem ao ler este livro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Mas o livro é também muito realista, em especial sobre os nossos defeitos comportamentais – os tais que nos conduziram à situação em que estamos. É que sem a superação desses mesmos defeitos, dificilmente sairemos dessa mesma situação. Quando chegarem às vossas casas, leiam, com abertura de espírito, a página 67 do livro, onde o autor nos desenha como, de facto, somos, em toda a nossa vulnerabilidade comportamental. A tendência natural, ao lermos esse drástico (embora elegante) elencar de defeitos quase identitários, será olhar para o lado, descobrir os outros como titulares dessas distorções que nos marcam como país. Mas – deixemo-nos de ilusões! – somos nós mesmos que estamos nesse retrato, a alto contraste.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Este livro tem em particular atenção aquele que foi um ponto de partida para uma nova abordagem do papel da Sociedade do Conhecimento, do impulso que isso poderia trazer para a competitividade da economia europeia – para o crescimento e para o emprego. Estou a referir-me à Estratégia de Lisboa, lançada em 2000, que pretendia ser a base orientadora de um conjunto de políticas integradas, suscetíveis de darem um novo impulso ao tecido económico-social europeu, que então estava em curso de redefinição como projeto. Estávamos então no tempo da conclusão do mercado interno, da entrada em vigor da moeda única e das primeiras grandes consequências palpáveis da globalização – na sua dupla dimensão de riscos e tensões, pelos contrastes dos modelos produtivos, e pelas grandes oportunidades que abria em termos de novos mercados e desafios de produtividade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O percurso seguido pela Estratégia de Lisboa mostrou duas coisas:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;- que o voluntarismo político europeu não é condição suficiente para o sucesso de projetos que envolvam entidades nacionais que mantenham entre si diversidades muito fortes,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;e, em especial,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;- há uma contradição, por ora insanável, entre a fixação de um espaço político-económico comum e a preservação de dinâmicas económico-sociais e ideários polarizados por experiências historicamente diferentes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Isso não significa que a Estratégia de Lisboa – a Agenda de Lisboa - não tenha identificado pontos-chave que continuam a poder permitir o futuro sucesso competitivo, à escala global, das economias europeias. Em especial, a Estratégia serviu para sublinhar, de forma muito evidente, que a aposta nos elementos valorizadores da sociedade do conhecimento e da inovação continua a ser um eixo incontornável para qualquer solução para o nosso futuro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Só que o mundo mudou e demo-nos conta que, numa década, alteraram-se de forma radical algumas das variáveis com base nas quais havia sido feito o desenho do modelo da Estratégia de Lisboa. O aprofundar de algumas assimetrias, nomeadamente as decorrentes da desigualdade de efeitos do processo de globalização, acabou por redundar num menor empenho, por parte de alguns Estados centrais no processo económico europeu, nos compromissos pelos mesmos assumidos em 2010. Por essa razão, aquando das revisões durante o percurso, as pressões sobre a Estratégia acabaram, de certo modo, por descaracterizá-la e, em especial, por criar dúvidas em relação ao seu caráter orientador.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A Estratégia não tinha um caráter imperativo e muitos acusam-na disso mesmo. Ora ela não foi imperativa porque os Estados não quiseram que ela o fosse e, por isso, recorreu-se ao chamado “método aberto de coordenação”, que comparava as práticas e definia alguns “benchmarkings”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A recente aprovação chamado projeto Europa 2020 foi a consequência desse novo repensar coletivo em torno da Estratégia de Lisboa. Veremos se esta iniciativa da Comissão europeia tem mais sucesso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Um outro ponto importante abordado neste livro – e que se prende com aquilo que o Dr. Francisco Jaime Quesado nos vai falar a seguir – tem a ver com as questões do espaço a nível nacional, isto é, da imperatividade da agregação dos atores significativos, que estejam envolvidos no nosso processo de desenvolvimento, ter em conta os novos paradigmas que decorrem da implantação da Sociedade do Conhecimento. O reordenamento espacial desses atores – Estado, empresas, universidades e outros centros de investigação e desenvolvimento – configura uma mudança cultural difícil de assumir, mas que é essencial para o êxito do projeto coletivo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;De todo este livro, como aliás de outros artigos que já tinha lido, publicados pelo autor, decorrem algumas ideias que, podendo parecer radicais, acabam por ser apenas interessantes metas para aquilo que poderíamos designar um novo e ambicioso bom-senso. Esse bom-senso radica, no essencial, na continuidade da aposta na Educação, vista, porém, numa perspetiva menos individualizada e mais num modelo de permanente qualificação, orientada para uma estratégia de desenvolvimento coletivo. A indução de “valor” e de criatividade, num modelo em rede onde o saldo seja bem maior que a soma das partes, é visto como essencial à geração de uma “massa crítica” nacional de novo tipo, um novo “capital estratégico”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Um dos aspetos que, a meu ver, tornam relativamente original a abordagem promovida neste livro – e que a mim, pessoalmente, me diz muito – é a permanente preocupação com a preservação das dimensões sociais. Muitas análises que tenho lido sobre estas temáticas colocam os modelos sociais como sub-produtos das ondas de modernização tecnológica, dando como adquirido, que haverá necessariamente um efeito positivo de arrastamento que acabará por redundar num saldo social aceitável, esquecendo os perdedores inevitáveis, desprezados ao longo do percurso. Ora o autor, curiosamente, sublinha no seu trabalho, em todos os momentos, a necessidade de enveredar por processos de inclusão e por práticas de integração dos desfavorecidos, dos imigrantes, de todos aqueles que têm défices operativos de participação. Isto é muito interessante e, devo dizê-lo, não é muito vulgar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Nesta preocupação social há, contudo, um grande realismo. O autor é de opinião que “a dimensão social do paradigma europeu está esgotada”. Eu não seria tão drástico, mas também concordo – e alguns dados recentes vão nesse sentido – com o facto de ser necessário garantir que essa dimensão social assente “na sustentabilidade do mercado económico e não apenas em dinâmicas artificiais de política publica, meramente conjunturais”, na “capacidade dos atores sociais criarem aquilo que recebem, para que o sistema funcione de forma sustentada”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Como regra, acho esta ideia de meridiana sensatez, embora me interrogue se não compete ao Estado, em especial em sociedades com o nosso nível de desenvolvimento, e sob pena de deixar cair a sociedade em modelos de maltusianismo social, (se não cabe ao Estado) obviar às disfunções que afetam as camadas mais vulneráveis. As pessoas vivem hoje porque, a longo prazo, como dizia Keynes estamos todos mortos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Temos vindo a ter uns dias marcados pelo discurso em torno da nossas responsabilidades perante as gerações futuras. Mas é importante não esquecer que a nossa principal responsabilidade continua a ser perante as gerações presentes, perante o cidadão que, daí a momentos, vamos encontrar ao virar da esquina. O dever de não comprometer o futuro não nos deve fazer esquecer as responsabilidades de hoje. É no equilíbrio destas duas responsabilidades está o segredo da relação intergeracional. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Outro aspeto interessante que resulta das propostas feitas tem a ver, na linha do que atrás referi como a preocupação do tratamento espacial do conhecimento, com a valorização das cidades médias, voltadas para a qualidade, a criatividade e a sustentabilidade ecológica. Aquilo que o autor designa como “Programa Territorial para a Modernidade” é uma pista interessante a explorar, tanto mais que funciona em contraciclo com os atuais processos de desertificação que marcam o nosso país.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A estes dois eixos – papel de uma sociedade civil inclusiva e um novo paradigma territorial – o autor junta, quase como programa operacional para uma nova estratégia nacional, três outras vertentes: a aposta tecnológica, a aposta na dimensão cultural, em especial explorando as potencialidades do espaço da língua, da cultura mas também do “imaginário” histórico nacional que sobrevive pelo mundo e, finalmente, um compromisso de participação cívica, uma espécie de “cimento” de cidadania, sem o qual as sociedades não se congregam e geram sinergias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Diversos outros aspetos poderiam ser citados, mas uma nota sobre um livro não substitui a sua leitura. E é essa leitura que recomendo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Termino felicitando o Dr. Francisco Jaime Quesado por este seu esforço em refletir sobre o país que temos, sobre o que fazer para o mudar, preservando a sua identidade, num registo de modernidade, de maior dinamismo e de progresso. Este livro pode ajudar a dar ânimo a muitos que olham com inquietação para o presente, que abdicaram da esperança e que acabaram por concluir que, no passado, o futuro era bem melhor.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;b&gt;Apresentação do livro “O Novo Capital”, de Francisco Jaime Quesado&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;b&gt;Biblioteca Municipal de Vila Real, 30 de Outubro de 2010&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-913162393200632034?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/913162393200632034/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2010/10/o-novo-capital.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/913162393200632034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/913162393200632034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2010/10/o-novo-capital.html' title='O Novo Capital'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-1400460794960264125</id><published>2010-10-26T16:04:00.002+02:00</published><updated>2011-04-17T13:05:00.609+02:00</updated><title type='text'>A Língua e as comunidades portuguesas</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Antes do mais, quero agradecer este convite da União Latina e felicitar a organização desta iniciativa. Ao saudar o presidente desta sessão, queria saudar também todos os presente e, se me permitem uma palavra especial, dirijo-a à senhora doutora Dra. Maria Barroso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Esta temática do papel da língua portuguesa no quadro global interessa-me bastante, porque faz parte do quadro de afirmação diplomática do nosso país, em que me empenho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Penso que há um grande e nunca acabado caminho a fazer em torno deste tema e considero que este colóquio é um momento importante para tal. Como sou a única pessoa sem uma atividade de natureza académica nesta mesa, posso dar-me ao luxo de algum impressionismo, ditado apenas por aquilo que fui colhendo, em função da minha experiência pessoal. Achei irónico que o professor Eduardo Lourenço tivesse dito que ele próprio não era um especialista nesta temática. Ora o professor Eduardo Lourenço é talvez o maior especialista vivo na abordagem da questão da nossa identidade como país e ajuda-nos, todos os dias, a olhar para nós próprios de uma forma mais profunda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A experiência que tenho como funcionário diplomático, com mais de 35 anos ação profissional, foi particularmente reforçada pelos meus dois últimos postos: o Brasil, onde estive cerca de quatro anos e a França, onde agora estou colocado, há menos de dois anos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;São dois dos países do mundo onde existem grandes comunidades portuguesas, embora com uma génese e uma tipologia muito diversas, nomeadamente em matéria de integração, o que me proporcionou objetos de trabalho e estudo também diferentes, se bem que muito complementares e ambos bastante enriquecedores.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;No nosso Ministério dos Negócios Estrangeiros, as questões ligadas às comunidades portuguesas fazem parte – e perdoem-me a brutalidade, mas já tenho a idade profissional para poder dizer isto – de uma espécie de subsistema diplomático muito específico, às vezes pouco valorizado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Nesse subsistema há um elemento que não depende de uma visão criada autonomamente no Ministério dos Negócios Estrangeiros, mas que sobredetermina todo o seu funcionamento. Trata-se de uma espécie de “chantagem política” que se gerou, nas últimas décadas, e que acaba por tornar esse setor refém de uma certa ideologia comportamental da natureza funcional e até política. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Na democracia portuguesa, com a chegada do 25 de Abril, estabeleceu-se um generalizado e legítimo sentimento de culpa relativamente ao modo como o Estado olhava as comunidades expatriadas, que o anterior regime obrigara a emigrar e face às quais só se preocupava com as respetivas transferências financeiras. Essa “tragédia” que foi a nossa emigração – como o professor Eduardo Lourenço bem a qualificou – foi um processo que foi imposto a uma geração, que não emigrou por vontade própria. É-se emigrante porque o país no qual fomos criados não nos deu as condições para aí vivermos a nossa vida. Um país que obriga a emigrar é um país que, perante os outros, não se prestigia, porque é visto como incapaz de tratar dos seus. É importante ter isto sempre presente quando se aborda a questão da imagem de Portugal no mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Os emigrantes portugueses são a expressão humana de uma grande aventura, mas de uma aventura trágica. É fundamental que nos lembremos disso na análise que fazemos a este conjunto vasto que é Portugal e o Portugal que vive no exterior.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A “chantagem” a que eu me referia tem a ver com o facto de, perante este complexo de culpa legitimamente criado face aos nossos emigrantes, eles terem sido colocados no seio de uma espécie de “apropriação” político-partidária, ligada à nossa luta política interna. A partir do momento em que os emigrantes votam, põe-se a questão sobre quem os representa melhor, quais as formas de repercutir internamente os interesses que as comunidades migrantes residentes no exterior projetam como sendo os seus, no seu compreensível desejo de maximizar a sua influência. Os partidos competem entre si, às vezes de forma demagógica, pelo potenciar desses direitos dos emigrantes. Tudo começou com a discussão constitucional sobre a representação dos emigrantes na Assembleia da República, depois foi a vez do voto para as eleições presidenciais, para além de outros processos subsequentes de representação institucional – alguns dos quais ainda em curso de discussão. E isso, com naturalidade, projetou-se também em certas políticas públicas que dizem respeito às comunidades.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Para o que nos importa neste colóquio, eu gostaria de lembrar o problema, que diariamente se coloca, sobre o tipo de ensino da língua portuguesa a ministrar às crianças das comunidades no estrangeiro. Não vale a pena esconder que existe aqui uma verdadeira questão a resolver, que não deixa de estar ligada ao modo como lemos as virtualidades da integração dessas comunidades nos países onde estão instaladas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;No olhar político sobre este tema, prevalece uma forte timidez em querer abrir o debate. Não vale a pena esconder que prevalece hoje, nas comunidades portuguesas, uma perspetiva dominantemente conservadora e estática quanto ao modo como o ensino do português deve ser ministrado. Eu não sei – porque não sou um especialista – se essa perspetiva tem razão de ser. O que sinto é que o mundo oficial português – na administração como na política – parece temeroso de abrir uma discussão, por exemplo, sobre se se deve privilegiar o português como língua materna ou se se deve avançar para a consideração preferencial do português como língua estrangeira. Esta é a razão pela qual entendo que uma questão, que é essencial para a definição definitiva de uma linha estratégica para a afirmação da língua portuguesa no mundo, está atualmente refém do receio de estimular um debate, que se sabe que pode ser politicamente polarizado no seio das comunidades. Com toda a franqueza, quero dizer que acho que não tem havido coragem, em qualquer dos lados do espectro político, para forçar este debate, com frontalidade, com argumentação técnica, séria e elaborada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Só através desse confronto aberto de perspetivas serás possível ter uma ideia mais clara sobre se o esforço que estamos a fazer para o ensino do português em países estrangeiros, particularmente no ensino primário, tem algum sentido de utilidade e de sustentação, se os meios que estamos a utilizar e a forma como os utilizamos são aqueles que melhor ajudam ao futuro e à progressão da língua portuguesa nesses países.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Desde que cheguei a França pressenti, de imediato, que esta é uma discussão muito complexa, porque atravessa perspetivas e interesses dentro do movimento associativo e da comunicação social das comunidades. É uma questão que senti que não é cómoda para ser abordada pelos diplomatas portugueses, como aliás o não foi quando a senhora presidente do Instituto Camões suscitou o tema, no início do seu mandato: caiu logo “o Carmo e a Trindade”! Ora esta é uma das questões que, a meu ver, tem uma caráter essencial para a nossa estratégia da língua.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Temos de perceber, de uma vez por todas, o que queremos fazer com o ensino da língua portuguesa, com a importante contribuição dada pelo Estado português para o ensino da língua portuguesa no estrangeiro, em especial ao nível do ensino primário. Porque isto, convém que se saiba, tem depois consequências nos níveis superiores de ensino. Em França, há hoje cerca de 130 professores de português, através de todo o país, coordenados por um serviço em Paris, dependente da Embaixada. Confesso que sinto essa rede de ensino um pouco “solta”, com modelos de avaliação de desempenho que me suscitam algumas dúvidas, as mesmas dúvidas que alimento quanto à capacidade de controlo pedagógico, nomeadamente em matéria de formação e atualização, de muitos desses professores, que atuam em lugares distantes, com escasso contacto personalizado com o serviço coordenador.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Esse trabalho de coordenação, que era feito pelo Ministério da Educação e que agora compete ao Instituto Camões, merece, a meu ver, ser profundamente revisitado e avaliado – e eu presumo no que me estou a meter, ao falar de avaliação de professores...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Exemplos muito interessantes a nível do ensino do português em França são as “secções internacionais” existentes em alguns liceus franceses. Infelizmente são poucas e o universo de alunos é limitado, o que condiciona, por extensão, a progressão suficiente de alunos de português para o nível seguinte, o nível universitário.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;No âmbito das universidades francesas, eu diria que o panorama não é muito brilhante, para além de alguns casos pontuais de sucesso. Temos hoje situações muito variadas, às vezes dependentes da capacidade e prestígio das pessoas que estão a titular os estudos, outras vezes relevando da abertura concedida pelas próprias universidades. Seria muito importante se fosse possível mobilizar os eleitos locais de origem portuguesa, em ligação aos pais, ao movimento associativo e aos “lóbis” que eles conseguissem gerar localmente, forçando o apoio dos “maires”, dos deputados e dos senadores. Mas, para isso, era importante que a comunidade portuguesa funcionasse de forma conjugada, que os portugueses e luso-descendentes se inscrevessem nos cadernos eleitorais, por forma a poderem ter um peso político que conseguisse forçar a abertura de maior espaço para a língua portuguesa, junto de instituições que hoje têm muita autonomia local e regional, pelo que não são suscetíveis de pressão política governo-a-governo. Até no plano “semântico” seria necessário fazer mudanças, por forma a autonomizar os estudos portugueses e do português das dimensões organizacionais marcadas, por exemplo, pela matriz hispânica. Reconheço que é um processo muito complicado, pelo que não consigo estar muito otimista relativamente ao futuro daquilo que é o ensino do português nas universidades de França. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;No entanto, e a outro nível mais comercial, tenho visto uma interessante progressão do interesse pelo ensino do português para adultos franceses, nomeadamente no quadro do Instituto Camões, em Paris. Isso tem menos a ver com Portugal e mais com os interesses de formação linguística com vista aos laços com o Brasil e até com Angola. Este é igualmente um dos caminhos para a afirmação da língua portuguesa no exterior.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Uma das ideias que criei quando estive no Brasil e que se reforçou em mim agora em França é de que temos, cada vez mais, de tratar a questão da língua portuguesa como a questão das expressões linguísticas em  português. E, em particular, temos de saber tratar em conjunto a questão das literaturas que se expressam em português. É preciso colocar a trabalhar em conjunto das Embaixadas da CPLP, temos de assumir que essa é uma tarefa colectiva, que só a sinergia do trabalho articulado dos países que se expressam em português conseguirá dar expressão à língua à escala global. Só dessa forma conjugada será possível garantir que a língua portuguesa virá a ocupar um espaço de natureza cultural, que lhe garanta um suporte institucional sustentado, nomeadamente a nível das universidades e dos centros de estudos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Sem esse trabalho oficial conjugado, tudo se perde. Vale a pena dizer que, em França, vemos um esforço&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&amp;nbsp; magnifico que é desenvolvido por algumas editoras, no apoio e na promoção das literaturas de expressão portuguesa, muitas vezes com o apoio do Instituto Camões ou da Fundação Calouste Gulbenkian. Esta Fundação, numa excelente cooperação e articulação conosco, que quero aqui sublinhar, tem feito um notável trabalho em prol da cultura portuguesa e de língua portuguesa, que a todos nos prestigia. Quero dizer isto de forma clara porque sendo nós um país que parece que faz gala em dividir-se e conflituar, ao menos que, quando, por uma vez, as coisas correm bem, deve congratular-se por isso. Para que sirva de exemplo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Mas eu diria, e para terminar, que tenho a sensação de que falta a tudo isto um grande “empurrão”. E esse grande empurrão tem de se chamar Brasil. O embaixador Alberto Costa e Silva, que está ali na primeira fila, tal como o “embaixador” José Carlos de Vasconcelos – a quem eu teimo em chamar embaixador pelo extraordinário trabalho que tem feito pela lusofonia - sabem bem que, sem o Brasil, sem um forte empenhamento do Brasil no quadro internacional, a promoção da língua portuguesa não dará passos concretos e fortes. Durante anos, e pela minha experiência, o Brasil não teve em grande atenção a expressão internacional do português, como um elemento prioritário para a sua afirmação externa. O facto de o Brasil ter agora nascido para uma visibilidade exterior completamente diferente daquela que tinha no passado começa a dar-lhe uma nova consciência quanto ao modo como deve utilizar a língua. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;E como, como eu costumo dizer, não há nenhuma afirmação externa no Brasil, nomeadamente no aspecto estratégico como potência, que seja contraditória com a afirmação externa de qualquer dos outros países de expressão portuguesa, nomeadamente Portugal, parecem reunidas as condições ideais para trabalharmos em conjunto. E não nos podemos atrasar mais: a luta de afirmação cultural e linguística a nível global está aí, por exemplo na ocupação do espaço da Internet. Isso implica que devamos juntar todos os esforços no sentido de garantir que as expressões culturais em língua portuguesa possam trabalhar de uma forma mais organizada. Às vezes, nem sequer é preciso gastar muito mais dinheiro, é preciso é ter vontade politica para actuar conjugadamente nos fóruns multilaterais, é preciso ter vontade para não sublinharmos excessivamente aquilo que nos pode dividir, em especial as “bizantinas” questões em torno do acordo ortográfico. Esta parafernália de discussão sobre as maneiras diferentes de escrever a língua portuguesa é um debate inútil. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;E, repito, seria muito importante que as embaixadas dos países de língua portuguesa recebessem instruções concretas para trabalharem em conjunto, para estabelecerem programas de promoção cultural conjugados, que pudessem pôr em evidência os seus romancistas e os seus poetas, que se exprimem nas diversas formas que pelo mundo a nossa língua toma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Era isto que pretendia dizer-lhes, em função da minha prática como embaixador. Em síntese, que devemos, cada vez mais, jogar com verdade nas questões da promoção e ensino da língua e não nos deixarmos aprisionar por lógicas de natureza política, por comodismo e por falta de frontalidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Muito obrigado pela vossa atenção.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;*&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt; Intervenção de improviso no painel "Diáspora e Emigração", no Encontro Internacional "Língua portuguesa e culturas lusófonas num universo globalizado", organizado pela União Latina e pela Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, em 25 e 26 de outubro de 2010.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-1400460794960264125?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/1400460794960264125/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2010/10/lingua-e-as-comunidades-portuguesas.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/1400460794960264125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/1400460794960264125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2010/10/lingua-e-as-comunidades-portuguesas.html' title='A Língua e as comunidades portuguesas'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-6682798393198411323</id><published>2010-10-03T23:34:00.002+02:00</published><updated>2010-10-03T23:39:51.894+02:00</updated><title type='text'>República e liberdade</title><content type='html'>&lt;meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="Content-Type"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Word.Document" name="ProgId"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 11" name="Generator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 11" name="Originator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CMNE%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;o:smarttagtype name="metricconverter" namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */ @font-face	{font-family:Georgia;	panose-1:2 4 5 2 5 4 5 2 3 3;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:roman;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:647 0 0 0 159 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-parent:"";	margin:0cm;	margin-bottom:.0001pt;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:12.0pt;	font-family:"Times New Roman";	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";	mso-ansi-language:FR;}p.MsoHeader, li.MsoHeader, div.MsoHeader	{margin:0cm;	margin-bottom:.0001pt;	mso-pagination:widow-orphan;	tab-stops:center 212.6pt right 425.2pt;	font-size:12.0pt;	font-family:"Times New Roman";	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";	mso-ansi-language:FR;}@page Section1	{size:595.3pt 841.9pt;	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;	mso-header-margin:35.4pt;	mso-footer-margin:35.4pt;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Há já algumas semanas, o Presidente da Câmara de Vila Real teve a amabilidade de me convidar para intervir, falando da nossa República, por ocasião do descerramento de uma lápide junto à casa em que os republicanos de Vila Real se reuniam, faz agora 100 anos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;No momento, eu não tinha a menor ideia onde essa casa se situava. Vim depois a saber que era na rua Avelino Patena, a velha “rua da Travessa”. Perguntei, então, qual era o número da porta. Hesitava-se entre o 44 e o 46. Dias depois, confirmou-se: era o número 44.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Fiquei satisfeito, porque essa foi, precisamente, a casa onde eu nasci. Quando o convite me foi formulado, ninguém tinha consciência desta espantosa coincidência. E, por esta razão, o convite deixou-me, como é natural, ainda mais feliz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Celebramos agora o facto de, há 100 anos, a República, em Vila Real, ter também – se assim se pode dizer – nascido nesse lugar. A cidade junta-se, assim, a um conjunto alargado de celebrações que, um pouco por todo o país, marcam o centenário da revolta republicana de 1910.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Nessas comemorações, e talvez não por acaso, tem sido dada uma ênfase muito especial às caraterísticas do regime parlamentar que, depois de 1910, foi instalado em Portugal, por cerca de 16 anos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;É natural que a sociedade que emerge do ato revolucionário seja a primeira a ser identificada com esse mesmo ato. Mas o que já acho menos natural é que se procure colar, quase exclusivamente, a imagem da República às dificuldades e peripécias que ela viveu nesses 16 anos, não olhando, com o mesmo cuidado, para o percurso futuro dos ideais republicanos no seio da sociedade portuguesa, nos 84 anos que se seguiram a essa experiência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Ao deixarmos que as coisas assim se processem, não estamos a fazer nada mais do que aquilo que o Estado Novo, e outros inimigos da República, não tenham teimado em fazer, ao longo dos tempos, com uma pedagogia negativa, de diabolização das ideias republicanas e de ataque às forças partidárias, que teve êxito na mentalidade de algumas gerações.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;É um facto que a I República portuguesa criou um regime que veio a revelar-se instável – embora convenha dizer, desde já, que muita dessa mesma instabilidade acabou por ser provocada pelos inimigos da República, pelos derrotados do 5 de Outubro, e que, igualmente, nela se refletiu a caótica herança deixada pelo regime que nesse dia foi derrubado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Há ainda que lembrar, porque alguns o procuram deliberadamente esquecer, que Portugal vinha de quase um século de objetivo declínio, enquanto país. A independência do Brasil, em 1822, que foi durante muito tempo a nossa verdadeira grande colónia, consagrou um momento de rutura, sem recuo, para os interesses económicos de Portugal. A morte do dom João VI marcou o fim do Antigo Regime, abrindo caminho a uma guerra civil muito sangrenta – a última que teve lugar em Portugal. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;A vitória do liberalismo, no fim desse combate de alguns anos, representou a tentativa de implantar uma primeira gestão democrática, com escrutínio parlamentar. Esse foi um momento muito importante de colagem do país à modernidade política. Mas o liberalismo acabou por não representar a salvação automática da Pátria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Todo o resto do século XIX, bem como a primeira década do século XX, correspondeu a um período de forte conflitualidade político-partidária, de grande instabilidade governativa, de emergência de novos atores económicos e sociais, todos com ambições de representação no seio do sistema. Os vícios dessa primeira grande experiência parlamentar foram descritos, de forma insuperável, por Eça de Queirós, que ganharia agora em ser revisitado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Mas os políticos e os seus partidos não foram os únicos intérpretes da representação e da coreografia prevalecente no regime de então. A benevolência histórica dos portugueses tende, quase sempre, a absolver os monarcas de responsabilidades nos episódios mais negros que ocorreram nesse período.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Mas convém sermos claros, de uma vez por todas: a memória dos reis que alicerçaram a nossa magnífica História, e que ao país prestaram serviços extraordinários desde a nossa existência como nação, foi muito mal servida pelas figuras que o final da dinastia de Bragança proporcionou ao país, enquanto monarcas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Nestes últimos anos, temos vindo a assistir em Portugal à emergência de uma certa historiografia revisionista e saudosista, que tem procurado branquear as responsabilidades dos últimos monarcas portugueses, atenuando as acusações à sua falta de liderança, explorando um certo “glamour” que, no imaginário popular, se associa às cortes, às princesas e aos reis. Essa escola de fabricação de memória, que tem estado particularmente ativa neste último ano – em livros, jornais e blogues –, esquece deliberadamente o triste alheamento de alguns desses monarcas perante a degradação do país, o seu diletantismo e desinteresse face aos principais problemas que então atravessavam a sociedade, os escândalos dos adiantamentos financeiros feitos pelo erário à família real, a cumplicidade de monarcas com golpes autoritários, bem como a sua anuência com medidas repressivas já pouco comuns na Europa constitucional da época.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Foi nesse ambiente, onde se refletia a crescente incapacidade da nossa Monarquia para representar os interesses coletivos da sociedade e para sustentar soluções políticas capazes de superar as suas divisões, que se foram criando as condições para o florescimento das ideias republicanas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Antes de ser um sistema político, a República era e é um corpo de princípios. Em Portugal, o republicanismo foi uma linha de pensamento que assentou, originariamente, na afirmação de uma espécie de ética nova de cidadania – numa sublimação, muitas vezes um pouco caricatural e radical, de princípios de organização social e de representação popular que se pretendiam regeneradores da visível situação de declínio que o país atravessava. E essas ideias foram tendo um crescente sucesso na opinião pública porque a Monarquia – aquela Monarquia – se mostrava já claramente incapaz de pilotar uma saída política para a crise portuguesa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Por isso, é importante que situemos o projeto republicano português no mundo desse tempo, marcado pela prevalência simplista de algumas ideias da Revolução Francesa, pela crescente popularidade dos ideários de libertação social, que faziam caminho fácil num novo operariado e em classes urbanas, que tentavam consagrar a sua emancipação política. O radicalismo, alguma crispação e muita agressividade, levados aos extremos e potenciados pela rigidez do sistema, passaram a fazer parte integrante dessa doutrina, com que se procurava consagrar uma nova legitimidade, que pretendia devolver a sociedade aos seus cidadãos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Acresceu ainda, no caso português, a revolta pela humilhação provocada pelo imperialismo britânico em África – o “mapa cor-de-rosa” -, que deixara claros os limites da fraternidade que o Tratado de Windsor proclamava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Por toda a Europa – e Portugal não escapou a isso – uma cultura de violência ligou-se, assim, à ação política. No nosso caso, o regicídio de 1908 foi o tempo mais trágico na expressão concreta dessa conflitualidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Quero com isto dizer que o regime que sai do 5 de Outubro é um sistema político marcado por uma matriz radical que havia sido aculturada nas últimas décadas de um modelo decadente e já sem saída. A prova provada de que o problema residia, então, na própria Monarquia portuguesa é o facto da República portuguesa, ao ser implantada, ter acabado por ser apenas o terceiro regime de matriz republicana existente em toda a Europa, depois da França, em 1789, e do caso muito particular da Suíça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;A chefia do Estado, em todo o resto da Europa, permanecia ainda titulada por reis. E esse ponto também é muito importante para se entender a dificuldade da nova administração republicana de conseguir a sua aceitação e reconhecimento internacional. A classe dirigente de uma nova República, surgida num país pobre da Europa, tinha grandes dificuldades em falar, de igual para igual, com Monarquias ligadas por regulares alianças familiares.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Com exceções a confirmar a regra, podemos dizer que os regimes monárquicos sobreviveram em países onde os respetivos titulares, em momentos decisivos da sua história, souberam colocar-se do lado certo, representando os interesses profundos das populações e as opções corretas para a estabilidade das sociedades. Se olharmos bem para a História, verificaremos que cada uma das Monarquias existentes na Europa se justifica pelo facto dos seus titulares conjunturais terem sabido, no momento certo, afirmar com dignidade os interesses do seu país e do seu povo. E, &lt;i&gt;a contrario&lt;/i&gt;, verificaremos que a imensidão de países que deixaram de ser Monarquias adquiriram o estatuto de Repúblicas muitas vezes pelo facto do seus monarcas, em épocas decisivas, não terem estado à altura de situações com que foram confrontados. Esse foi, claramente, o caso de Portugal. &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Mas voltemos ao 5 de Outubro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;O novo regime republicano que dele sai identifica-se numa ideologia burguesa e urbana que eleva elementos tido como caraterizadores de emancipação popular – de que o laicismo e a aposta na instrução pública eram os vetores centrais – a uma espécie de dogmas de uma nova cidadania, para além do culto e promoção de valores de solidariedade e de responsabilidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Essa marca da República, expressa na tentativa de impor um choque cultural a uma sociedade fechada, predominantemente rural, com grande influência clerical e muito presa a um Portugal tradicional, acabou por ser a fonte de muitos dos erros cometidos pelo novo regime, que atropelou frequentemente, nesse caminho vanguardista, valores como a tolerância e o respeito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;A ele se opuseram, contribuindo também para a sua rigidificação, não só algumas expressões mais reacionárias da sociedade portuguesa – de que o fenómeno proto-fascista de Sidónio Paes é o exemplo mais flagrante – mas, igualmente, os radicalismos esquerdistas, nas suas expressões anarquistas ou tributárias da nova ilusão soviética.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Se a tudo isto somarmos uma entrada mal preparada na I Guerra Mundial, com o louvável objetivo de salvar o que restava do império e da partilha da conferência de Berlim, mas que acabou por potenciar a acrimónia nas Forças Armadas, veremos que estava a ser criado, crescentemente, um ambiente para colocar Portugal pela hora da onda autoritária que então já ia atravessando muito da Europa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;O golpe de 28 de Maio de 1926 é apenas o corolário da mudança na relação de forças interna e na crença da regeneração por via autoritária – é sempre mais simples governar quando se calam violentamente os adversários. E até reduzir o défice!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Mas há uma coisa que devemos ter bem claro: os 100 anos da República portuguesa, ou da República em Portugal, não se esgotam nem se identificam exclusivamente com a experiência parlamentarista iniciada em 1910, esmagada autoritariamente em &lt;st1:metricconverter productid="1926. A" w:st="on"&gt;1926.  A&lt;/st1:metricconverter&gt; nossa República está muito para além desses seus 16 primeiros anos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;A República está bem presente em todos quantos lutaram nas trincheiras do &lt;st1:metricconverter productid="3 a" w:st="on"&gt;3 a&lt;/st1:metricconverter&gt; 7 de Setembro de 1927, está nos combatentes exilados da Liga de Paris, está nas revoltas da Madeira, da Marinha Grande, da Mealhada, da Sé, de Beja, no assalto ao Santa Maria, nas audácias de Henrique Galvão ou Palma Inácio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Está também na coragem dos que assinaram as listas do MUD e que, por isso, sofreram consequências em toda a sua vida futura.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;A República está na vontade cívica que lançou as candidaturas de Norton de Matos, de Quintão Meireles e de Ruy Luís Gomes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Foi a República que trouxe Humberto Delgado ali, à estátua de Carvalho Araújo – ele próprio um homem da República –, no final de uma manhã de 1958, de que fui jovem testemunha, pela mão do meu Pai.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Foi o espírito da República que sobreviveu e alimentou as lutas clandestinas que atravessaram o país durante as décadas da repressão do Estado Novo, nas prisões e nas deportações, de Peniche ao Tarrafal, nos exílios em França, no Brasil ou na Argélia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Foram os ideais republicanos que mobilizaram jornalistas e escritores contra a censura, que estimularam as lutas estudantis e souberam criar uma espécie de contra-cultura que serviu de magma à mudança das mentalidades que foi fazendo o seu caminho nas novas gerações.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Foram os ideais republicanos que primeiro souberam evoluir, entre nós, na perceção da questão colonial, entendendo que os antigos paradigmas não tinham já espaço histórico e que era necessário respeitar o acesso dos outros aos direitos que para nós reclamávamos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;Aqui, em Vila Real, foram os ideais republicanos que, ciclicamente, mobilizaram, em condições de alguma perseguição e pretendido temor, algumas figuras de notável recorte cívico, aproveitando brechas que o Estado Novo por vezes se via obrigado a conceder. Quero lembrar, nesta ocasião, como símbolos dessa luta, os nomes de Otílio de Figueiredo e de António Cabral, que tive o privilégio de cruzar num desses exaltantes tempos da vida que valeram a pena.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;E foram – uma vez mais – os ideais republicanos que animaram quantos, finalmente, se envolveram nessa aventura, magnífica e sem par, que foi o 25 de Abril.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;De lá para cá, mais de 36 anos passados, continuam a ser os princípios republicanos a marcarem a nossa Constituição, a servirem de referente às liberdades que usufruímos, as quais estruturam o nosso sistema político, no qual se procuram, e serão encontradas, as soluções para a crises do nosso quotidiano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;A República, com todos os seus sobressaltos e problemas, continua a ser, entre nós, o outro nome da Liberdade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;*Transcrição da intervenção proferida em 3 de outubro de 2010, por ocasião do descerramento de uma placa alusiva à casa onde se reuniram os conspiradores republicanos, antes da Revolução de 5 de outubro de 1910 &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-6682798393198411323?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/6682798393198411323/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2010/10/republica-e-liberdade.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/6682798393198411323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/6682798393198411323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2010/10/republica-e-liberdade.html' title='República e liberdade'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-5521823077673403443</id><published>2010-09-01T17:48:00.000+02:00</published><updated>2010-09-22T18:03:32.280+02:00</updated><title type='text'>Porquê o Português?</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Se olharmos para as últimas duas décadas da diplomacia dos países lusófonos, facilmente verificaremos que a promoção da língua portuguesa começou a definir-se como um dos eixos comuns da respetiva ação externa. Muitos poderão ver nisso uma reação afetiva face ao próprio idioma, fruto do fim dos traumas coloniais e da recuperação de uma matriz cultural que liga esses países. Não deixa de ser verdade que esse é um elemento a ter em conta, mas não é o único.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A criação da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) não nasceu apenas pela necessidade de institucionalizar um qualquer laço afetivo entre os que se comunicam à volta do Português. Cada vez mais, os países dão-se conta que, para terem peso à escala global, têm de estruturar novos modelos de articulação político-diplomática. Para tal, têm de os fazer assentar em terrenos que afirmem uma identidade específica, que possa ser valorada como tal. A língua e a cultura são uma área de excelência para a afirmação dessa identidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Se fosse necessária uma prova para o “poder da língua”, bastaria lembrar que o Brasil, que durante muitas décadas não se preocupou excessivamente com a promoção do Português, aparece hoje – num momento em que as suas legítimas ambições de potência se afirmam com vigor – como um dos principais divulgadores da nossa língua comum, insistindo, por exemplo, na sua consagração nas organizações multilaterais e no seu ensino nos países vizinhos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Com isto quero dizer que o conhecimento da língua portuguesa é hoje, para além de um registo importante de memória e de culto de identidade, um instrumento que permite, a quem o possui, aceder a um espaço muito interessante no quadro das grandes línguas internacionais de cultura. Há no mundo línguas que são muito mais faladas do que o português – como o chinês, as línguas hindustânicas, o árabe ou o russo – mas nenhuma delas tem uma expressão cultural universal à escala do português. A este só se comparam o inglês, o espanhol e o francês, sendo que, desta última língua, há muito menos falantes nativos que do Português.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Falar Português é um valor acrescentado na sociedade moderna, tanto mais que a nossa língua permite um acesso relativamente fácil ao espanhol. Se hoje olharmos para o mundo económico internacional, facilmente deduziremos das vantagens que derivam, para um qualquer cidadão, de saber falar português.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Os luso-descendentes têm assim todo o interesse em garantir, lado a lado com o francês e com a língua franca universal que é hoje o inglês, conhecimentos básicos da língua portuguesa. Se devem aprender a língua como materna ou como idioma estrangeiro, essa já é uma questão técnica que haverá que discutir.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;* Publicado na revista "CAPMAG", nº 192, Setembro de 2010&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-5521823077673403443?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/5521823077673403443/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2010/09/porque-o-portugues.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/5521823077673403443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/5521823077673403443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2010/09/porque-o-portugues.html' title='Porquê o Português?'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-1433117423914023353</id><published>2010-07-01T22:30:00.000+02:00</published><updated>2010-07-06T22:34:43.029+02:00</updated><title type='text'>A diplomacia portuguesa e a Europa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Será interessante fazer-se, um dia, um estudo cuidado sobre o percurso da ideia europeia no seio da Administração Pública portuguesa e, muito em particular, no pensamento em matéria de política externa gerado no Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE). Enquanto tal não tem lugar, teremos de nos contentar com leituras algo impressionistas, muito tributárias de experiências pessoais, com todos os riscos inerentes à limitação que esse tipo de visões tem. É o que aqui hoje faço.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entrei para a carreira diplomática portuguesa imediatamente após o 25 de Abril, num tempo em que o lema “A Europa está conosco” andava pelas paredes e em que o Portugal democrático se mobilizou, com empenhamento, para vir a ser aceite na então CEE. Nesse tempo, trabalhei na Noruega, onde o tema europeu, depois do referendo de rejeição da adesão, era altamente polémico. Mais tarde, tive a oportunidade de fazer parte da primeira estrutura que, no âmbito do MNE, foi criada para acompanhar a presença efetiva de Portugal nas instituições europeias. Nos anos seguintes, noutras funções, envolvi-me, de muito perto, nas políticas comunitárias de ajuda ao desenvolvimento, passando a ser um visitante frequente das instituições europeias. Em Londres, no Estado membro com uma posição idiossincrática mais marcada face à Europa, segui a primeira presidência europeia de Portugal e o intenso debate interno que culminou com o afastamento de Margareth Thatcher. Foi o interesse pela Europa que me fez depois regressar a Lisboa, para passar a assumir responsabilidades dirigentes na área dos assuntos europeus, inicialmente como diplomata, depois em funções políticas por mais de 5 anos. Desde então, a Europa “persegue-me”, de que é prova o que tenho publicado. No termo deste percurso, confesso-me hoje um convicto europeu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas sê-lo-ia, no início da minha carreira? E era-o a diplomacia portuguesa, em geral? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;A ditadura e a Europa&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A ditadura portuguesa havia ficado à porta do processo integrador que, nos anos 50, se começou a desenhar no continente, no quadro da Guerra Fria e do renascimento sócio-económico subsequente à tragédia que devastara a Europa, mas que não afetara diretamente Portugal. As instituições europeias, para além de trazerem consigo um modelo atípico de relacionamento entre os Estados, tinham, para o poder político do Portugal de então, o “defeito” de exigirem a adoção de um padrão democrático. A NATO, por um pragmatismo tributário da realpolitik, não tivera esses rebuços e deixara conviver o autoritarismo salazarista com regimes de liberdade. Mas, para o que realmente contava em termos da progressiva integração do continente, Portugal e Espanha permaneciam como uma espécie de grande “aldeia de Asterix”, na periferia europeia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A rigidez da política colonial portuguesa, que é, ao mesmo tempo, uma consequência da ditadura e um fator protetor da mesma, fez com que a nossa diplomacia tivesse de se adaptar àquilo que lhe era então pedido: defender e promover uma política internacionalmente impopular e inexequível a prazo. Os executores práticos da nossa política externa levaram a cabo essa função com uma qualidade técnica indesmentível, com um profissionalismo notável. Toda a carreira diplomática portuguesa soube colocar-se ao serviço da execução dessa política oficial. Mas nem todos os diplomatas pensavam dela exatamente o mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dentro da diplomacia portuguesa, sem que tal correspondesse necessariamente a fronteiras ideológicas bem definidas, cedo ficou patente a emergência de um grupo de funcionários que começou a ver para além da cegueira ultramarinista e a perceber que, logo que diluído pela História o resto do sonho imperial, o terreno europeu seria aquele em que o futuro natural do país iria ser jogado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse é o tempo em que emergem, no MNE, mas igualmente no Ministério das Finanças e outros departamento económicos, também ligados à Presidência do Conselho de Ministros, alguns técnicos que olham já as coisas europeias como fazendo parte do nosso inevitável destino. A adesão e participação na EFTA é o movimento que impulsiona essa nova cultura, no seio da qual alguns sonham com uma vinculação, mais cedo ou mais tarde, às políticas de integração.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A “escola europeia” dentro do MNE foi, até 1974, ultraminoritária e, por vezes, vista com alguma desconfiança pelos setores tradicionais da “carreira” – muito marcados, como referi, pelo modelo de defesa da política colonial, então preponderante. Mas a verdade é que não houve nunca um confronto aberto entre estas duas tendências, que conviveram de forma relativamente pacífica, sempre com os europeístas a encontrar conforto em personalidades, de raíz política ou técnica, que emergiam em alguns ministérios sectoriais, mais reforçados no tempo “marcelista” da ditadura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Depois de abril&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É o 25 de abril que altera radicalmente a relação de forças dentro do MNE. Anulada que ficou, pelo peso dos factos, a “escola ultramarinista”, a Europa surge como o espaço óbvio de afirmação externa do novo regime democrático, onde foram buscados os principais apoios práticos para a sua solidificação e muitos dos princípios que estruturavam o seu discurso. Como é óbvio, isso trouxe um alento novo a quantos, dentro do MNE, consideravam importante garantir condições para, a prazo, conseguir consagrar a nossa futura adesão às instituições europeias. Por essa razão, é perfeitamente natural que esse núcleo de funcionários tenha adquido uma preponderância no quadro de chefias em que o novo poder político se passou a apoiar preferencialmente. De um momento para o outro, a “Europa” passou a ser vista, dentro da carreira, como um dos espaços profissionais de futuro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse novo contexto, tem lugar um fenómeno de cooptação que pode ajudar a explicar muito do que acabou por ser a nossa presença inicial nas instituições comunitárias, bem como a primeira formulação doutrinária europeia dentro do MNE. Os “euroentusiastas”, cuja formação técnica era então muito voluntarista e algo impressionista, alcandorados na hierarquia, iniciaram um processo de seleção de colaboradores que, naturalmente, privilegiou jovens e qualificados diplomatas, seduzidos pela nova área diplomática que se desenhava como prioritária. Também estes, porém, na sua esmagadora maioria, eram tributários de uma ideia da Europa de raiz apenas intelectual, em que o pensamento soberanista prevalecia, em absoluto, sobre qualquer filosofia integradora de natureza federalista ou outra. Seriam alguns desses diplomatas que viriam a assumir posições hierárquicas de responsabilidades na nossa política europeia nas duas décadas seguintes. E isso não deixaria de ter algumas consequências, nem sempre as melhores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante muito tempo, em especial durante o longo processo de adesão, a política europeia mantinha ainda os seus “dois pés” tradicionais na Administração Pública portuguesa: o MNE e o Ministério das Finanças. O processo de adesão foi negociado sob essa tutela dual, embora de uma forma nem sempre harmónica, por vezes arbitrada na instância governamental superior. Esses dois mundos só se vêm a conjugar institucionalmente na nova estrutura criada em finais de 1985, que viria a comportar também quadros técnicos oriundos de outros ministérios que haviam estado envolvidos nas negociações da adesão. Essa nova estrutura – a então Secretaria de Estado da Integração Europeia (SEIE) -, que deu ao MNE um forte papel coordenador, seria a primeira instância de convivência de todas as valências que iriam ser relevantes na política europeia do país.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Diplomatas e técnicos&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para o que aqui nos importa – os diplomatas e a política europeia – vale a pena dizer, em abono da verdade, que os funcionários oriundos da carreira diplomática se mantiveram quase sempre “acantonados”, no seio dessa SEIE, em departamentos mais próximos daquilo que era a matriz tradicional da sua ação – questões institucionais e relações bilaterais intraeuropeias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A SEIE foi, contudo, o grande espaço de aculturação do trabalho comum de técnicos de diversas extrações com diplomatas com diferentes formações. Ao olhar para trás, tenho hoje o sentimento de que esse processo de ação conjunta não foi conduzido da melhor forma e, em especial, não se conseguiu que ele tivesse sido um fator de aperfeiçoamento funcional de que todos pudessem beneficiar e em que o MNE pudesse ganhar uma escala e sinergia à altura do desafio com que estava confrontado. Concedo, contudo, que essa possa não ser a visão de muitos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na cultura tradicional do MNE, a “política” – tida esta pela elaboração teórica em temas internacionais mais tradicionais – teve sempre uma prevalência óbvia na hierarquia temática interna, onde as áreas ligadas às questões económicas padeceram sempre de uma certa desvalorização na psicologia coletiva. Não obstante uma recorrente retórica no sentido da promoção da “diplomacia económica”, que passou a integrar o “politicamente correto” dos diversos governos, a verdade é que foi sempre muito difícil convencer a maioria dos diplomatas a interessarem-se pela negociação de posições pautais agrícolas ou pelo Mercado Interno, em detrimento de temas “nobres”, como o Kosovo ou a questão timorense. Em perspetiva, entendo hoje que foi essa atitude, para além doutros fatores conjunturais, que contribuiu para a progressiva perca de importância do MNE no trabalho interministerial de coordenação dos temas europeus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;A formação dos diplomatas&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com a nossa adesão à então CEE, os assuntos europeus passaram a estar no centro dos requisitos dos novos diplomatas admitidos no MNE. Isso foi facilitado pelo facto do ensino universitário, embora muitas vezes numa perspetiva excessivamente teórica, ter enveredado por uma maior atenção às questões da Europa. Também no quotidiano do trabalho do MNE, a “decifração” das questões europeias tornou-se essencial e facilitou progressivamente a generalização de um conhecimento global sobre os principais dossiês, em especial os de matriz política mais acentuada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma observação empírica reforça-me, contudo, a convicção de que a aculturação dos diplomatas portugueses à matriz europeia se fez, essencialmente, pela via da Política Externa e de Segurança Comum, através da partilha de uma espécie de “jurisprudência” diplomática que conduziu as Necessidades a um olhar sobre temas e áreas geográficas que, durante muito tempo, não faziam parte das linhas de interesse prioritário da política externa portuguesa. Assim, o facto de muitas das grandes questões de política internacional passarem por um debate em Bruxelas fez com que os nossos diplomatas começassem, com naturalidade, a sentir a necessidade de incorporar a dimensão comunitária sempre que tais temas eram abordados, o que chegou mesmo a ser válido para alguns assuntos que, anteriormente, estavam sujeitos, prioritariamente, à pura lógica bilateral – de que o caso das relações luso-espanholas é talvez o mais evidente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Também a necessidade da “coordenação comunitária”, em todas as instâncias multilaterais onde a diplomacia portuguesa passou a atuar, acabou por criar, não apenas um modelo de trabalho diverso, mas igualmente uma tendencial cultura comum de comportamento e reação. Aos diplomatas portugueses não passou, necessariamente, a aplicar-se uma espécie de “template” europeu, mas passou a ser sempre exigível uma visão europeia dos temas abordados no seu quotidiano. E isso, queiramos ou não, alterou o olhar português sobre muitas questões, para além de o despertar para outras. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixo uma nota final para sublinhar o papel extremamente positivo que representa a presença conjunta de técnicos e diplomatas na Representação Permanente (Reper) que Portugal mantém em Bruxelas. Foi nela que muitos diplomatas ganharam um conhecimento prático das grandes questões técnicas europeias, que enriqueceu a sua formação e que tem sido de extrema utilidade para o desempenho do MNE neste domínio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(A pedido do autor, este artigo segue as regras do novo Acordo Ortográfico)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-1433117423914023353?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/1433117423914023353/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2010/07/diplomacia-portuguesa-e-europa.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/1433117423914023353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/1433117423914023353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2010/07/diplomacia-portuguesa-e-europa.html' title='A diplomacia portuguesa e a Europa'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-5838074877334854004</id><published>2010-04-16T03:57:00.000+02:00</published><updated>2010-04-16T18:01:09.569+02:00</updated><title type='text'>A Europa e a política externa da Administração Obama</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Intervenção do embaixador Francisco Seixas da Costa, &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;no Fórum Franklin D. Roosevelt, organizado pela Fundação Luso-Americana, &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Ilha Terceira, Açores&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desejo começar por agradecer a gentileza deste convite da Fundação Luso-Americana e dizer que é com imenso prazer que participo nesta iniciativa. Há dias, dei por mim a pensar que os Açores, pela sua singularidade e importância estratégica, são talvez a única região portuguesa que verdadeiramente justifica que desenvolva uma análise própria e individualizada em termos geopolíticos, se descontarmos as especulações em torno do potencial, nem sempre confortável, de uma eventual relação africana da Madeira. Por essa razão, julgo que uma cada vez mais regular convocação, aqui nos Açores, de fóruns de reflexão estratégica se justificaria e deveria ser oficialmente incentivada. E essa é mais uma razão para felicitar a FLAD por esta iniciativa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou aqui a título pessoal. O que vou dizer vincula-me apenas a mim. Mas, naturalmente, não esqueço o meu estatuto profissional e, na liberdade do que exprimo, tenho em devida conta as orientações oficiais da política externa portuguesa a que estou subordinado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante estes dias, temos refletido sobre as relações transatlânticas e procurado projetá-las na dinâmica de uma ordem mundial em mutação acelerada. Este é um exercício com um elevado coeficiente de risco, porque os factos são sempre muito mais imaginativos que os homens e porque, como se sabe, é uma ilusão vã pretender retirar, do passado, ilações mecânicas para o futuro. Verdade seja que, se assim não procedêssemos, estaríamos a dar razão àquele conhecido visionário que dizia que só fazia prognósticos depois do jogo…&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se há uma temática que, ao longo dos anos, se tornou numa espécie de “policamente correto” para o trabalho dos “think tanks” portugueses essa tem sido a relação transatlântica e o papel de Portugal nesse contexto. Isto tem a ver com as Lajes, com os Açores, com a NATO e com a necessidade, quase obsessiva, que o nosso país tem de afirmar, ao longo dos anos, a especificidade das suas relações com os EUA – quer os EUA tomem disso conhecimento ou não…&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque o desequilíbrio de interesses das duas partes é imenso, há que constatar, com realismo, que essa reflexão resultou, quase sempre, num mero olhar unilateral, num simples olhar português. Nada disto é espantar, se atendermos ao facto de que o outro lado do Atlântico, no plano oficial, sempre viu este tema, não sei se com indiferença, pelo menos com uma relativização de interesse muito forte. Talvez por isso, esse lado, o lado americano, pouco tem carreado de novo, de útil ou de imaginativo, para esse debate. Esta é a minha opinião.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No plano interno português, tenho a sensação de que essa recorrente e quase obsessiva abordagem da especificidade portuguesa no quadro atlântico parece funcionar, muitas das vezes, como uma cómoda escapatória para evitar abordar essa relação bem mais próxima, muito mais complexa e muito menos óbvia – a nossa relação intraeuropeia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É que, no primeiro caso, estamos no “safe side”: salvo alguns auto-excluídos por viés ideológico, o compreensível apreço pelo laço transatlântico é um dado comum a uma larga faixa da opinião portuguesa que se interessa por este tipo de coisas. Já no segundo caso – a Europa –, as sensibilidades internas são diversas, comportam nuances e estão mais sujeitas a variações de humores de conjuntura. Além disso, outros terrenos em que poderíamos especular sobre a nossa projeção de interesses – África, Brasil, Mediterrâneo – incorporam variáveis tão incontroláveis que, em geral, acabam apenas por ser objeto da repetição de uma “langue de bois” que conforta os espíritos para quem a política externa se resume à reiteração do discurso diplomático tradicional.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos, então, ao que hoje e aqui nos interessa: a América e nós.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há dois anos, em Abril de 2008, ao tempo das “primárias” nos EUA, recordo-me de ter dito, numa entrevista televisiva em Portugal, o seguinte: “Uma parte da Europa acabará por se desiludir, qualquer que seja a opção dos americanos na escolha do novo presidente. O futuro presidente continuará a ser o presidente dos americanos e a defender os interesses americanos, não será o presidente dos não-americanos.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao afirmar isso, não tinha a pretensão de estar a “descobrir a pólvora”, estava apenas a relembrar um realidade que sempre se verificou no passado e que, naturalmente, iria também ocorrer desta vez. Devo dizer, porém, que. meses depois de ter dito o que disse, dei comigo a pensar que o fenómeno Obama poderia talvez infirmar, de uma forma inédita, a valia dessa experiência. É que o entusiasmo com que a nova administração e o seu titular foram recebidos, em particular na Europa, parecia ir muito para além do que era normal e ter condições para garantir a fixação de uma atitude muito diferente e com muito maior sustentação no tempo. A atitude diferente confirmou-se. A sustentação no tempo está para verificar, mas não é evidente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que julgo que é uma evidência – dentro e fora dos Estados Unidos – é que grande parte da força da mensagem inicial de Barack Obama teve muito a ver com a procurada imagem de contraste com o seu antecessor no cargo. Para muitos dos aliados europeus, a política seguida por George W. Bush havia representado um imenso trauma. Não obstante, por razões geoestratégicas óbvias e compreensíveis, grande parte da Europa manteve-se “amiga” da América, “malgré Bush”, esperando por melhores dias. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por isso, foi com um imenso alívio que a Europa viu afastar-se qualquer hipótese de uma sua sucessão em moldes que pudessem reproduzir o modelo dos oito anos anteriores. Mesmo John McCain era, no campo republicano, um óbvio candidato anti-Bush.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faço aqui um parêntesis para notar que o conceito de “Europa” que utilizo é um tanto arbitrário e só tem sentido se lido como uma perspetiva maioritária, daquilo que acaba por ter um impacto claro nas tomadas de posição comuns dentro da União Europeia. É que, como adiante veremos, uma parte dessa Europa esteve sempre relativamente confortável com George W. Bush. Às vezes esquece-se isto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O fenómeno Obama, para além da sua importante dimensão intra-americana, foi um curioso espelho daquilo que, aparentemente, grande parte do mundo estava carente. A ideia parecia simples: se os EUA haviam agido por algum tempo como uma hiperpotência unilateralista, capaz de nos impor políticas de que abertamente não gostávamos, então, esse mesmo poder, se viesse a estar ao serviço de uma “política do bem”, acabaria por ir ser a “salvação” para os nossos problemas. Parte da Europa pensou assim. A inédita receção que Obama teve em Berlim pareceu a consagração disso mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A genialidade do discurso de Obama, a sua capacidade de renovar certas reservas de esperança que pareciam já esgotadas nas novas gerações europeias, constituiu um elemento interessantíssimo que permanecerá no “acquis” imaginário europeu, por muito tempo – qualquer que venha a ser o futuro efectivo do seu projeto. É que, com Obama, grande parte do mundo reconciliou-se, embora se não saiba por quanto tempo, com a América. E, nesse mundo, estava grande parte da Europa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Permitam-me que volte um pouco atrás. Como poder europeu que também é – e há muita gente que não gosta da verdade segundo a qual a América é um poder europeu –, os Estados Unidos impõem-se, de há muito, no cenário estratégico do continente. Os Estados Unidos foram decisivos para a condução do continente durante todo o século XX e sabem bem que o seu peso, entre nós, vai muito para além do que alguns europeus gostariam que fosse. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os EUA provaram já que podem contribuir, quando querem e sempre que podem, seja para a nossa união, seja para a nossa dissensão ou a nossa “balcanização” política. Ao estar a falar hoje aqui, precisamente ao lado da base das Lajes, julgo redundante estar a chamar a colação alguns exemplos históricos. Para exercer essa influência, os Estados Unidos contam com a curiosa circunstância de que, praticamente, cada país europeu olha para o “amigo americano”, para utilizar uma expressão do filme de Wim Wenders, de uma forma diversa, em função da sua história própria, do seu processo de relação passada e presente com a América, da sua agenda estratégica nacional, até, mais irracionalmente, dos seus afetos ou dos seus ódios. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim, e pelo efeito decisivo dos tempos que lhe eram imediatamente anteriores, a América de Obama trazia consigo um potencial de sedução muito forte. Num mundo marcado por uma grande angústia em relação ao seu futuro, julgo não ser de estranhar que uma mensagem de esperança e de confiança que era vista como genuína, alicerçada na maior potência mundial, tenha feito o seu caminho, com alguma facilidade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A certa altura, o quase messianismo que se espalhou em torno de Barack Obama quase que me assustou. Não porque essa esperança não fosse um fator psicológico positivo, mobilizante, um saudável choque ético com repercussões à escala mundial, após anos marcados por imensas tensões e a predominância de algum cinismo e oportunismo. A minha preocupação, porém, tinha essencialmente a ver com a consciência de que a realidade acabaria por ser, sempre, muito menos simpática do que a ilusão que fora criada. Assim, porque essa mesma ilusão nunca está à altura das expectativas, o “regresso à terra” torna-se muito mais penoso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem pretender, de forma alguma, desvalorizar o magnífico conjunto de iniciativas – em especial, na área internacional, que aqui me importa – que a administração Obama desencadeou, julgo que me acompanharão num juízo de razoabilidade que aponta para o facto de que a realidade está já, nos dias que correm, um tanto recuada face às expectativas da nova administração americana. A culpa – se, nestas coisas, se pode falar em “culpa” – reside na conjugação de uma multiplicidade de factores, que vão de elementos incontroláveis, em alguma “naiveté”, um excessivo voluntarismo e, muito provavelmente, numa auto-avaliação desproporcionada da própria capacidade operativa americana. Recuperar situações políticas e sócio-económicas, saber encontrar e pôr em prática com sustentabilidade soluções e modelos políticos duradouros, é uma tarefa muito mais difícil do que montar operações militares pontuais, atacar alvos, destruir inimigos. Os EUA estão habituados a ter notável sucesso nestas últimas mas, infelizmente, têm em “record” recente bem frágil nas primeiras. Julgo que seria penoso estar a elencar exemplos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para agravar este prelúdio de desilusão que, a meu ver, começa a tomar forma, existe um erro europeu de base. Em muitos setores europeus, há uma perceção equivocada sobre o modo como os EUA olham o continente e o mundo em geral. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse erro parte da ideia de que as diferenças entre um lado e o outro do Atlântico derivam apenas de agendas não coincidentes, de hierarquias de prioridade diferentes. Sem contestar que isso seja, por vezes, uma verdade, creio que o ponto essencial não está aí. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os EUA olham a sua política externa sob um prisma moral, com uma dose de empenhamento nos seus objetivos que é quase religioso. Na sua perspetiva, os seus interesses, porque são interesses “do bem”, devem passar a ser lidos pelos seus aliados e amigos como interesses comuns. Tenho encontrado diplomatas de países europeus aliados dos EUA que ficam surpreendidos quando um interlocutor americano o pretende convencer de um caminho a seguir com o argumento de que esse é “o interesse americano”. Para um europeu, isso parece arrogância. Às vezes é, mas às vezes não. O interlocutor americano acha óbvio que, tratando-se de um interesse para o seu país, essa deve passar necessariamente a ser uma posição a ser defendida por um país aliado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para os europeus, todas as posições são mais relativas, mais matizadas, feitas de “realpolitik”, de acomodação, de uma mescla de interesses e princípios, frequentemente com assumida hipocrisia no tratamento destes últimos, com vista a acomodar os primeiros. Como a Europa não tem, necessariamente, a certeza messiânica de estar do lado “do bem”, acaba também por ter mais “jogo de cintura” para lidar com os que possam estar do outro lado. Às vezes, explicar isto a um americano é difícil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É desse contraste de olhares que resulta, por vezes, a reação surpreendida da Europa face ao que considera poder ser alguma “naiveté” americana, cuja absolutização de finalidades traz frequentemente agregada uma matriz de imposição pela força dessa vontade, numa espécie de permanente “cruzada”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta modulação de visões não abandonou a América, só porque Obama passou a ser presidente. A América não deixou de acreditar que, em princípio, tem razão nas opções que toma e procura impor, mas terá percebido que tem algum interesse em ter o mundo consigo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguém me dizia ontem, numa conversa, que um dos maiores choques com que certos observadores internos da realidade americana se confrontaram foi com a noção de que, tendo os Estados quase todo o mundo a seu lado no dia seguinte ao 11 de Setembro, desperdiçaram, ingloriamente e em poucos anos, todo esse capital de simpatia e solidariedade, colocando contra si boa parte do mundo, graças ao modo arrogante como pretenderam condicionar tudo e todos. E essa atitude tem um nome: administração Bush.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A administração Obama deu sinais claros de ter percebido esse erro e, desde o início, procurou alterar a rota da atitude americana. O seu discurso foi claro e foi muito bem acolhido. De uma forma talvez mais pronunciada do que em qualquer momento de um passado recente, Washington decidiu levar a cabo um repensar completo de toda a sua filosofia de acção externa, avaliando opções tomadas no antecedente, em matéria militar, diplomática e até de instrumentos do direito internacional. Foi um exercício solitário, bastante mais longo do que seria expectável, o que só prova a sua seriedade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante semanas, teve graça falar com as chancelarias europeias: estavam todas “à espera” da América… Os diálogos com os americanos eram surrealistas: Médio Oriente? “Estamos a rever as políticas” – e o Quarteto parava de tocar. Afeganistão: “Estamos a avaliar” - e a NATO esperava para decidir… &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma pergunta que, por humor, cheguei a colocar foi: “ E nós, União Europeia, também estamos incluídos nesse empreendimento revisionista?” Muitos acharam que isso não tinha sentido: nós somos aliados, quase “taken for granted” perante grande parte das políticas de Washington, as relações conosco não precisam de revisão. E, no entanto, explícita ou implicitamente, alguma coisa mudou também para nós e isso terá a ver, com certeza, com o modo como esta nova América olha hoje a realidade europeia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Embora possa vir a ter perante a Europa uma atitude diferente, há que constatar que nada indica que esta América a veja de forma muito diversa da administração Bush. Por uma razão muito simples: porque a Europa que a América tem perante si é, basicamente, a mesma. Ora os EUA, se bem que tenham perfeita consciência de terem, no espaço europeu, alguns aliados seguros para a consecução de muitos dos seus principais objetivos à escala global, têm hoje uma aproximação muito realista do que esses aliados representam, na prática. Sabem, por exemplo, que salvo situações conjunturais muito específicas, a União Europeia, enquanto tal e por um prazo de tempo que está por determinar, ainda é uma estrutura predominantemente declaratória. As coisas sérias, as que exigem compromissos militares, essas coisas fazem-se através da NATO.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não se peça, assim, que sejam os Estados Unidos a acreditar numa política externa europeia comum, quando são os próprios europeus que, ainda hoje, alimentam por todo o lado muito sérias reticências sobre a capacidade da máquina que a senhora Ashton tem em construção. Seria estultícia pedir aos outros para acreditarem em nós, quando ainda temos mais dúvidas que certezas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ora os Estados Unidos são tudo menos cegos: quando observam a Europa, sabem que os seus principais Estados, numa escala global, são meros poderes médios, mas que, deste lado do Atlântico, se esforçam por fazer o papel de “grandes”. E notam que esses Estados, na sua ânsia de afirmação e de estatuto, pretendem garantir ou obter a sua consagração, individualizada e autónoma, no quadro das instituições globais, contradizendo, na prática, qualquer vocação de expressão política coletiva, através de uma União Europeia que dizem querer reforçar. Esses Estado estão muito longe de se contentarem em ser meros parceiros de valor e peso idêntico aos restantes. Para utilizar uma frase histórica, os EUA já perceberam que na Europa, há quem queira “to punch above its weight”. E que esses parceiros desejam poder contar com a ajuda de Washington para perpetuar esse estatuto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas os Estados Unidos sabem também que uma outra parte da União Europeia olha para a própria organização como ela é, de facto, por ora é: como um mero “soft power”. Há países, desde lado do Atlântico, que, estribados nas duras lições que aprenderam na Guerra Fria, têm consciência que, se acaso novas tensões emergirem do lado russo, o único poder com capacidade decisória – e que “means business” – a que, pelo menos teoricamente, será possível apelarem são os EUA, nomeadamente através da NATO.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta importância que a Europa se dá a si própria, e que deseja ver reconhecida pelo EUA, confronta-se com realidades muito concretas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Washington não necessita hoje da União Europeia para lidar com a Rússia. Se, ao tempo da Guerra Fria, Washington podia contar, quase sempre, com a Europa comunitária para acomodar as tropas diplomáticas e legitimar as suas iniciativas autónomas no confronto Leste-Oeste, desta vez, há por este lado do Atlântico “várias Europas” na maneira de olhar a Rússia. E isso como que desvaloriza o papel da Europa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os Estados Unidos terão igualmente interiorizado que as tensões da Guerra Fria, se não desapareceram por completo, mudaram hoje de qualidade. E, por isso, perceberam que dar a mão a uma afirmação de prestígio da Rússia lhes pode trazer fortes dividendos e que pode ajudar a reduzir potenciais tensões. Mas, ao “resolver” bilateralmente o seu possível problema russo, os EUA desencadeiam duas consequências.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por um lado, tornam dispensável um esforço de mobilização dos seus outrora principais parceiros europeus. A União Europeia, porque não constitui, em si, qualquer problema para os EUA e porque não tem hoje qualquer utilidade operativa no quadro relacionamento americano com Moscovo, sente-se assim “orfã” do interesse de Washington. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste quadro, a “special relationship” com o Reino Unido deixou de ser vista, pelo menos por ora, como o braço necessário de controlo americano do processo europeu. A sempre esforçada singularidade da posição francesa parece hoje tornar indiferente a América, ironicamente num tempo em que Paris tentou uma simbólica mudança de atitude, através do regresso à estrutura militar integrada da NATO. Finalmente, a Alemanha, fruto de toda esta conjuntura mas igualmente de uma sua recente e drástica evolução interna, deixou de ser um aliado com a importância tradicional que teve.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A outra consequência tem a ver com a “nova Europa”, para utilizar um conceito que nos coube da pesada herança do sr. Rumsfelt. Essa Europa, que tanto deve à persistência histórica da América a sua libertação da tutela de Moscovo, cuja entrada na União Europeia foi por si saudada, cuja entrada na NATO foi por si promovida – essa Europa sente-se hoje algo desiludida e perplexa. Essa é uma Europa que vive muito uma antiga e quase idiosincrátrica obsessão anti-russa, que assistiu ao que se passou na Geórgia, que viu Obama desistir facilmente do escudo anti-míssil que Bush lhe tinha prometido, que sentiu a diluição da pressão para um futuro alargamento da NATO à Geórgia e à Ucrânia. Como se lhe não bastasse estar a sofrer um escasso entusiasmo, e até irritação, por parte de muitos dos seus parceiros da UE, em face das sua preocupações de segurança e de afirmação identitária relativamente a Moscovo, essa Europa começa a sentir-se como que “traída” com a condescendência da nova administração americana para com os seus contrapartes russos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em todo este contexto, note-se que a Europa tem sempre presentes duas evidências.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A primeira é que não tem qualquer hipótese de, no âmbito da sua ação externa, poder impor internacionalmente, com um mínimo de eficácia, a sua agenda ética de valores, que se esforça por consensualizar laboriosamente no seu seio, se não puder contar, a seu lado, com uns Estados Unidos abertamente empenhados na promoção desse mesmo conjunto de valores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A segunda, que é cumulativa com a anterior, é a constatação de que, para levar a cabo linhas consequentes de acção à escala global, nas condições de legitimidade operativa que a si própria se impõe, necessita de poder servir-se da utilização de instrumentos de natureza multilateral – leia-se, Nações Unidas, onde a boa-vontade americana se torna, em absoluto, essencial. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quero com isto dizer que a Europa está, goste ou não se goste de assumi-lo, refém dos EUA na sua expressão no quadro global. E que, neste quadro, projeta uma imagem que talvez não seja a mais prestigiante. É que se a Europa, para utilizar a expressão de Hubert Védrine, olhava em tempos para os Estados Unidos como a “hiperpotência”, acho que Washington, de forma bem realista, olha para a União Europeia de hoje como uma verdadeira “hiper-impotência”. A sensação com que se fica é que, na perspetiva americana, a União Europeia, enquanto expressão externa de poder, mais não é senão a média aritmética, caso a caso, de uma eventual posição comum das principais diplomacias europeias, a que os restantes membros do clube, na maioria das vezes, não podem fugir, por tropismo grupal ou por ausência de interesses próprios que justifique um ato de dessolidarização. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ora aquilo de que os EUA necessitam dos seus aliados europeus situa-se noutra escala de preocupações estratégicas: está na participação em operações à escalas global, com vista a afrontar os desafios de segurança que a sua cadeia nacional de valores impõe como prioritária, como é o caso do Afeganistão. E isso faz-se através da participação de cada Estado, no âmbito da NATO. Quero com isto dizer muito claramente, para Washington, a União Europeia não é, por ora, um parceiro operativo, credível e em cuja capacidade de decisão vislumbre um mínimo de eficácia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Noto que, com exceção do caso russo e do Afeganistão, quase não referi outras temáticas de interesse internacional onde os interesses europeus e americanos podem cruzar-se ou separar-se: Irão, Turquia, Balcãs, Médio Oriente e, em áreas temáticas, a não-proliferação nuclear, as questões ambientais, o comércio internacional, etc. E alguns outros poderiam ser citados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com variações, constatamos que, nestas como em outras áreas há frequentemente sinais de divergências, formas diferenciadas de acentuação, prioridades não homólogas, modos de atuar menos homogéneos. Com toda a franqueza, devo dizer que não me parece, contudo, que estejamos perante dossiês que se constituam como perigosamente conflituantes. Os Estados Unidos são o mais velho amigo da Europa. Os seus valores e os seus princípio cruzam-se e, as mais das vezes, somam-se. Na minha perspectiva, a existência de uma Administração Obama é um fator positivo para que isso continue a acontecer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-5838074877334854004?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/5838074877334854004/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2010/04/europa-e-politica-externa-da.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/5838074877334854004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/5838074877334854004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2010/04/europa-e-politica-externa-da.html' title='A Europa e a política externa da Administração Obama'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-5993845677472363898</id><published>2010-02-11T09:20:00.000+01:00</published><updated>2010-02-11T02:22:45.960+01:00</updated><title type='text'>A dívida, o Sul e as ideias feitas</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Tradução do artigo publicado em “La Tribune” (11.02.10)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;A dívida, o Sul e as ideias feitas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Francisco Seixas da Costa*&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A crise financeira confirmou a teoria de que as ideias feitas resistem em ser desmentidas pelas evidências, procurando potenciar os argumentos que as permitam sustentar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os preconceitos contra a Europa do Sul são antigos. Quem tiver uma memória não muito distante deve lembrar-se das teses catastrofistas com que foi encarada a adesão de países como Portugal às instituições europeias. E no entanto…&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Portugal veio a provar, não obstante as fragilidades de um tecido económico herdado de uma longa periferização, ser um país responsável, capaz de dar alguns “saltos no tempo”, como hoje é bem patente no seu panorama social e de infraestruturas. Comparar o Portugal dos anos 70 com o país de hoje devia constituir um ponto de partida para todas as análise prospectivas para observadores responsáveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A crise financeira de 2008 encontrou Portugal no meio de um percurso de consolidação orçamental sem precedentes: de 2005 a 2007, num contexto mundial de baixo crescimento, que afectou em particular as economias mais abertas e sem um grande mercado interno, o país reduziu o défice orçamental de 6,1% para 2,6% do PIB. Quantos conseguiram esse feito?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com custos políticos e sociais, foram introduzidas pelo governo português profundas reformas estruturais destinadas a reforçar a sustentabilidade desse esforço de saneamento financeiro. Antecipando aquilo que alguns parceiros vão ter agora de fazer, sob pressão da crise, Portugal fez uma reforma do seu sistema de Segurança Social, que hoje constitui um benchmark internacional. Empreendeu também uma corajosa redução da sua Administração Pública, obtendo uma redução de 11% do peso dos salários da função pública no PIB. Quantos outros países europeus fizeram o mesmo, nesse mesmo tempo? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A crise surgiu nesse percurso de consolidação. Numa “zona euro” que teve, em 2008-2009, uma quebra média de crescimento de 4%, a retracção da economia portuguesa foi, mesmo assim, de apenas 2,6%. A sua taxa de desemprego situou-se dentro da média dessa mesma zona. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um ponto ficou claro: Portugal foi sempre, sem excepção, um cumpridor escrupuloso dos seus compromissos externos. É pena que isto não seja sublinhado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A persistência dos efeitos da crise fez-se sentir nos indicadores macroeconómicos. No caso do défice, que entre 2007 e 2009 subiu em média na zona euro de 5,8% (para 8,6% nos EUA), Portugal afastou-se menos de um ponto percentual para mais (6,7%). &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esses números devem ser lidos à luz de quebras das receitas fiscais, fruto da crise de crescimento da economia, bem como dos recursos afectados a programas públicos dedicados ao seu estímulo. É pelo sucesso destes que, já em 2009, Portugal saiu (simultaneamente com a França e a Alemanha) do estado de recessão técnica. Note-se que, nesse período, a dívida pública manteve-se próxima da média dos países euro (84,4% para 84%).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A vontade de fazer face a esta situação, com medidas realistas num quadro político interno reconhecidamente difícil, levou a um projecto de orçamento para 2010 onde, entre muitas outras medidas, se consagra:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- o não aumento de impostos;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- uma redução do peso da despesa pública no PIB;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- o congelamento dos salários da função pública, bem como outras medidas de contenção dentro da Administração Pública;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- a revisão selectiva dos estímulos económicos, direccionando-os para as áreas de efeito mais imediato sobre o crescimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O objectivo é uma redução do défice de 2010, no caminho para o recolocar, em 2013, no limite de 3% imposto pelo PEC.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguma surpresa foi ver este percurso de determinação e transparência posto de lado pelos responsáveis das agências de “rating”, que parecem determinados a colocar todo o “Sul” da zona euro num mesmo “clube”. Não se trata de um problema de justiça, trata-se de uma questão de rigor. Foi sob o efeito desta manifesta irresponsabilidade que se verificou na passada semana um movimento dos mercados, com efeitos negativos nos “spreads” que afectam a dívida pública portuguesa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Portugal não tem qualquer dificuldade em ser julgado pelas suas performances, que aceita ver comparadas com as de outros parceiros da zona euro. Direi mesmo mais: agradecemos que isso seja feito. O que recusamos é que as ideias feitas estejam a ser um critério técnico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;*Embaixador de Portugal em França&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-5993845677472363898?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/5993845677472363898/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2010/02/divida-o-sul-e-as-ideias-feitas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/5993845677472363898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/5993845677472363898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2010/02/divida-o-sul-e-as-ideias-feitas.html' title='A dívida, o Sul e as ideias feitas'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-5029818809344990532</id><published>2009-12-18T00:42:00.000+01:00</published><updated>2010-01-18T00:25:14.013+01:00</updated><title type='text'>La diplomatie et les entreprises</title><content type='html'>&lt;meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="Content-Type"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Word.Document" name="ProgId"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 10" name="Generator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 10" name="Originator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CADMINI%7E1%5CLOCALS%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */ @font-face	{font-family:Georgia;	panose-1:2 4 5 2 5 4 5 2 3 3;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:roman;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:647 0 0 0 159 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-parent:"";	margin:0cm;	margin-bottom:.0001pt;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:12.0pt;	font-family:Georgia;	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";}@page Section1	{size:612.0pt 792.0pt;	margin:70.85pt 70.85pt 70.85pt 70.85pt;	mso-header-margin:36.0pt;	mso-footer-margin:36.0pt;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;L’année 2009 s’achève avec le surgissement de quelques notes d’optimisme modéré pour l’ensemble des économies de la zone euro, qui signalent la possibilité de pouvoir obtenir les conditions de récupération du chemin de la croissance. Ceci est une bonne nouvelle pour des pays comme la France et le Portugal, dont la sortie de la récession technique a eu lieu en même temps, quoique la capacité de récupération des économies respectives ne puisse être comparée, de la même façon que les effets de la crise sur sa toile économique et sociale ont été différents, notamment en matière d’emploi.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;Dans une situation de normalité et dans le cadre d’une relation économique étroite comme celle qui existe entre le Portugal et la France, marquée par la présence d’entreprises d’un des pays sur le territoire de l’ autre, ainsi que par d’importants flux d’exportation, le travail d’un ambassadeur est de simple «&amp;nbsp;facilitateur&amp;nbsp;» des activités d’entreprises. Notre rôle, pour l’essentiel, est de rechercher de nouvelles opportunités pour les agents économiques, tout en essayant de limiter à un minimum les difficultés de ceux qui se trouvent déjà sur le marché. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;En situation de crise, toutefois, notre activité possède une logique un peu différente, plus complexe et avec un plus grand degré d’incertitude quant aux résultats. D’un côté, nous devons chercher à garantir aux entreprises françaises actives au Portugal qu’elles ont, à tout moment, l’appui et la stimulation officielle portugaise pour poursuivre leurs activités, pour maintenir les postes de travail déjà créés et pour consolider leurs investissements. De l’autre côté, et plus que jamais, il faut être attentif aux nouvelles possibilités qui pourraient s’offrir pour que les nouveaux opérateurs français puissent accéder à notre marché, en explorant les opportunités qui surgissent et les instigations qui pourraient se présenter. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;Ce que je viens de référer a un objectif pratique: faire connaître aux entreprises portugaises et françaises ce que les services de l’Ambassade peuvent faire pour elles. Les agents économiques qui opèrent dans le marché franco-portugais doivent savoir qu’ils peuvent compter sur mon engagement, personnel et institutionnel, dans le but d’accroître leurs affaires. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;De la même façon, et en ce qui concerne les entrepreneurs portugais qui rechercheraient le marché français, notre objectif est de garantir que nos services de promotion commerciale et de l’investissement – le AICEP – soient en mesure de leur fournir tous les instruments de soutien pour qu’ils puissent opérer sur le marché français, en les aidant à trouver les contreparties adéquates et en leur facilitant la “lecture” de ce marché. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;L’année prochaine, aura lieu un sommet bilatéral franco-portugais qui réunira les deux gouvernements dans une réflexion commune qui constitue toujours un stimulant politique pour un ensemble d’actions à développer dans un futur immédiat. J’ai l’espoir que nous puissions donner à cette prochaine réunion un sens très pratique, spécialement par sa concentration dans des domaines opérationnels qui pourront fonctionner comme stimulant pour le renforcement de relations économiques bilatérales. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;Le Portugal et la France, indépendamment de la dimension inégale de leurs économies, ont démontré qu’ils avaient de nombreux points communs pour aborder quelques uns des défis devant lesquels cette crise les a placés. Ce constat a mené à l’adoption de «&amp;nbsp;thérapeutiques&amp;nbsp;» similaires pour faire face à quelques disfonctionnements que les économies respectives ont révélés. Tout indique que, dans le futur, leurs chemins pour la sortie de la crise se retrouveront, d’autant plus qu’ils sont confrontés à quelques désajustements macro-économiques de nature identique. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;Dans tout ce labeur, le rôle de la Chambre de Commerce est vital et central pour les réflexions qui doivent précéder les décisions à prendre au niveau politique, grâce à sa profonde insertion dans la toile constituée par les entreprises portugaises en France et par les entreprises françaises ayant des intérêts au Portugal. J’aimerais qu’il soit très clair que la Chambre de Commerce est aujourd’hui le premier et principal partenaire de l’Ambassade portugaise en France dans cette bataille positive autour de la pleine récupération de la dynamique de l’activité économique bilatérale. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-5029818809344990532?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/5029818809344990532/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2009/12/la-diplomatie-et-les-entreprises.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/5029818809344990532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/5029818809344990532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2009/12/la-diplomatie-et-les-entreprises.html' title='La diplomatie et les entreprises'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4239355229347768929.post-7892486466904882763</id><published>2009-12-18T00:40:00.000+01:00</published><updated>2010-01-10T00:41:26.959+01:00</updated><title type='text'>A diplomacia e as empresas</title><content type='html'>&lt;span lang="PT"&gt;O ano de 2009 termina com o surgimento de algumas notas de moderado optimismo para a generalidade das economias da zona euro, que apontam para a possibilidade de virem a ter condições de recuperar um caminho de crescimento. Esta é uma boa notícia para países como a França e Portugal, cuja saída da recessão técnica teve lugar ao mesmo tempo, muito embora a capacidade de recuperação das respectivas economias se não possa comparar, da mesma maneira que foram diferenciados os efeitos da crise sobre o seu tecido económico e social, nomeadamente em matéria de emprego.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */ @font-face {font-family:Georgia; panose-1:2 4 5 2 5 4 5 2 3 3; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:roman; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:647 0 0 0 159 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal {mso-style-parent:""; margin:0cm; margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:12.0pt; font-family:Georgia; mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; mso-bidi-font-family:"Times New Roman";}@page Section1 {size:612.0pt 792.0pt; margin:70.85pt 70.85pt 70.85pt 70.85pt; mso-header-margin:36.0pt; mso-footer-margin:36.0pt; mso-paper-source:0;}div.Section1 {page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;   &lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;Numa situação de normalidade, e num quadro de relação económica íntima como aquele que existe entre Portugal e a França, marcado pela presença de empresas de um país no território de outro, bem como por importantes fluxos de exportação, o trabalho de um embaixador é de mero “facilitador” das actividades empresariais. O nosso papel, no essencial, é procurar novas áreas de oportunidade para os agentes económicos, tentando limitar ao mínimo as dificuldades dos que já se encontram no mercado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;Em situação de crise, porém, a nossa actividade passa a ter uma lógica um pouco diversa, mais complexa e com maior grau de incerteza de resultados. Por um lado, temos de procurar garantir que as empresas francesas que já operam em Portugal têm, a todo o momento, o apoio e o estímulo oficial português para prosseguirem a sua actividade, para manterem os postos de trabalho já criados e para sedimentarem os seus investimentos. Além disso, e mais do que nunca, há que estar atento às hipóteses que se possam abrir para que novos operadores franceses possam aceder ao nosso mercado, explorando as oportunidades que surjam e os incentivos que possam ser proporcionados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;Do mesmo modo, e no tocante aos empresários portugueses que procurem o mercado francês, o nosso objectivo é garantir que os nossos serviços de promoção comercial e de investimento – a AICEP – lhes possam fornecer todos os instrumentos de auxílio para operarem no mercado francês, ajudando-os a encontrar os contrapartes certos e facilitando a sua “leitura” deste mercado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;O que acabo de referir tem um objectivo prático: deixar claro às empresas, portuguesas e francesas, aquilo que os serviços da Embaixada podem fazer por elas. Os agentes económicos que operam no mercado luso-francês devem saber que podem contar com todo o meu empenhamento, pessoal e institucional, com vista a potenciar os seus negócios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;No próximo ano, irá ter lugar uma cimeira bilateral franco-portuguesa, que reunirá ambos os governos numa reflexão conjunta que sempre constitui um estímulo político para um conjunto de acções a desenvolver no futuro imediato. Tenho esperança que possamos dar a esta próxima reunião um sentido muito prático, em especial pela sua concentração em domínios operacionais que possam funcionar como estimulantes para o reforço do relacionamento económico bilateral. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;Portugal e França, independentemente da dimensão desigual das suas economias, demonstraram ter muitos pontos comuns na abordagem de alguns dos desafios que esta crise lhes colocou. Essa constatação levou à adopção de “terapêuticas” similares para fazer frente a algumas disfunções que as respectivas economias revelaram. Tudo indica que, no futuro, os seus caminhos para a saída da crise se voltem de novo a encontrar, tanto mais que enfrentam alguns desajustes macro-económicos de idêntica natureza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;Em todo este trabalho, para as reflexões que devem anteceder as decisões a tomar a nível político, o papel da Câmara de Comércio é vital e central, em face da sua profunda inserção no tecido empresarial português em França e no empresariado francês com interesses em Portugal. Gostava de deixar muito claro que a Câmara de Comércio é hoje o primeiro e principal parceiro da Embaixada portuguesa em França nesta batalha positiva em torno da plena recuperação da dinâmica da actividade económica bilateral.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4239355229347768929-7892486466904882763?l=ou-quatro-coisas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/feeds/7892486466904882763/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2009/12/diplomacia-e-as-empresas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/7892486466904882763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4239355229347768929/posts/default/7892486466904882763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2009/12/diplomacia-e-as-empresas.html' title='A diplomacia e as empresas'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image r
