Intervenção na abertura da VII Conferência de Lisboa (8 e 9 de outubro de 2026)
Antes do mais, muito obrigado pela vossa presença nesta VII Conferência de Lisboa, uma iniciativa bienal do Clube de Lisboa.
Em nome dos órgãos dirigentes do Clube de Lisboa, começo por agradecer a honrosa presença de Sua Excelência o Presidente da República nesta sessão de abertura.
É uma grande satisfação tê-lo connosco. Conhecemos bem a atenção que o Dr. António José Seguro sempre dedicou aos temas internacionais e eu recordo, muito em especial, a sua atividade no Parlamento Europeu nestes domínios.
Também por isso, será importante para todos nós ouvir a palavra do Chefe do Estado sobre as grandes questões que hoje nos interpelam — e nos inquietam.
Gostaria, aliás, de aproveitar a presença do Senhor Presidente para recordar que o Clube de Lisboa, a cuja direção tenho o prazer de presidir, comemora este ano uma década de existência.
Juntámo-nos um dia — um grupo de pessoas com diferentes sensibilidades políticas, mas com interesses comuns — para criar este espaço de reflexão sobre as grandes questões globais, procurando desta forma oferecer a Lisboa uma plataforma aberta, plural e livre para o seu debate.
Somos uma estrutura que, até hoje, realizou quase duas centenas de iniciativas e reuniu uma imensidão de oradores, oriundos de mais de 60 países.
Aquilo que nos une é a liberdade, a democracia, os direitos humanos, o respeito pelo Direito Internacional e pela ordem multilateral.
No fundo, estamos juntos no cultivo de uma ideia de comunidade internacional assente em princípios que nos habituámos a ver representados pelas Nações Unidas.
E porque é essa ordem de valores que continua a unir-nos, é para nós um privilégio poder contar hoje, como orador principal desta Conferência, com o Eng. Jorge Moreira da Silva, Subsecretário-Geral das Nações Unidas e Diretor Executivo da UNOPS.
Apraz-me destacar que o Dr. Jorge Moreira da Silva tem honrado muito o nome de Portugal, ao denunciar, de forma corajosa, com palavras justas e frontais, em momentos e contextos por vezes muito difíceis, algumas situações e atitudes absolutamente intoleráveis, que interpelam a nossa consciência.
É, assim, um orgulho podermos contar hoje com a sua palavra — e digo-o com grande sinceridade.
No mundo convulso em que vivemos, a Organização das Nações Unidas, por muito que alguns procurem miná-la nos seus fundamentos e objetivos, mantém-se como um farol para uma ordem internacional decente, humana e responsável.
Agora que o Eng.º António Guterres se aproxima do final do seu segundo mandato à frente da Secretaria-Geral da Organização, num contexto e sob limitações de ação que dificilmente poderiam configurar um ambiente mais hostil, gostaria de deixar aqui expressa a minha grande admiração pelo seu esforço e pela sua determinação.
Se as Nações Unidas nem sempre estiveram unidas, não foi por falta de empenhamento do seu Secretário-Geral. Foram os Estados-membros que, demasiadas vezes, bloquearam o funcionamento do Conselho de Segurança, enfraqueceram a autoridade da Organização e contribuíram para a sua perda de eficácia.
António Guterres enfrentou sempre esse contexto, frequentemente adverso, com independência e uma voz própria. Nem sempre terá conseguido prevalecer, mas nunca deixou de defender os princípios em que as Nações Unidas assentam. É por isso que lhe devemos reconhecimento e admiração.
No Clube de Lisboa, prescindimos do direito de ser pessimistas. Se o fôssemos, não continuaríamos a persistir, como fazemos há mais de uma década, em mobilizar pessoas e vontades em torno daquilo em que acreditamos.
Diria mesmo que, quanto maiores são as incertezas, mais determinados nos sentimos.
Com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, mas também desta extraordinária casa que é a Fundação Calouste Gulbenkian, lado a lado com outras instituições e entidades, públicas e privadas, que nos ajudam, vamos prosseguir no nosso trabalho.
Enquanto os nossos mais de 100 sócios — e todos pagamos as nossas quotas — assim o entenderem, e enquanto as pessoas quiserem aderir às nossas iniciativas, de que esta sala cheia é uma eloquente demonstração de confiança, podem ter a certeza de que a gente vai continuar, como diria Jorge Palma.
Não vou relembrar as temáticas que hoje e amanhã estarão em discussão: elas estão perante vós, na documentação online e em papel a que tiveram acesso.
Quero apenas terminar com dois agradecimentos.
O primeiro é dirigido a todos os oradores, portugueses e estrangeiros, que tiveram a amabilidade de aceitar o nosso convite. Todos participam pro bono, movidos pela convicção de que vale a pena estar aqui e contribuir para o momento de partilha e reflexão que a Conferência representa.
O segundo vai para as pessoas que, nos bastidores, tornam possível este e outros eventos do Clube de Lisboa, sob a coordenação de Fernando Jorge Cardoso, o nosso diretor executivo. O Clube de Lisboa deve muito à sua dedicação e entusiasmo.
E agora, com muito gosto, passo a palavra a Sua Excelência o Presidente da República, Dr. António José Seguro.
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