8 de junho de 2026

Nas guerras, só a morte é comum

Nas Guerras só a Morte é comum. Dos Arquiduques aos Drones
(Texto baseado numa intervenção realizada na Casa Manuel Teixeira Gomes, em Portimão, em 5 de junho de 2026)

Há uma pergunta que volta sempre que uma nova guerra ocupa o centro das preocupações internacionais: aprendemos realmente alguma coisa com as guerras anteriores?

A questão parece simples, mas a resposta está longe de o ser. O século XX foi, provavelmente, o período mais estudado da história da violência organizada. Conhecemos hoje, com detalhe sem precedentes, as causas da Primeira Guerra Mundial, as condições que favoreceram a ascensão dos regimes totalitários, os mecanismos que conduziram ao genocídio nazi e as circunstâncias que culminaram na utilização de armas nucleares. Há bibliotecas inteiras dedicadas ao estudo dos conflitos, das negociações diplomáticas e das tentativas de construção da paz. E, no entanto, as guerras não desapareceram. Mudaram de forma, mudaram de escala, mudaram de linguagem — mas continuaram a marcar a vida internacional.

Foi essa constatação que me levou a refletir sobre o percurso que vai da Europa de 1914 ao mundo contemporâneo. Não se trata apenas de comparar acontecimentos separados por mais de um século. Trata-se de perceber se existe alguma continuidade entre eles e, sobretudo, de avaliar até que ponto a memória acumulada das tragédias do passado continua a ter um papel útil na prevenção de novas catástrofes.

A figura de Manuel Teixeira Gomes oferece um ponto de observação particularmente interessante para esta reflexão. Diplomata, escritor e futuro Presidente da República, encontrava-se em Londres quando a crise de julho de 1914 mergulhou a Europa numa guerra cuja dimensão poucos conseguiram antecipar. A partir da capital britânica, assistiu ao desmoronamento de uma ordem internacional que, apesar das suas rivalidades e tensões, parecia ainda suficientemente sólida para evitar uma confrontação generalizada entre as grandes potências.

O seu olhar recorda-nos algo que a história tende a confirmar repetidamente: os contemporâneos raramente reconhecem a dimensão das transformações que estão a viver. Muitas vezes, só mais tarde percebemos que determinado acontecimento marcou o fim de uma época e o início de outra.

A Europa de 1914

Vista a partir do presente, a Primeira Guerra Mundial parece quase inevitável. Os historiadores conhecem hoje os sistemas de alianças, os planos de mobilização, as rivalidades imperiais e as crises diplomáticas que precederam o conflito. Conhecem também a sucessão de decisões que, em poucas semanas, transformaram um atentado nos Balcãs numa guerra continental e, pouco depois, numa guerra mundial.

Mas os contemporâneos não dispunham dessa perspetiva. A Europa de 1914 era um continente profundamente integrado. O comércio internacional crescia de forma sustentada. As redes ferroviárias ligavam capitais e regiões distantes. A circulação de pessoas, capitais e mercadorias atingia níveis que muitos observadores consideravam incompatíveis com uma guerra de grandes proporções. Havia mesmo quem acreditasse que a interdependência económica tornara o conflito demasiado dispendioso para ser racionalmente escolhido.

Essa confiança revelou-se ilusória. A crise desencadeada pelo assassinato em Sarajevo do arquiduque Francisco Fernando expôs os limites da racionalidade política quando combinada com mecanismos automáticos de mobilização militar. À medida que os calendários dos estados-maiores avançavam, a margem de decisão dos dirigentes políticos diminuía. Cada passo dado por um país era interpretado pelos outros como uma ameaça que exigia resposta imediata. O resultado foi uma dinâmica de escalada que ninguém pareceu capaz de interromper.

O caso continua a ser um dos exemplos mais estudados dos perigos inerentes à interação entre medo, cálculo estratégico e erro de perceção. Nenhum dos principais intervenientes desejava exatamente a guerra que acabou por ocorrer. No entanto, todos contribuíram para a tornar possível.

Existe aqui uma lição que permanece atual. As guerras nem sempre resultam de decisões deliberadas de agressão. Por vezes nascem da combinação de rivalidades acumuladas, mecanismos institucionais inadequados e interpretações erradas das intenções do adversário. A história internacional está cheia de exemplos em que os atores acreditaram estar a agir de forma defensiva enquanto os seus rivais interpretavam exatamente o contrário.

Outro elemento ajuda a compreender o ambiente intelectual da época. A última grande guerra europeia encontrava-se relativamente distante da experiência da maioria da população. A guerra franco-prussiana terminara em 1871. Os conflitos coloniais, embora frequentes e muitas vezes brutais, eram percebidos como acontecimentos periféricos. A guerra moderna, industrial e prolongada permanecia fora do horizonte de expetativa de grande parte das sociedades europeias.

O imaginário coletivo continuava marcado por uma visão da guerra herdada do século XIX: campanhas relativamente rápidas, heroísmo militar, vitórias decisivas e regresso à normalidade. Poucos imaginavam trincheiras que se estenderiam por centenas de quilómetros, bombardeamentos incessantes e milhões de mortos produzidos por uma combinação inédita de indústria, ciência e capacidade organizativa.

A modernidade europeia descobriu, de forma traumática, que o progresso tecnológico não implicava necessariamente progresso moral.

Portugal e Teixeira Gomes

A posição portuguesa perante a guerra ilustra bem as ambiguidades que caracterizam os pequenos e médios Estados quando confrontados com crises internacionais de grande escala.

Em 1914, Portugal atravessava um período de instabilidade política significativa. A República, proclamada apenas quatro anos antes, procurava consolidar-se internamente e afirmar-se externamente. O império colonial continuava a representar um elemento central da identidade internacional do país, mas também uma fonte permanente de vulnerabilidade.

A guerra colocou imediatamente uma questão fundamental: como preservar os interesses portugueses num conflito dominado por potências muito mais fortes?

A resposta não era evidente. Existiam argumentos a favor da neutralidade e argumentos a favor da participação. Havia quem considerasse que a intervenção militar representava um risco excessivo para um país com recursos limitados. Outros entendiam que a ausência portuguesa poderia comprometer a posição internacional do Estado e enfraquecer a defesa dos seus territórios ultramarinos. O próprio Teixeira Gomes terá hesitado.

Foi neste contexto que o recém-nomeado diplomata desempenhou um papel relevante. Como representante português em Londres, encontrava-se numa posição privilegiada para acompanhar a evolução da política britânica e para avaliar as expectativas do principal aliado histórico de Portugal.

A sua trajetória durante estes anos revela uma característica muitas vezes ignorada quando se fala de diplomacia. Os diplomatas raramente atuam num espaço de liberdade absoluta. Trabalham dentro de constrangimentos políticos, estratégicos e institucionais que limitam de forma muito significativa as opções disponíveis. As preferências pessoais podem influenciar a forma como um problema é abordado, mas dificilmente alteram as responsabilidades inerentes ao cargo. Um diplomata representa o Estado que serve e não apenas as suas convicções individuais.

A experiência de Teixeira Gomes permite observar precisamente essa tensão entre análise pessoal e dever institucional. Independentemente das reservas que pudesse ter relativamente a determinadas decisões, coube-lhe trabalhar para concretizar a política definida pelo governo português.

As consequências da participação nacional na Grande Guerra seriam profundas. O conflito agravou divisões políticas já existentes, colocou sob enorme pressão as finanças públicas e contribuiu para o desgaste da jovem experiência republicana. Seria, naturalmente, simplista atribuir os acontecimentos posteriores exclusivamente à intervenção na guerra. A história raramente funciona através de relações de causalidade únicas. Ainda assim, é difícil ignorar o impacto que os anos de guerra tiveram sobre a fragilidade das instituições portuguesas e sobre o ambiente político que acabaria por favorecer soluções autoritárias na década seguinte.

A experiência portuguesa recorda-nos que os efeitos de uma guerra raramente terminam com o armistício. Os combates cessam, mas as suas consequências económicas, sociais e políticas prolongam-se muitas vezes durante décadas. Em muitos casos, vencedores e vencidos descobrem que a paz levanta problemas diferentes, mas não necessariamente menores, do que aqueles que a guerra procurou resolver.

A paz de 1919

Se a Primeira Guerra Mundial destruiu a ordem europeia do século XIX, a paz de 1919 revelou a dificuldade de construir uma nova ordem sobre os escombros da anterior.

Os dirigentes reunidos em Versalhes enfrentavam um desafio sem precedentes. Tinham de responder ao sofrimento provocado pela guerra, satisfazer as expectativas das opiniões públicas e, ao mesmo tempo, criar condições para evitar um novo conflito. O problema era que estes objetivos nem sempre eram compatíveis.

O Tratado de Versalhes procurou conciliar princípios contraditórios. Por um lado, pretendia afirmar uma nova legitimidade internacional baseada na cooperação entre Estados e no direito dos povos à autodeterminação. Por outro, impunha à Alemanha condições que muitos observadores consideraram excessivamente severas. Mesmo entre aqueles que defendiam a responsabilização alemã pela guerra, existia a consciência de que uma paz percebida como humilhante poderia tornar-se uma fonte de instabilidade futura.

A criação da Sociedade das Nações representou uma tentativa ambiciosa de institucionalizar a segurança coletiva. Pela primeira vez, procurava-se construir um mecanismo permanente capaz de transformar a diplomacia internacional num processo mais previsível e menos dependente do simples equilíbrio de forças entre as grandes potências.

A iniciativa continha uma intuição importante: a paz não podia depender apenas da boa vontade dos governos. Precisava de instituições.

Contudo, as instituições raramente são mais fortes do que o apoio político que recebem. A ausência dos Estados Unidos enfraqueceu desde o início a Sociedade das Nações. A incapacidade de responder eficazmente às crises dos anos 1930 demonstrou que os mecanismos jurídicos e diplomáticos têm um alcance limitado quando não são acompanhados por vontade política suficiente para os sustentar.

A pergunta continua, por isso, a ser pertinente: porque falhou a aprendizagem histórica? Porque não foi a experiência da Primeira Guerra Mundial suficiente para impedir a Segunda?

A resposta não é simples. Durante muito tempo acreditou-se que o conhecimento das consequências de uma tragédia seria, por si só, um poderoso fator de prevenção. A história sugere algo diferente. As sociedades recordam, mas recordam de formas distintas. A memória não produz automaticamente prudência. Pode gerar medo, ressentimento, desejo de reparação ou vontade de revanche. Tudo depende das circunstâncias políticas em que é mobilizada.

Entre 1919 e 1939, a memória da guerra coexistiu com a crise económica, o nacionalismo radicalizado e a erosão da confiança nas instituições liberais. O resultado foi uma combinação particularmente destrutiva.

Talvez a principal lição desse período seja que a memória, por si só, não basta. Para produzir efeitos duradouros, precisa de ser transformada em instituições, normas e práticas políticas capazes de resistir às mudanças de geração e às flutuações da conjuntura.

1945 e depois

A Segunda Guerra Mundial deixou um legado de destruição que ultrapassava tudo o que a Europa e grande parte do mundo tinham conhecido até então. As cidades devastadas, os milhões de deslocados, os massacres alemães e a utilização da bomba atómica colocaram a humanidade perante uma evidência difícil de ignorar: a capacidade de destruição tinha atingido um nível sem precedentes.

A ordem construída após 1945 nasceu dessa consciência. As Nações Unidas foram concebidas não como uma garantia absoluta de paz, mas como um mecanismo destinado a reduzir a probabilidade de novas catástrofes globais. Os seus fundadores conheciam demasiado bem os limites da política internacional para acreditarem em soluções definitivas. O objetivo era mais modesto — e, ao mesmo tempo, mais realista: criar procedimentos, fóruns e regras que tornassem o recurso à força mais difícil e politicamente mais oneroso.

Durante décadas, o sistema pareceu relativamente estável. Essa estabilidade, porém, merece ser observada com alguma cautela.

Vista da Europa Ocidental ou da América do Norte, a segunda metade do século XX foi muitas vezes apresentada como uma era de paz relativa entre as grandes potências. Vista da Coreia, do Vietname, do Afeganistão, de Angola ou de inúmeros outros cenários de conflito, a imagem é bastante diferente. A Guerra Fria não eliminou a violência. Em muitos aspetos, deslocou-a.

Ainda assim, existia um elemento novo que alterava profundamente o cálculo estratégico: a arma nuclear. Pela primeira vez, uma guerra entre as principais potências poderia conduzir não apenas à derrota de um adversário, mas à destruição de todos os envolvidos. A lógica da dissuasão assentava precisamente nesse paradoxo. A paz não resultava da confiança mútua, mas do receio mútuo.

A expressão “equilíbrio do terror” continua a ser uma das descrições mais adequadas dessa realidade. O medo, frequentemente visto como um fator de instabilidade, tornou-se um elemento de contenção. Não porque os Estados se tenham tornado moralmente superiores, mas porque os custos de uma confrontação direta passaram a ser inaceitáveis.

Ao mesmo tempo, o pós-guerra produziu um vasto conjunto de normas jurídicas e políticas destinadas a limitar os excessos da violência. Convenções internacionais, tribunais, mecanismos de monitorização e organizações multilaterais procuraram transformar em regras as lições retiradas das tragédias anteriores.

Mas existe uma diferença importante entre condenar a violência e impedir que ela aconteça.  Ao longo das décadas seguintes, o mundo continuou a assistir a genocídios, limpezas étnicas, massacres e violações sistemáticas dos direitos humanos. Auschwitz, Hiroshima, Ruanda e Srebrenica não pertencem à mesma história, mas lembram uma realidade comum: a capacidade humana para a violência coletiva não desapareceu com a criação de novas instituições. À nossa escala, Wiriamu também mostra isso.

O mundo e a tecnologia

Se um observador de 1914 – imaginemos Teixeira Gomes nesse papel – pudesse visitar o presente, provavelmente reconheceria muitos dos objetivos políticos que continuam a motivar os conflitos. Reconheceria disputas territoriais, rivalidades entre potências, alianças militares e estratégias de influência. Aquilo que lhe pareceria verdadeiramente estranho seriam os instrumentos utilizados.

A tecnologia alterou profundamente a forma como a guerra é conduzida. Durante a Primeira Guerra Mundial, mesmo os sistemas de armas mais avançados permaneciam sujeitos a limitações materiais evidentes. A distância entre a decisão política e o campo de batalha era menor. O combate mantinha uma dimensão física imediata.

Hoje, essa relação tornou-se muito mais complexa. Os drones transformaram a vigilância e a capacidade de ataque. Sistemas de precisão permitem atingir alvos a grandes distâncias com níveis de exatidão antes inimagináveis. A guerra cibernética introduziu novas formas de vulnerabilidade que atravessam fronteiras sem necessidade de deslocação física de tropas.

Mais importante ainda, a difusão tecnológica reduziu algumas das vantagens tradicionais das grandes potências. Capacidades que há poucas décadas exigiam recursos praticamente inacessíveis encontram-se hoje ao alcance de Estados médios e, em certos casos, de organizações não estatais. Isto não significa que o poder militar tenha deixado de ser desigual. Significa apenas que a desigualdade assume formas diferentes.

Existe também uma questão ética que permanece em aberto. Quanto maior é a distância entre quem decide e quem sofre as consequências dessa decisão, mais difícil se torna compreender os efeitos humanos da violência. A tecnologia aumenta a eficácia operacional, mas pode igualmente aumentar a distância emocional entre ação e responsabilidade.

Nenhuma inovação ilustra melhor esta realidade do que a arma nuclear. Apesar de todos os avanços tecnológicos das últimas décadas, continua a ser a existência de arsenais nucleares que distingue fundamentalmente o nosso tempo de qualquer período anterior. A eventual utilização dessas armas não representaria apenas uma repetição ampliada de conflitos passados. Representaria uma rutura histórica de natureza diferente.

As guerras anteriores, por devastadoras que tenham sido, deixaram sempre sobreviventes capazes de reconstruir sociedades, produzir memória e escrever história. Um conflito nuclear em grande escala colocaria em causa precisamente essa continuidade.

A Diplomacia hoje

A diplomacia continua a ser indispensável. Mas as condições em que é exercida mudaram profundamente.

Durante grande parte da história moderna, as negociações decorriam longe do olhar público. Os governos dispunham de espaço para explorar soluções intermédias, testar hipóteses e realizar cedências sem necessidade de justificar cada passo em tempo real. 

Esse espaço diminuiu. A velocidade da comunicação contemporânea cria pressões novas sobre os decisores políticos. Cada declaração é analisada de imediato. Cada negociação gera especulação. Cada concessão corre o risco de ser apresentada como sinal de fraqueza.

Paradoxalmente, dispomos hoje de mais informação do que nunca e, ao mesmo tempo, de maiores dificuldades em construir consensos. A abundância de informação não produz necessariamente melhor compreensão. Muitas vezes produz fragmentação, polarização e saturação.

O caso de Gaza tornou esta realidade particularmente visível. Nunca um conflito tinha sido acompanhado por tanta quantidade de imagens, testemunhos e documentação produzidos em tempo quase real. Hospitais, bairros destruídos, vítimas civis e operações militares foram observados por milhões de pessoas em todo o mundo. 

No entanto, a visibilidade não gerou automaticamente capacidade de ação nem mobilização de uma vontade capaz de travar o óbvio genocídio que ali estava a ser perpetrado, ironicamente executado por uma entidade estatal que se auto-exclui sem pejo da observância do Direito Internacional, sob um excecionalismo moral assente numa tragédia histórica que marcara a sua génese.

A documentação do sofrimento não garante uma resposta política proporcional. Em certos casos, a repetição contínua das imagens produz até o efeito inverso: a normalização gradual daquilo que deveria permanecer intolerável. Esta é uma das contradições mais desconfortáveis do nosso tempo: sabemos mais sobre o sofrimento alheio do que qualquer geração anterior. Isso não significa que estejamos mais preparados para o impedir.

O regresso da competição

Durante algum tempo acreditou-se que o fim da Guerra Fria inauguraria uma era relativamente previsível. A expansão da globalização económica, o fortalecimento das instituições multilaterais e a crescente integração dos mercados pareciam apontar nessa direção. Hoje, essa expectativa provou ser excessivamente otimista.

Os Estados Unidos continuam a ser a principal potência mundial, mas enfrentam desequilíbrios internos inéditos que afetam de forma significativa a sua autoridade moral como referência democrática internacional, com efeitos na sua capacidade de liderança. A China consolidou-se como um ator central da economia internacional e procura traduzir essa posição em influência política e estratégica. A Rússia, apesar das limitações evidenciadas pela guerra na Ucrânia, mantém capacidades militares e nucleares que lhe conferem um papel ainda incontornável. O resultado é um sistema mais complexo do que aquele que caracterizou a Guerra Fria.

A bipolaridade tinha os seus perigos, mas apresentava uma certa clareza estratégica. Os principais atores conheciam-se relativamente bem e compreendiam os riscos de uma escalada descontrolada. O cenário atual é menos previsível.

A guerra na Ucrânia demonstrou que os conflitos territoriais de grande escala continuam a ser possíveis na Europa. As tensões em torno de Taiwan colocam questões que envolvem diretamente uma potência nuclear e uma das regiões economicamente mais importantes do planeta. O Médio Oriente permanece marcado por fragilidades crónicas capazes de produzir repercussões muito para além da região.

Nenhum destes problemas existe isoladamente. Todos interagem num contexto internacional em transformação, onde as instituições criadas após 1945 enfrentam dificuldades crescentes para responder às expectativas colocadas sobre elas.

O percurso do último século sugere uma conclusão simultaneamente simples e inquietante. Sabemos hoje muito mais sobre as causas das guerras do que sabiam os contemporâneos de 1914. Conhecemos os efeitos da escalada militar, os riscos do nacionalismo radical, os perigos da desumanização do adversário e os custos humanos da violência organizada. No entanto, esse conhecimento não eliminou a possibilidade de novos conflitos.

A memória é indispensável, mas, infelizmente, prova não ser suficiente. As sociedades recordam as catástrofes do passado. O problema está em transformar essa recordação em comportamentos políticos consistentes. Quando as instituições enfraquecem, quando a confiança entre Estados diminui ou quando os incentivos estratégicos favorecem a confrontação, a memória perde parte da sua capacidade preventiva.

O desafio do presente não consiste apenas em compreender melhor o passado. Consiste em criar mecanismos capazes de responder a um contexto que combina rivalidade entre grandes potências, inovação tecnológica acelerada e uma circulação de informação sem precedentes históricos.

Foi precisamente por isso que a evocação de Manuel Teixeira Gomes serve, nos dias de hoje, mais do que um propósito comemorativo. O diplomata que observou o colapso da ordem europeia em 1914 recorda-nos que os períodos de transição raramente são reconhecidos como tal pelos seus contemporâneos. Muitas vezes, só mais tarde percebemos que determinadas certezas estavam a desaparecer.

Talvez estejamos novamente perante um desses momentos. Se assim for, a questão decisiva não será apenas o que aprendemos com as guerras do século XX. É saber se conseguiremos transformar esse conhecimento em instituições, políticas e formas de cooperação capazes de responder aos desafios de um mundo em reconfiguração.

(Texto baseado numa intervenção realizada na Casa Manuel Teixeira Gomes, em Portimão, em 5 de junho de 2026)

4 de junho de 2026

O regresso do bilateralismo?


(Publicado na revista "Negócios Estrangeiros", n° 27, dezembro de 2025)

1. Os sinais eram evidentes. Nas últimas décadas, o multilateralismo foi acumulando sinais de fadiga que qualquer observador atento conseguia identificar. Os atores internacionais que deveriam ser os guardiões da ordem global pós-1945 começaram a desafiá-la de forma cada vez mais frequente, não através de ruturas dramáticas, mas por uma erosão gradual que ia minando a credibilidade do sistema. O multilateralismo manteve-se de pé sobretudo pela inércia das instituições: as cimeiras continuavam a realizar-se com as suas agendas cheias de declarações, os tratados eram renovados quase que por hábito, mas foi-se tornando cada vez mais evidente que muitos destes projetos sobreviviam menos pelo empenho real dos Estados e mais pela pressão de redes transnacionais da sociedade civil e de movimentos que conseguiam impor agendas que os governos, deixados à sua conta, teriamdificilmente implementado.

O mais revelador nesta dinâmica foi a inversão que ela representava: o multilateralismo, que tinha sido concebido como um instrumento de cooperação entre Estados soberanos, acabava por sobreviver graças a forças que transcendiam as fronteiras nacionais, enquanto os próprios Estados optavam pela passividade ou por formas mais ou menos discretas de sabotagem. 

Esta erosão não se manifestou de forma uniforme. No controlo de armamento nuclear, o Tratado de Não Proliferação ainda mantinha alguma autoridade, mas o seu cumprimento era cada vez mais seletivo. No comércio internacional, a Organização Mundial do Comércio viu-se paralisada por bloqueios negociais que a transformavam num fórum onde pouco já se decidia. E na governação ambiental o Acordo de Paris de 2015 – que à primeira vista parecia um triunfo do multilateralismo – colidia constantemente com as realidades nacionais, onde as promessas de redução de emissões conviviam tranquilamente com subsídios generosos aos combustíveis fósseis.

2. A segunda administração Trump chegou ao poder com a lição estudada. Não inventou este declínio, sistematizou-o com uma determinação que a primeira experiência não tinha conseguido alcançar. Desde a tomada de posse, em janeiro de 2025, a lógica tem sido exposta sem rodeios: os Estados Unidos, enquanto potência hegemónica, recusam-se a alimentar mecanismos de cooperação que lhes imponham encargos desproporcionados, sem retornos tangíveis para os seus interesses nacionais imediatos. As agendas que a administração Trump considera ideológicas – do multilateralismo climático ao direito internacional humanitário – são encaradas como resquícios de um globalismo que já não serve os propósitos americanos. As pautas aduaneiraspunitivas sobre as importações e a ameaça constante de abandonar o Acordo de Paris já não são apenas uma retórica eleitoral, mas sim a expressão de uma doutrina que elevou o “América First ” a um princípio inegociável da política externa.

O peso dos Estados Unidos na economia global, o papel do dólar como moeda de reserva e o facto de Washington continuar a ser o eixo central de alianças como a NATO fazem com que esta postura represente um abalo significativo ao edifício multilateral. No primeiro mandato, entre 2017 e 2021, algumas destas iniciativas tinham sido diluídas por resistências internas e pela relutância de uma parte do “establishment” republicano. Agora, com maior coerência ideológica e com uma base partidária mais consolidada, as decisões tendem a concretizar-se com maior facilidade. A suspensão de contribuições financeiras para agências das Nações Unidas e o boicote a cimeiras da OMC ilustram bem esta mudança de atitude. Trump percebeu que existe um ceticismo profundo na sociedade americana em relação aos “custos do império”, e conseguiu, reconheça-se que com alguma habilidade, alinhar a elite política com uma base eleitoral que vê o multilateralismo como um desperdício de recursos. Esta convergência transforma o que poderia ser apenas um capricho presidencial numa política com sustentabilidade doméstica e com ramificações e impactos que um país como Portugal, dependente dos fluxos comerciais transatlânticos, sente de forma imediata.

3. Acabou o multilateralismo? O multilateralismo de vocação universal, aquele que conseguia reunir países de esferas geopolíticas contraditórias à mesma mesa de negociação, entrou em crise manifesta. Mas perguntar se acabou é provavelmente prematuro. O que parece mais realista é reconhecer que o multilateralismo sobrevive, mas numa forma bastante debilitada. O consenso sobre as grandes agendas – climáticas, comerciais, de segurança nuclear – enfraqueceu drasticamente, e isso reduz naturalmente a capacidade do sistema para constranger os desvios, alguns dos quais protagonizados precisamente pelos Estados dos quais se esperaria um cumprimento exemplar das regras. Neste contexto, o mais provável é que os modelos multilaterais de vocação universal procurem sobretudo garantir a sua continuidade institucional, preservando aquilo que podem, enquanto aguardam por tempos mais favoráveis.

Mas a fragmentação é muito evidente: os acordos regionais multiplicam-se como alternativas parciais ao modelo global e formatos como os BRICS tentam criar polos alternativos à hegemonia ocidental sem que, por enquanto, consigam substituí-la de forma efetiva. Entretanto, a cooperação multilateral – que não vai desaparecer, porque a interdependência económica e as questões de segurança não o permitem – será necessariamente mais limitada nas suas ambições e tenderá a estabelecer-se preferencialmente entre Estados que partilham afinidades políticas e estratégicas. Esta evolução representa um afastamento claro do espírito de acomodação de diferenças que caracterizava o modelo surgido em 1945, aquele que nem a Guerra Fria, com todas as suas tensões, conseguiu destruir por completo. O resultado parece ser uma ordem internacional crescentemente fragmentada, onde o multilateralismo persiste mais como ferramenta tática do que como uma visão estratégica partilhada.

4. Regressamos ao bilateralismo? O bilateralismo nunca desapareceu. Foi, é e continuará a ser a forma primordial da diplomacia, aquela que existe desde os tratados de Vestefália, em 1648, e que esteve na origem da própria arte de negociar entre Estados. Por muito que a cooperação multilateral se tenha tornado relevante desde o século XIX – primeiro com o Concerto da Europa pós-napoleónico, depois com a Liga das Nações e, finalmente, com as Nações Unidas –, o relacionamento bilateral sempre persistiu como elemento essencial na relação internacional. Em contextos como o da União Europeia, a natureza do bilateralismo tradicional alterou-se, entretanto, pela preeminência da arquitetura multilateral coordenada por Bruxelas, onde as diretivas comunitárias acabaram por suplantar muitos dos acordos bilaterais entre Estados-membros.

O “novo” bilateralismo que hoje se afirma tem, no entanto, características bem diferentes. Corresponde a uma preferência assumida por relações estritamente Estado a Estado, defendida por quem considera as instituições multilaterais dispensáveis ou mesmo inconvenientes, na medida em que dificultam negociações diretas onde o mais forte pode ditar a sua lei com maior facilidade. Os acordos recentes entre os Estados Unidos e alguns países do Médio Oriente, ou as cimeiras diretas promovidas por Washington com Pequim, ilustram bem esta tendência para contornar os fóruns multilaterais. 

Ainda não existe, contudo, uma distância temporal suficiente – embora não pareça, estamos apenas no início da segunda administração Trump… – para determinar se estas mudanças são conjunturais, impulsionadas por personalidades e circunstâncias específicas, ou se representarão uma transformação estrutural do sistema internacional. A história ensina alguma prudência: o bilateralismo clássico sempre coexistiu harmoniosamente com o multilateralismo. A questão está em saber se o bilateralismo transacional que hoje se observa é uma ponte para uma eventual recomposição do sistema ou apenas um paliativo temporário.

5. O multilateralismo do pós-1945, com todas as suas imperfeições – as desigualdades de voto nas instituições de Bretton Woods, as paralisias frequentes no Conselho de Segurança –, representou uma democratização importante das relações internacionais. Ofereceu uma igualdade formal a todas as entidades soberanas e gerou um tecido de confiança e previsibilidade que beneficiava sobretudo os países mais fracos. O estabelecimento de regras que, em princípio, deviam ser respeitadas tanto pelos poderosos como pelos mais pequenos garantia a estes últimos que não teriam de se sujeitar apenas à lei do mais forte. Os tribunais internacionais e os mecanismos de arbitragem da OMC permitiam que nações de média dimensão pudessem contestar as grandes potências com argumentos jurídicos, e não apenas com súplicas diplomáticas.

O “novo” bilateralismo que hoje ganha terreno, protagonizado pelas grandes potências, pode ter o efeito inverso, restaurando uma hierarquia onde o poder determina os direitos de forma muito mais direta e ostensiva. As pautas aduaneiras impostas recentemente pelos Estados Unidos sobre produtos europeus, incluindo alguns setores portugueses, segundo critérios perfeitamente arbitrários e de um casuísmo chocante, são uma demonstração clara desta assimetria. A perda de previsibilidade tem custos muito importantes: os investidores enfrentam maior incerteza, os exportadores lidam com a volatilidade cambial e comercial, e num sistema mais fluido a reputação e a fiabilidade tornam-se praticamente os únicos ativos estratégicos verdadeiramente acessíveis aos países de média dimensão. Portugal, com uma economia muito aberta ao exterior, onde as exportações representam uma parte cada vez mais significativa do PIB, sente esta transição de forma particularmente intensa. O risco de retaliações aduaneiras ou de mudanças súbitas nas regras do jogo afeta seriamente setores económicos que, durante décadas, operaram com base em quadros multilaterais relativamente estáveis.

6. Este enquadramento tem implicações particulares para países de média dimensão. Portugal é um país muito antigo, com uma diplomacia forjada ao longo de séculos, e procurou sempre cultivar um conjunto alargado de relações bilaterais como forma de compensar as suas debilidades estruturais. Com o advento da democracia, em 1974, Portugal empreendeu uma integração rápida e bem-sucedida no mundo multilateral do qual estivera bastante afastado, simultaneamente pelo isolamento que a comunidade internacional impôs à ditadura salazarista mas também pela própria idiossincrasia de um regime que cultivava o afastamento de qualquer cooperação internacional que pudesse limitar do poder decisório de Lisboa. A simpatia que o novo regime democrático suscitou internacionalmente contribuiu também para uma expansão notável do relacionamento bilateral e, nos dias de hoje, Portugal mantém uma rede diplomática que poucos países de dimensão comparável conseguem assegurar.

A diplomacia portuguesa soube sempre combinar estas duas vertentes, potenciando os efeitos do bilateralismo no quadro multilateral. Na União Europeia, as presidências portuguesas demonstraram esta capacidade ao utilizar negociações bilaterais com os países mais influentes como forma hábil de forjar consensos comunitários. No espaço lusófono, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa Portugal projeta uma influência cultural e económica sem pretensões hegemónicas. À sua escala e com os meios de que dispõe – um corpo diplomático relativamente escasso mas experiente e versátil –, Portugal consegue afirmar-se como um ator com alguma capacidade de influência, reconhecido frequentemente como uma espécie de ponte entre o Norte e o Sul, entre a Europa e as Américas. 

7. Importa, porém, ser realista. Para um país de média dimensão como Portugal, com importantes fragilidades estruturais em matéria de riqueza e competitividade, e com uma economia muito exposta a dinâmicas exteriores que não controla, a crise do multilateralismo representa um desafio sério. Embora a diplomacia portuguesa esteja vocacionada para a exploração intensiva do bilateralismo, este não oferece o mesmo grau de proteção que a arquitetura multilateral proporcionava. O desafio consiste em conseguir preservar a capacidade de influência através de parcerias estratégicas diversificadas, da participação em coligações de geometria variável e da manutenção de credibilidade junto dos parceiros essenciais.

Num mundo onde o poder se afirma de forma mais crua, os países de média dimensão têm de conseguir ser mais astutos, mais ágeis e mais determinados na defesa dos seus interesses. Portugal tem uma larga experiência histórica na gestão equilibrada de alianças e na adaptação a sistemas internacionais voláteis. Cabe-lhe agora conseguir traduzir essa herança na ação diplomática dos tempos que se avizinham. O sistema internacional encontra-se em transição, mas Portugal pode emergir não como uma vítima passiva desta mudança, mas como um ator que soube adaptar-se às novas circunstâncias. A lucidez, a prudência e a determinação serão essenciais para garantir que o bilateralismo sirva os interesses nacionais sem que isso signifique abdicar do horizonte multilateral que, embora debilitado, continua a ser desejável e indispensável.


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Francisco Seixas da Costa é um embaixador aposentado desde que, desde 2013, trabalha como consultor no setor privado. Chefiou as missões na ONU, OSCE, Brasil, França e UNESCO, tendo também servido na Noruega, Angola e Reino Unido. Foi Secretário de Estado dos Assuntos Europeus (1995/2001). É presidente do Clube de Lisboa / Global Challenges e investigador associado do "Observare" (UAL). Tem livros publicados.


Síntese

O multilateralismo global, enfraquecido há décadas por passividade estatal e por sabotagens discretas, enfrenta,desde 2025, uma deliberada aceleração do seu declínio por parte da administração Trump. Neste cenário, surge no palco diplomático um “novo” bilateralismo, que se distingue do clássico por ser transacional e assimétrico, restaurando hierarquias onde o mais forte dita a sua lei, sem mediação multilateral. Esta tendência fragmenta o sistema internacional, favorecendo acordos regionais e negociações diretas que geram incerteza para economias abertas. Para países de média dimensão como é o caso de Portugal, o desafio é complexo e consiste em explorar o bilateralismo através de parcerias diversificadas e de coligações hábeis de interesses, tentando preservar capacidade de influência sem abdicar do horizonte multilateral, ainda que debilitado.​​​​​​​​​​​​​​​​

2 de abril de 2026

Biografia profissional

Francisco Seixas da Costa

Biografia Profissional (revista em março de 2026)

Índice:

I. Educação e início profissional
Formação académica
Associativismo estudantil
Início de atividade profissional 
II. Atividade diplomática e governativa 
Ingresso e primeiras colocações (1975–1986)
Funções intermédias (1986–1995)
Funções governativas (1995–2001)
Chefias de missão (2001–2013)
Outras funções no âmbito diplomático
III. Atividade política
IV. Atividade académica e intervenção pública 
Atividade docente
Conferências e intervenções
Obra publicada
Intervenção na comunicação social
V.  Atividade empresarial e de consultoria 
Funções no setor empresarial
Cargos empresariais atuais
Assessoria e consultoria
VI. Participação cívica e institucional 
Atividade no domínio da gastronomia
Outras atividades atuais
VII. Condecorações e distinções 
Nacionais
Estrangeiras
Outras distinções 
Anexo I. Conferências e palestras no estrangeiro 
Anexo II. Conferências e palestras em Portugal
Anexo III. Presença na comunicação social 

*****

Francisco Manuel Seixas da Costa nasceu em 28 de janeiro de 1948, em Vila Real, Portugal.


I. Educação e início profissional 

Formação académica

Concluiu o ensino secundário em Vila Real, em 1966.

Frequentou o curso de Engenharia Eletrotécnica na Universidade do Porto, entre 1966 e 1968.

Concluiu os seus estudos superiores no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), em 1974. Em 1978, concluiu a nova licenciatura em Ciências Sociais e Políticas entretanto criada na mesma instituição.


Associativismo estudantil

Entre 1968–1969, 1970–1971 e 1971–1972 foi eleito para cargos dirigentes no âmbito da Associação de Estudantes do Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina (ISCSPU). 

Em 1970–1971, exerceu funções como presidente da mesa da Assembleia Geral da Associação de Estudantes do ISCSPU.

Em 1968–1969 e 1972–1973, a sua eleição não foi homologada, por determinação ministerial.


Início de atividade profissional

Iniciou a sua atividade profissional, através de concurso de provas públicas, na Caixa Geral de Depósitos, banco a que permaneceu vinculado entre 1971 e 1975. 

Foi colaborador independente da empresa de publicidade e relações públicas Ciesa-NCK, entre 1974 e 1979. 


II. Atividade Diplomática e Governativa

Ingresso e primeiras colocações  (1975–1986)

Ingressou na carreira diplomática portuguesa em 1975, mediante concurso de provas públicas.

Entre 1975 e 1979 exerceu funções:

no Gabinete Coordenador da Cooperação, integrado na Comissão Nacional para a Descolonização, da Presidência da República, e posteriormente no Ministério da Cooperação, onde trabalhou nas relações de cooperação na área educativa com países de expressão portuguesa em África (1975–1976); 
 
no Direção-Geral dos Negócios Económicos do Ministério dos Negócios Estrangeiros, no Serviço da África, Ásia e Oceania, onde, nomeadamente, trabalhou nas relações económicas com os países do Médio Oriente e do Magrebe (1976–1979).

Entre 1979 e 1982, foi acreditado como primeiro-secretário na Embaixada de Portugal na Noruega, onde exerceu funções como substituto do embaixador e chefe da Secção Consular da embaixada, tendo cumulativamente a seu cargo a proteção dos interesses da comunidade de Cabo Verde.

No mesmo período, integrou a representação diplomática não-residente de Portugal na Islândia.

Entre 1982 e 1986, foi acreditado como conselheiro na Embaixada de Portugal em Angola, tendo a seu cargo os setores de informação política e de Cooperação para o Desenvolvimento.

Funções intermédias (1986–1995)

Entre 1986 e 1990, regressou ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa, onde exerceu funções:

na Direção-Geral das Comunidades Europeias, como Chefe de Divisão para a Cooperação para o Desenvolvimento (1986–1987); 

no gabinete do Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, como assessor para questões de Cooperação para o Desenvolvimento (1987–1990).

Foi nomeado diretor do Gabinete de Programação e Planeamento, do Instituto para a Cooperação Económica (1988–1990), mantendo-se destacado nas funções de assessoria do gabinete.

Integrou a equipa negociadora para a adesão de Portugal à Convenção de Lomé III (1986–1987). 

Foi o negociador-chefe português na negociação da Convenção de Lomé IV (1988–1990).

Entre 1990 e 1994, esteve colocado como ministro-conselheiro na Embaixada de Portugal no Reino Unido, sendo então o substituto legal do chefe de missão.

Nessa qualidade, foi representante permanente adjunto de Portugal junto da União da Europa Ocidental (UEO) (Londres, 1990–1993).

Em 1994, regressou ao Ministério dos Negócios Estrangeiros para ocupar o cargo de Diretor-geral adjunto dos Assuntos Europeus, tendo a seu cargo os assuntos institucionais e as relações bilaterais com os países da União Europeia.

Foi representante alternante de Portugal no Grupo de Reflexão (Grupo Westendorp), criado pelo Conselho de Ministros da União Europeia para preparar a Conferência Intergovernamental (CIG) de 1996, para a revisão do Tratado de Maastricht (1995). 


Funções governativas (1995–2001)

Entre 1995 e 2001 suspendeu a carreira diplomática para exercer funções como Secretário de Estado dos Assuntos Europeus, nos XIII e XIV Governos Constitucionais, liderados por António Guterres, sendo Jaime Gama Ministro dos Negócios Estrangeiros. 

Nessa qualidade:

foi o negociador-chefe português para o Tratado de Amesterdão (1995–1997); 

presidiu ao Comité de Ministros do Acordo de Schengen (1997); 

coordenou a posição portuguesa nas negociações do quadro financeiro plurianual da União Europeia para 2000–2006 (Agenda 2000) (1997–1999); 

foi o negociador-chefe português para o Tratado de Nice (2000); 

presidiu ao grupo de negociação da Conferência Intergovernamental para a revisão do Tratado da União Europeia (primeiro semestre de 2000); 

presidiu ao Conselho de Ministros do Mercado Interno da UE (primeiro semestre de 2000); 

preparou e coordenou a Presidência portuguesa do Conselho da União Europeia (1999–2000).

Durante o período em que exerceu funções governativas, chefiou delegações portuguesas a vários países e organizações internacionais, nomeadamente a reuniões ministeriais de: 
  • Conselho da Europa;
  • Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE);
  • Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE);
  • Organização Mundial do Comércio (OMC) (cimeiras de Singapura, Genebra e Seattle);
  • União da Europa Ocidental (UEO);
  • Pacto de Estabilidade para o Sudeste Europeu;
  • estruturas de implementação dos Acordos de Dayton/Paris, sobre a Bósnia-Herzegovina;
  • Cooperação Mediterrânica (Parceria Euro-Mediterrânica, Fórum do MediterrânicoDiálogo 5+5) 
  • Diálogo entre a União Europeia e o Espaço Económico Europeu, o Mercosul, o Grupo do Rio, Grupo de San José, a Comunidade Andina, o México e o Conselho de Cooperação do Golfo.(CCG).
Chefiou missões da União Europeia ao Irão e à Turquia e presidiu a delegações da UE em reuniões de diálogo político com a Albânia, a então Antiga República Jugoslava da Macedónia e a Moldova.


Chefias de missão (2001–2013)

Em 2001, a seu pedido, cessou funções governativas. 

Regressou à carreira diplomática e foi nomeado embaixador e representante permanente de Portugal junto da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque (2001–2002). 

Nessa qualidade, foi eleito:

vice-presidente do Conselho Económico e Social das Nações Unidas (ECOSOC) (2001);  

presidente da Segunda Comissão (Assuntos Económicos e Financeiros) da 56.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (2001–2002);

vice-presidente da 57.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (2002).

A convite do Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, e a título pessoal, integrou o Conselho Consultivo do Fundo das Nações Unidas para Parcerias Internacionais (UNFIP) (2001–2002).

Presidiu à “troika” de observadores da ONU (com os Estados Unidos da América e a Rússia) para o processo de paz em Angola (2002).

Foi nomeado embaixador e representante permanente de Portugal junto da Organizaçâo para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), em Viena, em 2002, ano em que Portugal exerceu a presidência da organização. Nessa qualidade:

presidiu ao Conselho Permanente da OSCE (2002);

integrou a “troika” das presidências da OSCE (2003);

presidiu ao Grupo de Contacto da OSCE com os Parceiros Asiáticos para a Cooperação (2003/2004).

Entre 2003 e 2004 participou em missões da OSCE a doze países, chefiando duas delas (República da Coreia e Japão). 

Permaneceu como embaixador junto da OSCE até 2004.

Foi embaixador de Portugal no Brasil (2005–2009). 

Foi embaixador de Portugal em França (2009–2013).

Exerceu, em acumulação, funções como:

embaixador não residente no Mónaco (2010–2013); 
 
embaixador e delegado permanente junto da UNESCO, em Paris (2012–2013).

Durante este período exerceu ainda funções como:

representante de Portugal no Conselho da Agência Espacial Europeia (ESA) (2009–2013); 
 
representante de Portugal no Bureau International des Expositions (BIE) (2009–2013); 
 
delegado de Portugal na União Latina (2012–2013); 
 
delegado de Portugal à Conferência de Paris sobre a Síria (2012); 
 
delegado de Portugal à reunião da União para o Mediterrâneo, em Paris (2012).

Em 28 de janeiro de 2013, ao tempo em que exercia funções de embaixador em França, atingiu o limite de idade legal para o exercício de funções no quadro externo.

Aposentou-se da função pública portuguesa, a seu pedido, em 11 de março de 2013.

Entre 1 de fevereiro de 2013 e 31 de janeiro de 2014, foi nomeado pelo Conselho da Europa como diretor executivo do respetivo Centro Norte-Sul.


Outras funções no âmbito diplomático


Representante do Ministério dos Negócios Estrangeiros na Comissão Interministerial para as Relações Económicas com os Países do Médio Oriente e do Magrebe (1976–1978); 

Membro da representação do Ministério dos Negócios Estrangeiros no Grupo de Contacto Intergovernamental Brasil-Portugal para exame das questões relacionadas com investimentos recíprocos;

Membro fundador e membro da primeira direção da Associação para a Cooperação com as Nações Unidas em Portugal (ACNUP) (1978–1979); 

Representante do Ministério dos Negócios Estrangeiros na estrutura criada no âmbito do Fundo de Fomento de Exportação, para definição de classificações de risco-país para comércio e investimento (1978–1979); 

Integrou a representação do Ministério dos Negócios Estrangeiros na Comissão Interministerial para a Cooperação (1988–1990); 

Membro do júri do concurso para admissão à carreira diplomática (1994) e do júri do concurso para promoção à categoria de conselheiro de embaixada (1994–1995); 

A título pessoal, integrou a estrutura de aconselhamento do primeiro-ministro, na negociação do projeto de Tratado Constitucional Europeu, correspondendo a um convite formulado pelo XV Governo Constitucional (2003–2004);

Membro do Fórum de Embaixadores da Agência Portuguesa para o Investimento (2003–2005); 

Vice-presidente da direção (1994–1995) e, posteriormente, presidente da Mesa da Assembleia Geral (2013–2015) da Associação Sindical dos Diplomatas Portugueses (ASDP).

Membro de delegações portuguesas a reuniões multilaterais internacionais, nomeadamente:
 
UNCTAD VII
Comissão de Direitos Humanos, 
Grupo Independente de Programas de Defesa Europeus (IEPG)
Convenções de Lomé III e Lomé IV
Movimento dos Não-Alinhados
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), 
União para o Mediterrâneo (UpM).


III. Atividade Política

Em 1969, foi um dos promotores da Comissão Democrática Eleitoral (CDE) de Vila Real.

Durante o serviço militar obrigatório (1973–1975), participou no movimento de 25 de Abril de 1974, tendo então desempenhado funções como assessor da Junta de Salvação Nacional (1974).

Entre 1974 e 1981, foi membro do Movimento de Esquerda Socialista (MES).

Entre 2001 e 2024, foi membro do Partido Socialista (PS).

Em 2014 integrou o Gabinete de Estudos do Partido Socialista, que preparou o programa para as eleições legislativas de 2015.

Desde 2025, embora já não filiado, integra, por convite, o Conselho Estratégico do Partido Socialista.

Foi convidado a intervir em iniciativas públicas promovidas por organizações de outros partidos políticos portugueses, nomeadamente CDS-PP (2013), PSD (2023) e Bloco de Esquerda (2024).

Apoiou publicamente as candidaturas presidenciais de Otelo Saraiva de Carvalho (1976), Salgado Zenha (1986), Jorge Sampaio (1996), Sampaio da Nóvoa (2016) e Marcelo Rebelo de Sousa (2021), tendo integrado as comissões de honra das candidaturas presidenciais de Mário Soares (2006) e António José Seguro (2026).


IV. Atividade académica e intervenção pública 

Atividade docente

Exerceu funções como docente convidado em: 

Universidade Autónoma de Lisboa (UAL) (2014–2018);
Instituto Universitário Militar (IUM) (2015–2018);
Universidade Europeia (2015–2018).

Na Universidade Autónoma de Lisboa (UAL), dirigiu cursos de preparação para candidatos à carreira diplomática (2015 e 2017).

Conferências e intervenções

Proferiu conferências e intervenções em diversos países sobre assuntos europeus e internacionais (1975–2025) (ver Anexo I), incluindo apresentações em várias universidades portuguesas (ver Anexo II).

Obra publicada

Para uma lista completa e atualizada de livros, prefácios e outras publicações, ver a bibliografia (atualizada em março de 2026) aqui.

Intervenção na comunicação social 

Foi colunista regular em 

Diário Económico (2013–2015);
Jornal de Notícias (2015–2021);
revista Evasões (2013–2018);
revista Epicur (2015–2018);
Jornal de Negócios (2015–2021);
jornal digital Acção Socialista (2015);
Jornal Económico (2018–2021);
jornal digital A Mensagem de Lisboa (2021–2023).

Na juventude, colaborou com:

A Voz de Trás-os-Montes (1967–1972);
Jornal de Notícias (secção desportiva)  (1967–1968);
Rádio Clube Português (Porto) (1967–1968);
Emissores do Norte Reunidos (1968);
Rádio Universidade (1968).

Durante o serviço militar, dirigiu o jornal O Intendente na Escola Prática de Administração Militar (EPAM) (1973–1974).

Publicou artigos em diversos jornais e revistas portugueses e estrangeiros (ver Anexo III).

Foi comentador residente de temas internacionais nos programas televisivos:

Olhar o Mundo, RTP (2014–2018);
Observare, TVI 24 (2020–2021);
CNN Portugal (2021–2024).

Foi autor do podcast Olhe que não, olhe que não, um diálogo com Jaime Nogueira Pinto, na plataforma do jornal 24 Horas (2025–2026).

É autor do blogue de interesse geral Duas ou Três Coisas, publicado diariamente desde 2 de fevereiro de 2009, bem como do blogue sobre restaurantes Ponto Come (arquivo desde 2008) e do blogue informativo Ou Quatro Coisas (arquivo desde 2003).

É comentador de assuntos internacionais no podcast A Arte da Guerra, na plataforma digital do Jornal Económico (desde 2021).


V. Atividade empresarial e de consultoria 


Funções no setor empresarial


Foi administrador não executivo independente da Jerónimo Martins, SGPS, S.A. (grupo multinacional de distribuição) (2013–2025); 
 
Foi membro do Conselho Consultivo Estratégico da Mota-Engil Engenharia e Construção, S.A. (grupo multinacional de engenharia e construção) (2013–2021); 
 
Foi membro do Conselho de Supervisão da Warta – Retail and Services Investments B.V. (2013–2016); 
 
Foi membro independente não-executivo do Conselho de Administração da Mota-Engil Africa Global Technical Services B.V. (2014–2016); 
 
Foi membro independente não-executivo do Conselho de Administração da Mota-Engil, Engenharia e Construção África, S.A. (2016–2021); 
 
Foi membro independente não-executivo do Conselho de Administração da EDP Renováveis, S.A. (empresa multinacional de energias renováveis) (2016–2021); 
 
Foi presidente do Conselho de Supervisão da Tabaqueira EIT – Philip Morris International, S.A. (grupo multinacional de fabrico de produtos de tabaco e de produtos sem combustão) (2018–2020); 
 
Foi presidente do Conselho de Supervisão da Tabaqueira II, S.A. – Philip Morris International (2020–2026).


Cargos empresariais atuais


É administrador independente não executivo da Mota-Engil, Engenharia e Construção, S.A. (desde 2018); 
 
É "business partner" e presidente do Conselho Consultivo da Kearney Portugal (consultoria de gestão global) (desde 2018); 
 
É presidente do Fórum Héron Castilho (debate económico e empresarial) (desde 2018); 
 
É presidente da Mesa da Assembleia Geral da Tabaqueira II, S.A. – Philip Morris International (desde 2026); 
 
É membro do Conselho Consultivo da Academia CESO – Development Consultants (desde 2025).


Assessoria e consultoria


Foi membro do Conselho Científico da revista "Política Internacional" (2003-2005); 

Foi membro e depois presidente do Conselho Geral da UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (2009–2012);

Foi membro do júri do prémio literário francês “Prix des Ambassadeurs – Fondation Prince Pierre de Monaco”, Paris (2009–2013); 
 
Foi membro do Conselho Consultivo da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (2010–2018); 
 
Foi membro do Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães durante Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura (2011–2013); 
 
Foi membro da comissão que preparou o Conceito Estratégico de Defesa Nacional para a década 2013–2022 (2012); 
 
Foi membro do Conselho Consultivo da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (2013–2018); 
 
Foi consultor da Fundação Calouste Gulbenkian (2013–2021); 
 
Foi membro do júri do Prémio Universidade de Coimbra (2015); 
 
Foi membro do Conselho Científico da conferência da Fundação Francisco Manuel dos Santos (2016); 
 
Foi curador no NewsMuseum, Sintra (2016); 
 
Foi membro do Conselho das Ordens Honoríficas Portuguesas, a convite do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa (2016–2026); 
 
Foi consultor da Fundação AEP (2016–2018), Porto; 
 
Foi membro do Conselho Geral Independente da RTP – Rádio e Televisão de Portugal, S.A. (2018–2021); 
 
Foi consultor internacional da Fundação Bertelsmann, Gütersloh (2019–2020); 
 
Foi membro do Conselho Consultivo para a participação de Portugal na Expo 2020 Dubai (2019–2020); 
 
Foi co-comissário da exposição “Portugal, Europa e o Mundo”, organizada pela Assembleia da República (2021); 
 
Foi membro da comissão que preparou o Conceito Estratégico de Defesa Nacional para a década 2023–2032 (2022–2023). 


VI. Participação cívica e institucional 

Atividade no domínio da Gastronomia

Foi membro de júris gastronómicos da revista Veja (Brasília) (2005–2008) e do prémio português Lisboa à Prova (2021–2023); 
 
É utor do blogue gastronómico Ponto Come (com arquivo desde 2008); 
 
É membro da Académie des Psychologues du Goût (França) desde 2009 e de várias outras confrarias gastronómicas portuguesas e estrangeiras (Brasil e França); 
 
É membro do Conselho Superior da AGAVI – Associação para a Promoção da Gastronomia, Vinhos, Produtos Regionais e Biodiversidade (Porto) desde 2010; 
 
Foi crítico gastronómico das revistas Sábado (2010), Evasões (2015–2018) e Epicur (2015–2018); 
 
Foi distinguido pelo Turismo de Portugal, com o prémio “Prove Portugal” 2012, pela contribuição dada à promoção internacional da gastronomia portuguesa (2012); 
 
É membro (desde 2014) e atual vice-presidente da direção da Academia Portuguesa de Gastronomia (APG)
 
Foi consultor da AHRESP - Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal para identificação, classificação e promoção de restaurantes portugueses no estrangeiro (2014–2015); 
 
Foi membro do grupo de trabalho criado pelo Conselho de Ministros para a promoção da gastronomia portuguesa (2014–2015); 
 
Foi presidente da Mesa da Assembleia Geral da Comunidade Europeia de Cultura Gastronómica (2018–2020).

Outras atividades atuais


É membro do conselho editorial da revista digital de relações internacionais Janus.net desde 2010;

É membro fundador do CEISDTAD – Centro de Estudos e Investigação em Segurança e Defesa de Trás-os-Montes e Alto Douro (Alijó), desde 2013; 

É membro do núcleo dirigente do GRES – Grupo de Reflexão Estratégica sobre Segurança desde 2016; 

É presidente da direção do Clube de Lisboa / Global Challenges, desde 2019 (fundador e diretor desde 2016); 
 
É presidente das Conferências de Lisboa, desde 2019; 
 
É membro do Fórum Demos, desde 2019; 
 
É investigador associado do Observare – Observatório de Relações Exteriores da Universidade Autónoma de Lisboa, desde 2020; 
 
É membro fundador do Círculo de Estudos do Centralismo, desde 2022; 
 
É membro do Conselho Cultural da Fundação Eça de Queiroz, desde 2021; 
 
É membro do conselho editorial do jornal digital A Mensagem de Lisboa, desde 2021; 
 
É presidente do júri do Prémio Científico Mário Quartin Graça, atribuído pela Casa da América Latina, desde 2023; 
 
É presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP), desde 2025; 
 
É membro do júri do Prémio de Jornalismo Ernesto Roma, desde 2026.

 

Associacões e clubes

 

É membro da Crabtree Society (Londres) desde 1991, tendo sido seu presidente em 2011; 
 
É membro do Symi Symposium (Atenas), desde 1999; 
 
É membro do Círculo Eça de Queiroz, desde 2006; 

É membro do Grémio Literário desde 2009; 
 
É membro da Associação 25 de Abril, desde 2016; 

É associado do Sporting Clube de Portugal, desde 2018.

 


VII. Condecorações e Distinções

Nacionais

  • Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (26 de junho de 1981), por atribuição do Presidente Ramalho Eanes;
  • Cavaleiro da Ordem Militar de Cristo (7 de fevereiro de 1985), por atribuição do Presidente Ramalho Eanes;
  • Grande-Oficial da Ordem do Mérito (27 de abril de 1993), por atribuição do Presidente Mário Soares;
  • Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo (9 de junho de 2004), por atribuição do Presidente Jorge Sampaio.

Estrangeiras

  • Oficial da Ordem de Santo Olavo, Noruega (1980);
  • Comendador da Ordem de São Miguel e São Jorge, Reino Unido (1993);
  • Comendador com Estrela da Ordem do Mérito, Polónia (22 de setembro de 1997);
  • Grande-Oficial da Ordem Nacional do Mérito, França (29 de novembro de 1999);
  • Grã-Cruz da Ordem da Estrela, Roménia (2000);
  • Grã-Cruz da Ordem da Honra, Grécia (17 de março de 2000);
  • Grã-Cruz da Ordem do Mérito Civil, Espanha (25 de setembro de 2000);
  • Grã-Cruz da Ordem de Leopoldo II, Bélgica (9 de outubro de 2000);
  • Grande-Oficial da Ordem do Mérito Aeronáutico, Brasil (23 de outubro de 2007);
  • Grã-Cruz da Ordem do Ministério Público Militar, Brasil (6 de novembro de 2008);
  • Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, Brasil (4 de dezembro de 2008).

Outras distinções

  • Medalha de Ouro do Município de Vila Real (20 de julho de 2004);
  • Cidadão Honorário de Brasília (2008);
  • Medalha de Ouro do Município de Elvas (21 de abril de 2013);
  • Cidadão Honorário de Viana do Castelo (20 de janeiro de 2017);
  • Cidadão Honorário da Cidade de Elvas (26 de janeiro de 2024);
  • Medalha do Centenário da Cidade de Vila Real (20 de julho de 2025).

Anexo I. Conferências e palestras no estrangeiro 

Proferiu conferências ou palestras em instituições como: Columbia University (Nova Iorque, EUA), City University (Nova Iorque, EUA), Harvard University (Cambridge/Boston, EUA), Brown University (Providence, EUA), University of Missouri (Kansas City, EUA), NATO Defense College (Roma, Itália), European University Institute (Florença, Itália), College of Europe (Bruges, Bélgica), University of Orléans (Orleães, França), Université Libre de Bruxelles (Bruxelas, Bélgica), European College (Natolin, Polónia), Middle East Technical University (Ancara, Turquia), Royal Institute for Foreign Affairs – Chatham House (Londres, Reino Unido), Wilton Park (Brighton, Reino Unido), Clingendael Institute (Haia, Países Baixos), Aspen Institute (evento em Roma/Washington, EUA), Universidad de Extremadura (Badajoz, Espanha), Altana Foundation (Frankfurt, Alemanha), Ministério dos Negócios Estrangeiros (Tóquio, Japão), European Institute (Dublin, Irlanda), European Institute (Bratislava, Eslováquia), Centre for European Policy Studies (Bruxelas, Bélgica), Riga Graduate School of Law (Riga, Letónia), Sciences Po (Poitiers, França), University of Trieste (Trieste, Itália), Symi Symposium (evento em Spetses, Grécia), Universidad de Santiago de Chile (Santiago, Chile), École Militaire (Paris, França), International Peace Academy (Nova Iorque, EUA), IFANS (Seul, República da Coreia), Diplomatic Academy (Viena, Áustria), University of Turin (Turim, Itália), Pontifícia Universidade Católica (Rio de Janeiro, Brasil), Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Rio de Janeiro, Brasil), Centre for European Reform (evento em Brighton/Londres, Reino Unido), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Porto Alegre, Brasil), Universidade Federal de Santa Catarina (Florianópolis, Brasil), Instituto Rio Branco (Brasília, Brasil), Baku Slavic University (Bacu, Azerbaijão), Cebri – Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Rio de Janeiro, Brasil), Fundação Getúlio Vargas (São Paulo, Brasil), Centro Universitário de Brasília – UniCEUB (Brasília, Brasil), Universidade Federal do Ceará (Fortaleza, Brasil), Universidade de Brasília (Brasília, Brasil), Universidade Federal de Minas Gerais (Belo Horizonte, Brasil), Escola Superior de Guerra (Rio de Janeiro, Brasil), Universidade Presbiteriana Mackenzie (São Paulo, Brasil), Universidade Católica de Brasília (Brasília, Brasil), Universidade de São Paulo (São Paulo, Brasil), Universidade Federal da Bahia (Salvador, Brasil), Université Paris-Nanterre (Paris, França), Ministério dos Negócios Estrangeiros (Argel, Argélia), Ministério dos Negócios Estrangeiros (Astana, Cazaquistão).

(Argélia, Azerbaijão, Áustria, Bélgica, Brasil, Bulgária, Chile, Egito, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Cazaquistão, República da Coreia, Letónia, Japão, Jordânia, Montenegro, Países Baixos, Polónia, Roménia, Eslováquia, Espanha, Tunísia, Turquia, Reino Unido, Uruguai, Estados Unidos da América e Portugal)

Anexo II. Conferências e palestras em Portugal

Em Portugal, proferiu conferências e palestras em instituições públicas e privadas, incluindo as seguintes universidades: Universidade de Lisboa, Universidade NOVA de Lisboa, ISCTE–IUL, Instituto Universitário Militar, Universidade de Évora, Universidade do Algarve, Universidade do Minho, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Universidade de Aveiro, Universidade de Coimbra, Universidade do Porto, Universidade da Beira Interior, Universidade dos Açores, Universidade Autónoma de Lisboa, Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), Universidade Católica Portuguesa (Porto), Universidade Lusíada, Universidade Europeia, Universidade Lusófona (Lisboa), Universidade Lusófona (Porto), Universidade Fernando Pessoa, Universidade Portucalense, Universidade Moderna, Universidade Popular (Ferreira do Alentejo), bem como o Instituto Politécnico de Viseu e o Instituto Politécnico de Bragança.


Anexo III. Presença na comunicação social

Em Portugal, publicou artigos em: Acção Socialista, Açoreano Oriental, Atlantis, Brasil-Europa, Camões, A Capital, O Comércio do Funchal, CNN Portugal, Correio da Manhã, Desenvolvimento, Diário de Notícias, Diário de Notícias do Funchal, Diário Económico, Eco, Economia Pura, O Economista, & Etc., Egoísta, Elo – Cooperação e Desenvolvimento, Epicur, Europa – Novas Fronteiras, Euronotícias, Evasões, Exame, Expresso, Feed, Ideias à Esquerda, O Independente, Janus, Jornal Económico, Jornal i, Jornal de Negócios, Jornal de Notícias, Jornal Europeu, Lusíada, A Mensagem de Lisboa, O Mundo em Português, Nação e Defesa, Negócios Estrangeiros, Notícias de Vila Real, Observador, País Europeu, Política Internacional, Portugal Socialista, Prémio, Primeiro de Janeiro, Público, Referencial, Relações Internacionais, Revista Militar, República, Semanário, Semanário Económico, Semanário Transmontano, O Sol, Tempo, Visão e A Voz de Trás-os-Montes.

Noutros países, publicou artigos em: Le Monde (França), Les Echos (França), El País (Espanha), Mercurio (Chile), Politika (Polónia), Diplomacia (Chile), Carta Capital (Brasil), Correio Braziliense (Brasil), Gazeta Mercantil (Brasil), O Globo (Brasil), Portugal Digital (Brasil), Portuguese Studies (Reino Unido), Política Externa (Brasil), O Estado de S. Paulo (Brasil), Folha de S. Paulo (Brasil), Jornal de Brasília (Brasil), Jornal do Brasil (Brasil), Mundo Lusíada (Brasil), Portugal em Foco (Brasil), Portugal Global (Brasil), A Tarde (Brasil), Valor Económico (Brasil), European Voice (Bélgica), The Parliamentary Monitor (Reino Unido), CSFP Forum (Alemanha) e OSCE Magazine (Áustria).

(Revisto em março de 2026)